Microsoft Lumia 950 com Windows 10 Mobile: primeiras impressões

Neste artigo vou relatar minha análise inicial do novo smartphone top de linha da Microsoft, o Lumia 950, criado para ser o smartphone mais produtivo e que trabalha como um PC através do exclusivo Modo Continuum do Windows 10 Mobile.

Primeiramente a aquisição do produto no exterior me fez esperar – ansiosamente – por 30 dias. Essa foi a parte que eu não gostei. Pois é… Apesar do site da Microsoft Brasil anunciar que o produto chegará ao nosso país, até agora só temos um aviso de “em breve” e nada mais. Não teve outro jeito: tive que importar o produto! Ainda há dúvidas se este produto realmente será comercializado por aqui – espero que sim. Atualmente as condições econômicas de nosso país não estão nada favoráveis, infelizmente. Mas, com a Internet e os serviços de compras internacionais dá pra escapar.

Com o produto em mãos pude constatar sua qualidade, até então apenas “sentida” em fotos e vídeos pela Internet e opinião de terceiros. O que dizer do produto então?

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Figura 1 – Microsoft Lumia 950 usando Windows 10 Mobile.

Bom, se o Sistema Operacional Windows 10 Mobile já roda muito bem em aparelhos com 1 GB de RAM, imagina neste aparelho que possui 3 GB de RAM e 32 GB de espaço para armazenamento interno, sem contar na possibilidade de uso de cartão de memória de 200 GB. A fluidez do sistema é total, aliado ao seu poderoso processador de seis núcleos a 1800 MHz!

Seu display é um show a parte em qualidade gráfica – com absurdos 564 dpi – brilho e contraste de cor, o que permite uma perfeita visibilidade mesmo em ambiente de intensa luz solar, além de fácil limpeza e amplo ângulo de visão, possui a proteção Gorilla Glass 3. O melhor display que já vi até agora num smartphone! Possui tecnologia AMOLED, ClearBlack, com controle automático de brilho e tela capacitiva multiponto ultrassensível.

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Figura 2 – Aspecto geral do display do Microsoft Lumia 950 e interface do Windows 10 Mobile.

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Figura 3 – Aspecto da interface “Todos os aplicativos” do Windows 10 Mobile no Microsoft Lumia 950.

O acabamento do produto é muito bom, os botões laterais dão um charme a mais ao produto. A capa traseira, que pode ser facilmente trocada, também possui um aspecto visual muito bom, além de ótima pegada. O aparelho é bastante leve e fino para um aparelho com 5,2 polegadas de tela, pesando apenas 150 gramas. Gostei bastante da pegada e do peso do aparelho. Pra quem só viu o produto em fotos e vídeos eu afirmo: o produto é realmente top.

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Figura 4 – Aspecto dos botões laterais do Microsoft Lumia 950.

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Figura 5 – O Microsoft Lumia 950 possui uma tela de 5.2” e boa pegada.

O aparelho possui um sistema de reconhecimento de íris para identificação do usuário – o Windows Hello – que tenho usado bastante – até já me viciei, deixando de usar o teclado para a senha de acesso – e que tem funcionado melhor do que eu esperava, uma vez que uso óculos de grau e durante o “cadastro” da íris o sistema recomendou a retirada dos óculos – que logicamente não obedeci – mas mesmo assim o funciona satisfatoriamente, inclusive em ambiente sem luz! Quando, por algum motivo – que pode ser distância ou alinhamento – o Windows Hello não reconhece a íris, o teclado é habilitado para a inserção manual da senha de acesso. Mas, como citei, tenho usado pouco a inserção manual – geralmente após o aparelho ser reiniciado há a necessidade de informação do PIN manualmente – pois já me acostumei com a facilidade do Windows Hello.

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Figura 6 – O reconhecimento de íris do Microsoft Lumia 950 em ação.

O que senti falta no aparelho – em relação ao meu Lumia 925 anterior com Windows Phone 8.1 – foi o recurso de duplo toque na tela para ativar o desbloqueio. Aliado ao Windows Hello este recurso seria muito mais prático do que pressionar o botão lateral do aparelho. Também tenho estranhando a ausência de outro recurso que eu usava – e gostava – bastante: virar o aparelho para silenciar uma chamada que não desejava atender. Espero que uma atualização futura do firmware possa trazer estes recursos ao aparelho.

Falando um pouco das câmeras, as mesmas são um show à parte! A traseira, com 20 megapixels, lentes Zeiss e tecnologia PureView possui abertura f/1.9, distância focal de 26 mm e sensor retroiluminado com 1/6.1 cm de tamanho e sistema de flash natural, com três leds. O sistema de foco pode ser manual ou automático e permite focalizar um objeto com até 10 cm de distância. É simplesmente espetacular!

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Figura 7 – Aspecto traseiro do Microsoft Lumia 950 e o detalhe de sua câmera PureView com lestes Zeiss e sensor de 20 megapixels com flash triplo led natural.

A qualidade das imagens é simplesmente incrível. As fotos podem ser salvas em formato JPG e também RAW (DNG), o que adorei, pois como sou amante da fotografia, adoro fotos com a alta qualidade que só um arquivo RAW pode proporcionar. Em termos de gravação de vídeo, aí é imbatível: filma em 4K e 30 fps, com estabilização óptica e quatro microfones. Com certeza o Lumia 950 se tornará minha nova câmera para o registro fotográfico do cotidiano.

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Figura 8 – Exemplo de uma foto do tipo JPG tirada com o Microsoft Lumia 950 durante o anoitecer.

A câmera frontal também dá um show. Com resolução Full HD para gravação de vídeo, tem 5 megapixels de resolução para fotos, com lente grande-angular e abertura f/2.4. Não é qualquer câmera fotográfica de bolso que possui essa abertura de lente não!

E os sensores? Bom, o Lumia 950 possui barômetro, giroscópio, SensorCore, acelerômetro, magnetômetro, sensor de proximidade e sensor de luz ambiente. Tá bom pra você? Pra mim tá ótimo!

Quanto a usabilidade, sua bateria de 2900 mAh segura bem o dia. E olha que todos os recursos do aparelho ficam ligados o tempo todo comigo: dados da rede celular, Wi-Fi, Bluetooth, Windows Hello, brilho automático da tela e aplicativos em segundo plano, como Skype e Mensagens, Calendário, Outlook, MSN Notícias, Twitter, Disqus, MyTube e aplicativos de blogs especializados em tecnologia. A bateria é substituível.

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Figura 9 – Curtindo minhas músicas no Deezer usando o Microsoft Lumia 950 pra se conectar com a caixa de som portátil da Sony via Bluetooth.

A carga rápida da bateria esquenta o aparelho e por isso estranhei um pouco na primeira vez, mas depois que atinge cerca de 50% da carga em incríveis 30 minutos a temperatura abaixa e depois que atinge 100%, mesmo conectado, a temperatura cai para a normal de uso, ou seja, quase imperceptível. Considerando que na minha região a temperatura é bem elevada, considero aceitável, apenas estranhei a primeira vez.

Em relação a minha experiência com o Windows 10 Mobile ainda estou me acostumando com todos os seus recursos, em relação ao Windows Phone 8.1 que usava anteriormente com o Lumia 925. Muita coisa avançou e aproximou a experiência com o sistema em relação à versão para PC, notebooks e tablets, o que é muito legal, pois adoro a integração entre sistemas e a sensação de continuidade na usabilidade proporcionada.

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Figura 10 – Na sala ou no quarto, vejo minhas fotos diretamente na TV via rede Wi-Fi a partir do aplicativo Lumia Play To.

O sistema é fluido e sem travamentos, mas tenho sentido falta da integração dos eventos do Calendário marcados como “Busy” (ocupado) com o modo “Quiet Hours” da Cortana. Adorava usar este recurso no Windows Phone 8.1 para evitar o recebimento de chamadas e mensagens indesejadas em eventos específicos, como reuniões, palestras e eventos agendados marcados com o status de ocupado. Espero que nas futuras atualizações do Calendário este importante recurso retorne ao Windows 10 Mobile.

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Figura 11 – Ao ligar o veículo o sistema Sync do carro (também Microsoft) ativa o Bluetooth do Microsoft Lumia 950 automaticamente, permitindo os comandos de voz para ativar o telefone ou mesmo para ouvir músicas a partir do celular.

Ainda não tive a oportunidade de usar o Lumia 950 no modo Continuum, o que espero fazer posteriormente, quando relatarei aqui a experiência.

Minha avaliação final do produto? Espetacular! Realmente, top de linha nos recursos e também no acabamento. Que o Windows 10 Mobile atinja um novo patamar em recursos, usabilidade e integração com a versão de aniversário prevista para o início de agosto. Já estou ansioso pela atualização!

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Snowden ataca novamente: e desta vez o alvo é a Google

O sucesso do aplicativo de mensagens – que na verdade não é só de mensagens – WhatsApp acendeu o sinal de alerta na Google, que acaba de apresentar um concorrente aos produtos do Facebook (WhatsApp e Facebook Messenger) e também Telegram, demonstrando que a gigante também vacila e às vezes tem que correr atrás de outros produtos de sucesso – isso quando não consegue comprá-los. Pois bem, esse novo produto chama-se Allo, anunciado durante o evento Google I/O 2016.

Aplicativo de mensagens
Figura 1. Mensageiros digitais estão entre os aplicativos para smartphones mais utilizados na atualidade.

Usando sua velha tática de marketing, a Google apresenta um produto com “grandes diferenciais” no aspecto de inteligência artificial, com a justificativa de que o aplicativo “aprenderá mais com o uso e o passar do tempo”, e na análise de dados, para “conhecer melhor” seus usuários e oferecer sempre bons produtos e serviços. A Google gosta tanto de “inventar” pra se mostrar diferente, que até mesmo criou a expressão Expressions no aplicativo, uma espécie de solução própria para os conhecidos Emoticons e Stickers.

E o que o Snowden – o homem que revelou o escândalo global de espionagem e monitoramento mantido pela NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA) – tem a ver com isso?

É que o Snowden se autotransformou numa espécie de “protetor” e “defensor” dos frágeis usuários da Internet – quais serão os seus reais interesses, hein? – contra a invasão de suas privacidades, chegando ao ponto de publicar na sua conta oficial no Twitter a recomendação para que as pessoas não utilizem o novo aplicativo da Google, conforme imagem a seguir.

Post do Snowden no Twitter
Figura 2. Mensagem do Edward Snowden na sua conta do Twitter alertando contra o uso do novo aplicativo de mensagens digitais da Google devido a falta de segurança.

Como assim?!?!?

O principal motivo da recomendação do Snowden para não se usar o aplicativo é a ausência de criptografia ponta a ponta por padrão no serviço de mensagens da Google, tornando-o altamente perigoso e inseguro, devendo ser evitado. Pelo menos por enquanto.

Mas não é só o Snowden que defende que os usuários não utilizem o novo produto da Google. Especialistas em segurança alertam para o fato de as conversas e imagens trocadas pelo aplicativo serem “cuidadosamente” analisadas nos servidores da Google, com o objetivo de cada vez mais “aprender” sobre os hábitos dos usuários e, com isso, ofertar melhores produtos e serviços. Serão só estas as razões?

Na verdade, não é que o novo produto da Google não possua criptografia. Ele a possui tal qual o produto do Facebook, que utiliza o sistema Signal, da Open Whispers Systems, para proteger as conversas.

A questão alertada por Snowden e especialistas é que o aplicativo do Facebook usa criptografia de ponta a ponta em todas as comunicações, enquanto que no produto da Google o usuário deverá abrir uma janela de bate papo em modo específico, toda vez que desejar que a conversa seja criptografada. Ou seja, não é padrão no aplicativo, tornando-se mais trabalhoso para o usuário implementar no dia a dia, o que não deverá ser utilizado por muitos dos usuários, principalmente aqueles menos avisados.

A Google, como sempre, justifica o uso de dados sobre seus usuários – com a restrição da segurança e privacidade dos mesmos – com a necessidade de seus robôs lerem e interpretarem as mensagens trocadas entre os usuários para desempenhar suas funções “inteligentes”, uma vez que – com a criptografia – não seria possível realizar tal análise de conteúdo, fazendo com que o aplicativo não se tornasse interessante por não favorecer  qualquer retorno financeiro à Google, considerada a empresa mais valiosa do mundo pelo 6º ano, segundo a Forbes.

 

Na minha opinião…

Não devemos nos deixar enganar. Nem a Google e nem o Facebook são “anjinhos” que só pensam no bem estar de seus usuários. Ambas são gigantes empresariais da área de tecnologia nascidas na era da Internet, oferecendo produtos e soluções “gratuitas” aos seus usuários por um lado, mas que necessitam do retorno financeiro a partir desses produtos por outro lado. E de onde essas gigantes arrecadam esses recursos? Ora, da “venda” dos perfis de seus usuários aos seus clientes comerciais, do outro lado da nuvem. É por isso que, cada vez mais, elas precisam “conhecer melhor” seus usuários e seus hábitos. E fazem isso com maestria através de seus mais diversos algoritmos de inteligência artificial aplicado às suas soluções, sendo os aplicativos mensageiros a bola da vez.

Cabem aos usuários conhecimento, informação a respeito dos produtos e serviços utilizados e prudência quando da exposição de suas informações pessoais na grande nuvem que é a Internet.

Nem a Google, nem o Facebook – e demais empresas de tecnologia, como a Microsoft, a Apple, AOL, Yahoo, etc. – são bichos papões e nem devem ser encaradas como verdadeiros diabos do mundo digital, afinal de contas tudo é negócio: oferecem produtos gratuitos – que agradam os usuários – mas que deverão gerar recursos financeiros. Se você não paga pelo serviço de forma direta e consciente, vai pagar de forma indireta – e para muitos, também de forma inconsciente – não se iluda!

O importante não é radicalizar e parar de usar essas soluções por receio de violação de privacidade, mas sim usa-las com propósito e prudência, sabendo das vantagens e consequências, pois como qualquer negócio em que nos metemos, temos que analisar relação custo x benefício. Esta é a regra básica para viver de maneira consciente no mundo virtual.

Como parte do boicote da Google, seus produtos oficiais não são ofertados para a plataforma Windows Phone da Microsoft, o que pode frustrar alguns usuários de smartphones com o sistema Windows que desejarem utilizar o novo aplicativo.  Pra mim, no entanto, não faz qualquer diferença, uma vez que não sou usuário dos produtos de software da Google, não afetando em nada a minha vida pessoal e nem profissional.