O excesso de megapixels das câmeras digitais e a qualidade da imagem nas fotos

Participando de um fórum técnico de câmeras fotográficas digitais pude ajudar a um dos membros sobre uma dúvida que, acredito, atinge a grande maioria dos que gostam de fotografia digital amadora mas não possuem informações ou conhecimento técnico suficiente para fazer a escolha correta na hora da compra.

O questionamento feito por um dos membros é algo bastante comum em fóruns técnicos, porém sem aprofundamento, o que gera mais dúvida do que esclarecimento: o excesso de megapixels pode comprometer a qualidade das fotos de uma câmera digital?

Em minha resposta à questão procurei mostrar que em tecnologia não podemos, em afirmações curtas e sem algumas explicações técnicas – mesmo que de forma superficial – dar uma resposta direta: sim ou não. Mas também a coisa não é tão complicada de se entender. Então, vamos lá.

A afirmação genérica de que o “excesso de megapixels” compromete a qualidade das fotos é algo que devemos analisar com bastante cuidado.

Não é a quantidade maior de megapixels que degrada uma imagem digital. Parece até contrasenso, pois sabemos que a alta definição de imagem é representada por uma quantidade maior de pixels. Temos como exemplo nossas TVs. A TV HD Ready tem, em média, 1280 x 720 pixels. Já a TV Full HD tem, no mínimo, 1920 x 1080 pixels. Ou seja, mais pixels, melhor resolução. Isso é fato.

O que se tem falado de degradação de imagem em câmeras fotográficas digitais vem do fato de que, comercialmente, a ideia que é vendida é quanto mais megapixels tem uma câmera, melhor será em relação a sua concorrente com um número menor de megapixels. É nessa afirmação, pura e simples, que está o engano. Engano em parte, pois tudo é relativo, como afirmava o gênio Albert Einstein.

O que quero dizer é que a qualidade da foto numa câmera digital não pode – e nem deve – ser atribuída apenas à sua quantidade de megapixels. Aliás, esse não deve nunca ser o requisito número 1 na escolha de uma boa câmera fotográfica digital. Há outros fatores mais importantes, entre os quais: as lentes, o sensor de captação da imagem e o processador da imagem. E é no quesito “sensor” que voltamos ao questionamento sobre o comprometimento da qualidade das fotos pelo excesso de megapixels.

Acontece que, de uns anos pra cá, a popularização das câmeras compactas digitais fez com que os preços baixassem e, com isso, a necessidade de componentes de fabricação mais baratos, entre os quais o sensor. Isso acontece com os computadores, notebooks, netbooks, tablets e smartphones, ou seja, os mais baratos usam processadores mais simples, menos poderosos e de menor custo.

Tem se tornado quase padrão que as compactas populares atuais utilizem um sensor Type 1/2.3″ (esse número indica parâmetros das dimensões do sensor, tais como a sua medida na horizontal e vertical, além da diagonal, ou seja, identifica o sensor pelo tamanho). É aí onde está a grande questão dos megapixels. A relação entre a quantidade exagerada de megapixels e o tamanho do sensor.

Ora, é lógico imaginar que um sensor com 7,7 mm de diagonal e com, digamos, 10 megapixels de capacidade de resolução tenha uma condição de “melhor acomodar 10 milhões de pixels” do que o mesmo sensor com 20 milhões de pixels. Entendeu? É isso que nos referimos a “excesso de megapixel comprometer a imagem”. Não são os megapixels em si. Não é o tamanho do sensor é si. É a relação entre a quantidade de megapixels oferecida pela câmera e o tamanho do sensor utilizado, ou seja, comercialmente vendem o número de megapixels e internamente, sem quase fazer referência alguma, utilizam um sensor com tamanho não adequado para aquela quantidade de megapixels. Pixels muito próximos um do outro acabam por deixar “vazar” iluminação para os vizinhos, degradando a qualidade final da imagem, que perde definição.

Mas, como disse antes, tudo é relativo. Câmeras de marcas de renome, como a Sony, por exemplo, possuem “tecnologia” suficiente para tentar “melhorar” a relação megapixel/tamanho do sensor e com isso obter fotos incrivelmente boas.

O sensor desenvolvido pela Sony e utilizado nas câmeras mais atuais – Sensor CMOS Exmor R – possui uma capacidade incrível de captação de luz, mesmo em ambientes pouco iluminados, além de garantir uma menor interferência de iluminação entre pixels vizinhos, permitindo um número maior de megapixels no sensor.

Minha câmera anterior – que ainda possuo, agora como reserva – é uma Sony P-200, de 7.2 megapixels e um sensor Type 1/1.8″ (repare que é uma câmera mais antiga, de 2005, e mesmo assim possui um sensor maior que as atuais compactas que usam sensor Type 1/2.3″ e com bem mais megapixels. É essa relação que devemos analisar.

Com a minha “antiga” Sony P-200 tenho feito fotos melhores do que algumas compactas mais atuais de 14 ou 16 megapixels, mas que usam um sensor menor e lentes inferiores a Carl Zeiss.  Essa foi a razão que ainda não havia me permitido mudar da minha Sony P-200 com 7 megapixels, sensor Type 1/1.8″ e lentes Carl Zeiss F2.8 para esses modelos mais atuais da faixa mais popular que tem milhões de pixels, mas um sensor menor e lentes não Carl Zeiss.

É bem verdade que a minha antiga Sony P-200 ainda não usa o atual sensor CMOS Exmor R e, por isso sua capacidade para fotos noturnas sem flash ou sem uso do tripé fica comprometida, pois também não possui o recurso Steady Shot que evita imagens tremidas com o mínimo de movimento, mas era outro tempo e a tecnologia avançou muito desde então. Nestas situações, contornava o problema com o uso do tripé ou fixando bem a câmera na hora de bater a foto com uma maior exposição ou em ambientes de pouca luz.

Atualmente minha câmera principal é a nova (recém lançada nos Estados Unidos) Sony RX-100 com 20 megapixels, mas que não se constitui em problema algum, pois o seu sensor Type 1″ é bem maior que os sensores Type 1/2.3″, 1/1.8″ e até mesmo o sensor Type 2/3″ das câmeras compactas atuais. Aliado a isso o poderoso Exmor CMOS Sensor e suas espetaculares lentes Carl Zeiss Vario-Sonnar T* F1.8 garantem imagens de excepcional qualidade.

Estou apenas começando a “dominar” os recursos da câmera, mas na brincadeira já fiz fotos que me deixaram impressionado em relação as fotos de outras câmeras, não deixando nada desejar, inclusive, as fotos de câmeras da linha semi-profissional da própria Sony.

Antes do lançamento dessa câmera, em julho/2012, estava direcionado a adquirir uma Sony da linha NEX. Quando vi as especificações da Sony RX-100 decidi-me na hora por sua aquisição, pois a mesma possuía 3 aspectos importantes para a minha escolha que há muito procurava numa câmera digital:

1) Tamanho compacto, praticamente o mesmo tamanho da minha câmera anterior, a Sony P-200, mas com imagens com qualidade profissional. As câmeras da série NEX são bem maiores, devido as lentes intercambiáveis, e consequentemente mais pesadas.

2) Sensor maior e com alta sensibilidade para ambientes com pouca luz. Acredite! até agora não precisei usar o flash mesmo em fotos noturnas.

3) Lentes Carl Zeiss. Isso é fator essencial para mim, devido a experiência com a minha P-200 que usa Carl Zeiss F2.8, em relação a F1.8 da RX-100 (quanto menor o número F mais clara é a lente). As experiências que tive com câmeras com sensor Type 1/2.3″, muitos megapixels e lentes Sony G F3.5 não foram satisfatórias para mim.

Bom, com esse post espero ter podido esclarecer um pouco a questão dos megapixels nas câmeras digitais de forma a lhe permitir tomar uma boa decisão na hora de adquirir sua próxima câmera.

Na oportunidade procurei também falar um pouco da Sony RX-100, minha atual câmera, colocando-a no contexto da explicação como parâmetro da análise em função da Sony P-200 e câmeras compactas em geral.

Ainda a respeito da Sony RX-100, li vem vários reviews que a mesma pode até mesmo ser utilizada como uma câmera reserva compacta para os profissionais da fotografia e num artigo de uma coluna técnica do jornal The New York Times o editor descreve a mesma como “a melhor câmera de bolso já produzida”. Se é exagero ou não, não posso opinar, até por que não conheço muitas outras câmeras e também não quero entrar na discussão “essa é melhor do que aquela”, pois não é o objetivo aqui.  De qualquer forma, fica registrado o fato.

Estou apenas nas minhas primeiras experiências com a Sony RX-100, mas até o momento, ainda descobrindo muito de seus recursos, posso afirmar que estou muito impressionado com a qualidade do produto em si e do resultado de suas fotos, além de muito feliz pela escolha certa que fiz.

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