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Vamos tocar o Sol

Estamos, sem dúvida, vivendo a era de ouro da exploração espacial. Poderosos equipamentos – em terra e no espaço – descobrem novos mundos em outros sistemas estelares num ritmo nunca antes observado. É como se tivéssemos descoberto o caminho das pedras. Mas não são apenas sistemas estelares distantes que atraem a nossa atenção.

A data de 12 de agosto de 2018 ficará marcada na história da exploração espacial, pois nesta data a NASA – Agência Espacial Americana – lançou a primeira missão exploratória da humanidade a uma estrela. A nossa estrela: o Sol.

Não é de hoje que as agências espaciais de todo o planeta estudam a nossa estrela, mas hoje a história é diferente. Estamos enviando a primeira sonda projetada exclusivamente para estudar a atmosfera de nossa estrela, ou seja, estamos enviando a Parker Solar Probe numa missão para tocar o Sol, numa região nunca antes atingida.

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Figura 1. Sonda Parker Solar Probe e sua missão para tocar o Sol.

A histórica missão da Parker Solar Probe revolucionará nossa compreensão do Sol e, consequentemente, das estrelas e dos mundos que as orbitam, na medida em que será o primeiro artefato produzido pelo homem a chegar tão próximo de uma estrela, enfrentando as brutais condições de calor e radiação.

Muita ciência e tecnologia embarcada

É de se imaginar que para a Parker Solar Probe “tocar” o Sol muita tecnologia foi desenvolvida para proteger os instrumentos num ambiente tão hostil.

Os dois principais problemas são o calor e a radiação. Embora na corona solar a temperatura beire os milhões de graus Celsius, a transferência de calor é bem menor que isso – mesmo ainda sendo altíssima para qualquer instrumento científico – devido a baixa densidade de partículas no espaço. Segundo os cientistas da NASA, o calor que atingirá a sonda será da ordem de absurdos 1.400º C.

Por essa razão, a Parker Solar Probe é protegida por um escudo de calor de 2,4 metros de diâmetro e com 115 mm de espessura, construído com placas compostas de carbono e pintado de branco com tinta cerâmica que refletirá a maior parte do calor incidente. Além disso, foram instalados radiadores com fluido resfriador, fazendo com que na parte de trás do escudo – onde ficam protegidos os instrumentos da sonda – a temperatura se mantenha em torno de suportáveis 30º C, viabilizando o funcionamento dos instrumentos científicos.

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Figura 2. Aspecto do escudo de calor da sonda Parker Solar Probe.

Mas nem todos os instrumentos da Parker Solar Probe ficarão escondidos atrás do escudo de calor, afinal uma das tarefas da missão será a coleta de partículas do Sol e esse instrumento coletor será um dos poucos a ficarem expostos ao calor extremo de nossa estrela. Construído com folhas de Titânio, Zircônio, Nióbio e Molibdênio, o instrumento coletor foi projetado para suportar calor de até 2.350º C. Os grids que produzirão o campo elétrico do instrumento são feitos de Tungstênio, resistindo a 3.420º C.

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Figura 3. O instrumento, que coletará partículas do Sol, da Parker Solar Probe suportará calor extremo, acima de 2.000º C.

A energia da sonda será captada por painéis solares, que serão usados quando a sonda estiver nos pontos mais distantes do sol em sua órbita. Perto do Sol os painéis serão recolhidos para se protegerem da alta temperatura atrás do escudo de calor. 

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Figura 4. Aspecto dos instrumentos radiadores de calor da Parker Solar Probe.

Além de todos os recursos utilizados para a proteção contra o calor e radiação, a sonda Parker Solar Probe também se destaca por ser uma nave autônoma.

Equipada com sensores que chegam à metade do tamanho de um aparelho celular, a nave terá autonomia na decisão de manobra, agindo por conta própria a partir do momento que deixar a órbita da Terra, realizando os procedimentos necessários para se manter sempre na posição correta em relação ao Sol, ou seja, mantendo o escudo protetor sempre apontado para o Sol, garantindo o seu funcionamento.

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Figura 5. Aspecto geral da sonda Parker Solar Probe.

A necessidade de autonomia ocorre devido a distância que a nave atingirá quando estiver no Sol – 8 minutos-luz – que inviabilizaria qualquer comando de controle a partir da Terra. O tempo de 8 minutos para receber um sinal de status da nave e mais 8 minutos para enviar um comando de manobra é demais para corrigir um posicionamento errado da nave a partir do centro de controle da NASA aqui na Terra.

A viagem até o Sol

A sonda Parker Solar Probe foi enviada ao espaço a bordo do poderoso foguete Delta IV, um veículo lançador de cargas simples ou múltiplas.

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Figura 6. Foguete Delta IV que levou a Parker Solar Probe rumo ao Sol.

Já no espaço, em sua órbita ao redor do Sol, a Parker Solar Probe usará a gravidade do planeta Vênus durante sete sobrevoos, durante cerca de sete anos (tempo da missão), para levar gradualmente sua órbita cada vez mais próxima do Sol.

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Figura 7. Aspecto da órbita da Parker Solar Probe, que usará a gravidade do planeta Vênus em sobrevoos para cada vez mais se aproximar do Sol.

Em seu ponto mais próximo da superfície, a nave vai voar através da atmosfera do Sol a cerca de 6 milhões de km e com uma velocidade da ordem de 700 mil km por hora, bem dentro da órbita do planeta Mercúrio e mais do que sete vezes mais perto do que qualquer nave espacial chegou antes. Lembrando que a distância média da Terra ao Sol é de 150 milhões de km.

Voando na parte mais externa da atmosfera do Sol, conhecida como Corona, pela primeira vez, a Parker Solar Probe vai empregar uma combinação de medições e de imagens para revolucionar nossa compreensão da Corona e expandir o nosso conhecimento da origem e evolução do vento solar, além de contribuir para nossa capacidade de previsão de alterações no ambiente do espaço da Terra que afetam a vida e a tecnologia em nosso planeta.

A ciência do Sol

Os objetivos primários da missão serão rastrear como a energia e o calor percorrem a corona solar e explorar o  vento solar, bem como as partículas energéticas solares. Os cientistas têm buscado essas respostas por mais de 60 anos, mas a investigação exigia o envio de uma sonda através da região de calor de 1.370º C da Corona.  Hoje, isso é finalmente possível com os avanços da engenharia térmica de ponta que podem proteger a missão na sua jornada perigosa. A sonda Parker Solar Probe carrega quatro suítes de instrumentos destinadas ao estudo de campos magnéticos, plasma e partículas energéticas, além do vento solar.

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Figura 8. Aspecto da Corona Solar, por onde passará a Parker Solar Probe.

Por que estudar o Sol e o vento solar?

  • O Sol é a única estrela que podemos alcançar. Ao estudar o Sol, aprendemos mais sobre estrelas em todo o universo.
  • O Sol é uma fonte de luz e calor para a vida na terra. Quanto mais soubermos sobre isso, mais podemos compreender como se desenvolveu a vida na Terra.
  • O Sol também afeta a Terra em formas menos familiares. É a fonte do vento solar; um fluxo de gases ionizados que passam pela Terra a velocidades de mais de 500 km por segundo.
  • Distúrbios no vento solar sacudem o campo magnético da Terra e sua energia provoca alterações no espaço perto da Terra, conhecido como tempo espacial.
  • Tempo espacial pode mudar as órbitas dos satélites, encurtar suas vidas ou interferir com a eletrônica embarcada. Quanto mais aprendemos sobre o que causa o espaço tempo – e como prever isso – mais podemos proteger os satélites, que tanto dependemos para manter o nosso estilo de vida moderna.
  • O vento solar também preenche grande parte do sistema solar, dominando o ambiente espacial distante. Como pretendemos enviar naves espaciais e astronautas mais longe da Terra, temos que entender este ambiente espacial.

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Figura 9. O Sol, a Corona Solar e o Vento Solar.

Estudar o Sol é fundamental para o futuro da exploração espacial humana em nosso próprio sistema solar e para o desenvolvimento de novas tecnologias que nos farão construir equipamentos e sondas espaciais cada vez mais adequados ao ambiente hostil do espaço.

Sem dúvida, mais um grande passo da humanidade na busca incansável pelo conhecimento espacial que nos dê a confiança para o próximo e importante salto: a viagem humana ao planeta Marte.

Fotos: NASA e Internet.


Você sabia?

Molibdênio é um metal de transição muito utilizado na fabricação de ligas metálicas de alta resistência mecânica e corrosiva.
Zircônio é um metal de transição, tendo como uma de suas propriedades mais importantes o seu ponto de fusão, que é acima de 2500ºC. Por isso, esse metal é aplicado no interior de reatores de fusão nuclear, suportando as elevadíssimas temperaturas.
Nióbio é um metal de transição, comumente utilizado em ligas metálicas com o ferro, o aço, com o zircônio e essas ligas são utilizadas na fabricação de estruturas, soldas, gasodutos, superligas para fabricação de motores a jato em virtude da resistência a corrosão, altas temperaturas, e como supercondutor em meio criogênico.

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Pálidos pontos, por um CubeSat

Em 14 de fevereiro de 1990 uma imagem, aparentemente comum, impressionou um dos mais famosos astrônomos da nossa era, Carl Sagan. Foi o registro do nosso Planeta Terra, ocupando apenas 1 pixel da imagem, realizado pela sonda Voyager 1 à incrível distância de 40,5 AU, o qual ele chamou de “pálido ponto azul”, alertando-nos para a necessidade de protegermos o nosso planeta.

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Figura 1. Um pálido ponto azul: nosso Planeta Terra, registrado pela sonda Voyager 1 a mais de 6 bilhões de quilômetros de distância.

O tempo passou, a tecnologia espacial avançou e hoje temos “naves” – ou melhor dizendo, satélites – de tamanhos bastante reduzidos – iguais a uma caixa de presentes. São os chamados CubeSat, acrônimo das palavras em Inglês: Cube e Satellite – Cubo e Satélite.

Os CubeSat são um tipo de satélite miniaturizado usado para pesquisas espaciais e comunicações radioamadoras. Os CubeSats normalmente possuem volume de 1 litro (um cubo de 10 cm) e massa de até 1,33 kg. O interessante é que, normalmente, esse tipo de satélite usa componentes eletrônicos “de prateleira”.

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Figura 2. Aspecto de um CubeSat. Uma caixinha de 10 cm de lado, cheia de componentes eletrônicos simples que são lançados em órbita baixa da Terra – abaixo dos 800 km de altitude – para fazer experiências mais simples e com um custo bem inferior em relação aos satélites tradicionais.

 

A Grande Surpresa dos CubeSats na Missão InSight da NASA

A InSight é uma missão do programa do Discovery da NASA para exploração interior do Planeta Marte, usando investigações sísmicas, geodésia e transporte de calor, que irá colocar um único módulo geofísico em Marte para estudar seu interior profundo. Tratarei desse assunto em outro post, no futuro.

Lançada no dia 5 de maio de 2018, com previsão de chegada ao Planeta Vermelho em 26 de novembro de 2018, levou “de carona” em seu veículo lançador alguns CubeSats para diversos tipos de experiências e entre as quais, testar o quão distantes os CubeSats poderiam suportar o recebimento de comandos a partir do nosso planeta.

O resultado: A NASA estabeleceu um novo recorde de distância para CubeSats em 8 de maio, quando um par de CubeSats chamado Mars Cube One (MarCO) alcançou a distância de 1 milhão de quilômetros da Terra. Um do CubeSats, chamado MarCO-B, usando uma câmera com lentes do tipo “olho de peixe”, tirou sua primeira foto no dia 9 de maio de 2018. Essa foto é parte do processo usado pela equipe de engenharia para confirmar a que antena de alto ganho da nave se desdobrou corretamente. Como um bônus, capturaram a Terra e sua Lua como pequenas partículas flutuando no espaço, lembrando o feito da Voyager 1, 28 anos atrás.

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Figura 3. Pálidos pontos flutuantes no Espaço. Nosso lar, o Planeta Terra, e o único lugar do Universo onde o Homem já pisou além de seu planeta natal.

Vendo essas imagens não há como não lembrar da emocionante reflexão de Carl Sagan durante uma palestra pública na Universidade Cornell em 1994, quando apresentou a imagem da Voyager 1 sobre o profundo significado atrás da ideia do “pálido ponto azul”.

Olhem de novo esse ponto. É aqui, é a nossa casa, somos nós. Nele, todos a quem ama, todos a quem conhece, qualquer um sobre quem você ouviu falar, cada ser humano que já existiu, viveram as suas vidas. O conjunto da nossa alegria e nosso sofrimento, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas confiantes, cada caçador e coletor, cada herói e covarde, cada criador e destruidor da civilização, cada rei e camponês, cada jovem casal de namorados, cada mãe e pai, criança cheia de esperança, inventor e explorador, cada professor de ética, cada político corrupto, cada “superestrela”, cada “líder supremo”, cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu ali – em um grão de pó suspenso num raio de sol.

A Terra é um cenário muito pequeno numa vasta arena cósmica. Pense nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, na sua glória e triunfo, pudessem ser senhores momentâneos de uma fração de um ponto. Pense nas crueldades sem fim infligidas pelos moradores de um canto deste pixel aos praticamente indistinguíveis moradores de algum outro canto, quão frequentes seus desentendimentos, quão ávidos de matar uns aos outros, quão veementes os seus ódios.

As nossas posturas, a nossa suposta auto importância, a ilusão de termos qualquer posição de privilégio no Universo, são desafiadas por este pontinho de luz pálida. O nosso planeta é um grão solitário na imensa escuridão cósmica que nos cerca. Na nossa obscuridade, em toda esta vastidão, não há indícios de que vá chegar ajuda de outro lugar para nos salvar de nós próprios.

A Terra é o único mundo conhecido, até hoje, que abriga vida. Não há outro lugar, pelo menos no futuro próximo, para onde a nossa espécie possa emigrar. Visitar, sim. Assentar-se, ainda não. Gostemos ou não, a Terra é onde temos de ficar por enquanto.

Já foi dito que astronomia é uma experiência de humildade e criadora de caráter. Não há, talvez, melhor demonstração da tola presunção humana do que esta imagem distante do nosso minúsculo mundo. Para mim, destaca a nossa responsabilidade de sermos mais amáveis uns com os outros, e para preservarmos e protegermos o “pálido ponto azul”, o único lar que conhecemos até hoje.

—Carl Sagan

 

Nota do autor

Em astronomia, a Unidade Astronômica (abreviada como AU, por recomendação da União Astronômica Internacional) é uma unidade de distância, aproximadamente igual à distância média entre a Terra e o Sol. É bastante utilizada para descrever a órbita dos planetas e de outros corpos celestes no âmbito da astronomia planetária. Em 2012, a União Astronômica Internacional definiu um valor constante e padrão para a UA, até então considerada como aproximadamente 150 milhões de km. O valor da constante é AU = 149 597 870 700 m.

O Krack e a vulnerabilidade das redes Wi-Fi

Analistas de segurança alertam que uma série de vulnerabilidades descobertas no padrão Wi-Fi (rede sem fio), denominada KRACK, deixa expostos milhões de usuários no mundo todo.

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Figura 1. Vulnerabilidade em redes Wi-Fi deixam milhões de usuários expostos.

A falha está presente nas criptografias WPA e WPA2, bastante utilizadas em roteadores Wi-Fi para disponibilizar acesso à Internet sem fio em nossas casas, no trabalho, shoppings, aeroportos etc. Em resumo: as conexões de acesso à Internet sem fio, que pensávamos estar protegidas, na verdade podem estar perigosamente expostas, conforme revela a Equipe de Preparação para Emergência de Computadores dos Estados Unidos (US-CERT):

“O impacto da exploração dessas vulnerabilidades inclui decodificação, repetição de pacotes, sequestro de conexão TCP, injeção de conteúdo HTTP entre outros.”

A vulnerabilidade exige que um dispositivo esteja no alcance de um invasor mal-intencionado.

 

Microsoft sai na frente

Em uma declaração ao The Verge, a Microsoft afirmou que qualquer pessoa que aplique as atualizações do Windows manualmente ou que mantenha o Windows pronto para aplicar as atualizações automáticas deve estar protegida:

“Nós lançamos uma atualização de segurança para resolver esse problema no dia 10 de outubro, dentro do ciclo mensal de atualizações regulares do Patch Tuesday da empresa. Os clientes que aplicaram a atualização ou que mantém ativada a opção para atualizações automáticas estão protegidos.”

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Figura 2. Microsoft já disponibilizou atualização de segurança.

 

As demais plataformas

O problema é maior para usuários da plataforma Linux e Android (cerca de 41% dos dispositivos que usam esta plataforma estão perigosamente vulneráveis), pois esses dispositivos – em especial os que usam o Android 6 ou posterior – contém uma vulnerabilidade que torna trivial a interceptação e manipulação de tráfego de rede Wi-Fi, segundo os especialistas de segurança. Contatada, a Google admite a falha em seu sistema e espera encontrar e disponibilizar uma correção nas próximas semanas.

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Figura 3. Dispositivos que usam o sistema Android, da Google, são os mais afetados.

Como a vulnerabilidade permite que alguns ataques funcionem contra todas as redes Wi-Fi que usam criptografias WPA ou WPA2, mostrando que a fraqueza está no padrão Wi-Fi, dispositivos da Apple (iPhones, iPads e MacOS) também podem estar sujeitos. A Apple ainda não se manifestou a respeito.

 

As recomendações

Se você é usuário Windows 10 (PC ou celular), basta manter o sistema configurado para atualizações automáticas e pronto!  Se ainda utiliza versões antigas do Windows, trate de migrar para o Windows 10, que é a versão mais atual e a mais segura do Windows.

Se você é usuário de dispositivos iOS e Android, evite o uso de redes Wi-Fi, dando preferência a usar a conexão 4G ou 3G de seu pacote de dados, até que seus sistemas sejam corrigidos.

Em ambos os casos, procure atualizar o firmware de seus dispositivos de rede, como roteadores, por exemplo.

A Wi-Fi Alliance, organização que certifica padrões de dispositivos de conexão sem fio, já foi alertada e prepara uma série de ações para corrigir tais vulnerabilidades juntos aos fabricantes de dispositivos.

 

Com informações de Windows Central, WindowsTeam e TecMundo.

O “Grand Finale” da Cassini

Duas décadas no espaço. Este foi o tempo de vida da sonda Cassini, da NASA, que termina sua missão em 15 de setembro de 2017 com um mergulho suicida na densa atmosfera de Saturno até ser esmagada pela alta pressão atmosférica do segundo maior planeta do sistema solar.

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Figura 1. Sonda espacial Cassini, lançada há 20 anos e que há 13 anos explora o sistema de Saturno.

A Cassini cumpriu sua missão prioritária com sucesso e depois, aproveitando-se de seu vigor tecnológico, cumpriu mais uma missão secundária de sete anos com o objetivo de observar as mudanças sazonais no próprio planeta Saturno e numa de suas principais luas, Titã.

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Figura 2. Concepção artística da sonda Cassini sobrevoando Titã, uma das grandes luas de Saturno.

Em abril de 2017, após gastar todo o propulsor da nave, como ato final, a NASA colocou a sonda numa espécie de mergulho programado contra a superfície do planeta que durou cinco meses, totalizando uma série de 22 órbitas chamada de “Grand Finale”. Em cada órbita a passagem pelos anéis do planeta deu à missão incomparáveis observações do planeta e seus anéis como nunca se havia conseguido e em seu último mergulho, no dia 15 de setembro, a nave enviará dados científicos das camadas da atmosfera de Saturno até enquanto suportar a pressão e seus propulsores puderem manter a antena da nave aportada para a Terra. Na sequência a nave queimará e se desintegrará como um meteoro, não deixando qualquer marca de sua passagem pelo sistema de Saturno.

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Figura 3. Imagem real de Saturno feita pela sonda Cassini em sua chegada ao planeta em 2004.

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Figura 4. Imagem real de Enceladus, uma das grandes luas de Saturno, feita pela Cassini, onde se vê claramente vapores de água sendo lançados ao espaço a partir da lua a partir de suas atividades hidrotermais.

Lançada em 15 de outubro de 1997 e chegando a Saturno em 30 de junho de 2004, sua missão principal de quatro anos foi cumprida com sucesso, tendo depois sua turnê prorrogada por mais duas vezes. Suas principais descobertas incluem um oceano global com claras indicações de atividade hidrotermal em Enceladus, além de mares de metano líquido em Titã, luas de Saturno.

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Figura 5. Time de técnicos e cientistas da Cassini, na NASA, despedindo-se de uma missão de sucesso de 20 anos.

Cassini passou 13 anos em órbita de Saturno, após uma viagem de sete anos da Terra. Após tanto tempo assim a nave começou a ficar sem combustível, necessário para que sejam feitos os ajustes de curso. Neste tempo, duas grandes luas de Saturno chamaram a atenção dos cientistas da NASA pela alta probabilidade que as mesmas oferecem de abrigar alguma espécie de atividade biológica. Assim, a fim de evitar a improvável possibilidade de a Cassini colidir com uma dessas luas, a NASA optou por descartar com segurança a espaçonave na atmosfera de Saturno. Isto garantirá que a Cassini não possa contaminar qualquer futuro estudo de habitabilidade e vida potencial nessas luas.

Com o fim de mais uma missão de sucesso da NASA, a humanidade dá mais um passo importante na busca do conhecimento de nosso sistema solar e de mundos que possam, de alguma forma, abrigar condições de vida que possam ser melhor explorados no futuro.  Parabéns para essa grande agência de pesquisa espacial que tanto orgulha todo o planeta, independente de nacionalidade.

Um pequeno e pálido Ponto Azul

Após 19 anos no espaço, a sonda Cassini – da NASA – está em sua última missão na órbita de Saturno, começando, em 26/4/2017, uma série de manobras que a levarão mais próxima do planeta, oportunidade em que explorará seus anéis.

No dia 22/4/2017 Cassini passou pela última lua de Saturno e atingiu a gravidade do planeta, para encerrar sua missão com a execução de 22 órbitas, sendo a última programada para o dia 15 de setembro de 2017, quando deve ser destruída, voando diretamente para a atmosfera de Saturno. Enquanto a sonda sobreviver à gravidade – que será maior a cada órbita – aproveitará para tirar fotos e fazer medições sobre a composição dos anéis de Saturno.

A nave sobreviveu à primeira investida aos anéis e, na oportunidade, registrou uma imagem simplesmente incrível: um pequeno e pálido ponto azul, fielmente acompanhado por outro menor, mais embranquecido. A Terra – nosso lar – e a Lua, distantes mais de 1,2 bilhões de quilômetros.

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Figura 1 – Foto realizada pela sonda Cassini entre os anéis do planeta Saturno no início de sua jornada final, que se encerrará em setembro de 2017. Os pequenos pontos na escuridão são o nosso planeta Terra e a nossa Lua.

Vendo essa imagem, não tem como a gente não parar para pensar a respeito e, assim fazendo, não tem como não se lembrar do que disse o grande astrônomo e cientista Carl Sagan (9/11/1934—20/12/1996), quando, em 14/2/1990, viu uma foto da Terra tirada pela sonda Voyager 1 de uma distância de 6 bilhões de quilômetros da Terra, com uma resolução bastante inferior a esta da Cassini:

“Considere novamente esse ponto. É aqui. É nosso lar. Somos nós. Nele, todos que você ama, todos que você conhece, todos de quem você já ouviu falar, todo ser humano que já existiu, viveram suas vidas. A totalidade de nossas alegrias e sofrimentos, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas, cada caçador e saqueador, cada herói e covarde, cada criador e destruidor da civilização, cada rei e plebeu, cada casal apaixonado, cada mãe e pai, cada criança esperançosa, inventores e exploradores, cada educador, cada político corrupto, cada ‘superstar’, cada ‘líder supremo’, cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu ali, em um grão de poeira suspenso em um raio de sol”.

Para refletirmos.

Soluções Microsoft x Software Livre: O TCO venceu

A partir de 11 de novembro de 2016, os software e serviços da Microsoft substituirão o programa de “software livre” que nunca vingou, desde sua implantação imposta pelo governo em 2003.

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Figura 1. Produtos Microsoft voltarão a ser utilizados pelo governo brasileiro.

Sendo assim, os órgãos integrantes do SISP – Sistema de Administração dos Recursos de Tecnologia da Informação – deverão encaminhar manifestação de interesse em adquirir diversas soluções da Microsoft, que pode incluir produtos como: Microsoft Office (Word, Excel, PowerPoint etc.), Windows Professional, Windows Server e Client Access Licence, por meio de licenças perpétuas e subscrições, para atendimento das demandas dos órgãos participantes.

Durante mais de uma década a aquisição de produtos de software da Microsoft foi vista pelo governo brasileiro como um “símbolo de gastança”, mas a verdade que que o “software livre” nunca significou “gratuidade” e – no final das contas – o Custo Total de Propriedade – TCO (Total Cost of Ownership) comprovou que usar soluções baseadas em código aberto não é – e nem nunca foi – sinônimo de menor custo.

A política de adoção de “software livre” no governo sempre foi controversa, pois nunca foi adotada por organismos poderosos como Receita Federal e Banco Central, além dos bancos oficiais. Até mesmo o Ministério do Planejamento, desde o ano passado, já desobedecia a política da STI (Secretaria de Tecnologia da Informação) em prol do uso de “software livre”, quando comprou soluções e serviços da Microsoft.

Recentemente a Microsoft anunciou a escolha e a criação em Brasília do seu “Centro de Transparência”, que tem por finalidade a segurança cibernética e a troca de informações com governos da América Latina sobre a origem de ataques virtuais.

Fonte da informação: Convergência Digital

Pointing up Explicando: O TCO (Custo Total de Propriedade, tradução de Total Cost of Ownership) é um sistema de cálculo destinado à avaliação da relação custo x benefícios relacionados à compra de componentes para a gestão de TI (Tecnologia da Informação). O conceito foi inicialmente desenvolvido pelo Gartner Group, sendo que hoje existem diversas variantes que oferecem maior o menor sofisticação. O objetivo deste cálculo é a obtenção de um número que contemple todos os custos envolvidos ao longo do ciclo de vida de uma solução de TI.

Por exemplo: Uma solução de “software livre” é interpretada erroneamente – por muita gente do ramo de TI, inclusive – como algo que implica na redução de custos em detrimento o uso de soluções proprietárias, como os produtos da Microsoft.  Acontece que o uso de solução baseada em “software livre” exige o custo extra de profissionais qualificados para o desenvolvimento, suporte e manutenção das soluções, entre outras variáveis, o que é comprovadamente menos eficiente na relação custo x benefício final.

Microsoft Lumia 950 com Windows 10 Mobile: primeiras impressões

Neste artigo vou relatar minha análise inicial do novo smartphone top de linha da Microsoft, o Lumia 950, criado para ser o smartphone mais produtivo e que trabalha como um PC através do exclusivo Modo Continuum do Windows 10 Mobile.

Primeiramente a aquisição do produto no exterior me fez esperar – ansiosamente – por 30 dias. Essa foi a parte que eu não gostei. Pois é… Apesar do site da Microsoft Brasil anunciar que o produto chegará ao nosso país, até agora só temos um aviso de “em breve” e nada mais. Não teve outro jeito: tive que importar o produto! Ainda há dúvidas se este produto realmente será comercializado por aqui – espero que sim. Atualmente as condições econômicas de nosso país não estão nada favoráveis, infelizmente. Mas, com a Internet e os serviços de compras internacionais dá pra escapar.

Com o produto em mãos pude constatar sua qualidade, até então apenas “sentida” em fotos e vídeos pela Internet e opinião de terceiros. O que dizer do produto então?

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Figura 1 – Microsoft Lumia 950 usando Windows 10 Mobile.

Bom, se o Sistema Operacional Windows 10 Mobile já roda muito bem em aparelhos com 1 GB de RAM, imagina neste aparelho que possui 3 GB de RAM e 32 GB de espaço para armazenamento interno, sem contar na possibilidade de uso de cartão de memória de 200 GB. A fluidez do sistema é total, aliado ao seu poderoso processador de seis núcleos a 1800 MHz!

Seu display é um show a parte em qualidade gráfica – com absurdos 564 dpi – brilho e contraste de cor, o que permite uma perfeita visibilidade mesmo em ambiente de intensa luz solar, além de fácil limpeza e amplo ângulo de visão, possui a proteção Gorilla Glass 3. O melhor display que já vi até agora num smartphone! Possui tecnologia AMOLED, ClearBlack, com controle automático de brilho e tela capacitiva multiponto ultrassensível.

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Figura 2 – Aspecto geral do display do Microsoft Lumia 950 e interface do Windows 10 Mobile.

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Figura 3 – Aspecto da interface “Todos os aplicativos” do Windows 10 Mobile no Microsoft Lumia 950.

O acabamento do produto é muito bom, os botões laterais dão um charme a mais ao produto. A capa traseira, que pode ser facilmente trocada, também possui um aspecto visual muito bom, além de ótima pegada. O aparelho é bastante leve e fino para um aparelho com 5,2 polegadas de tela, pesando apenas 150 gramas. Gostei bastante da pegada e do peso do aparelho. Pra quem só viu o produto em fotos e vídeos eu afirmo: o produto é realmente top.

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Figura 4 – Aspecto dos botões laterais do Microsoft Lumia 950.

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Figura 5 – O Microsoft Lumia 950 possui uma tela de 5.2” e boa pegada.

O aparelho possui um sistema de reconhecimento de íris para identificação do usuário – o Windows Hello – que tenho usado bastante – até já me viciei, deixando de usar o teclado para a senha de acesso – e que tem funcionado melhor do que eu esperava, uma vez que uso óculos de grau e durante o “cadastro” da íris o sistema recomendou a retirada dos óculos – que logicamente não obedeci – mas mesmo assim o funciona satisfatoriamente, inclusive em ambiente sem luz! Quando, por algum motivo – que pode ser distância ou alinhamento – o Windows Hello não reconhece a íris, o teclado é habilitado para a inserção manual da senha de acesso. Mas, como citei, tenho usado pouco a inserção manual – geralmente após o aparelho ser reiniciado há a necessidade de informação do PIN manualmente – pois já me acostumei com a facilidade do Windows Hello.

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Figura 6 – O reconhecimento de íris do Microsoft Lumia 950 em ação.

O que senti falta no aparelho – em relação ao meu Lumia 925 anterior com Windows Phone 8.1 – foi o recurso de duplo toque na tela para ativar o desbloqueio. Aliado ao Windows Hello este recurso seria muito mais prático do que pressionar o botão lateral do aparelho. Também tenho estranhando a ausência de outro recurso que eu usava – e gostava – bastante: virar o aparelho para silenciar uma chamada que não desejava atender. Espero que uma atualização futura do firmware possa trazer estes recursos ao aparelho.

Falando um pouco das câmeras, as mesmas são um show à parte! A traseira, com 20 megapixels, lentes Zeiss e tecnologia PureView possui abertura f/1.9, distância focal de 26 mm e sensor retroiluminado com 1/6.1 cm de tamanho e sistema de flash natural, com três leds. O sistema de foco pode ser manual ou automático e permite focalizar um objeto com até 10 cm de distância. É simplesmente espetacular!

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Figura 7 – Aspecto traseiro do Microsoft Lumia 950 e o detalhe de sua câmera PureView com lestes Zeiss e sensor de 20 megapixels com flash triplo led natural.

A qualidade das imagens é simplesmente incrível. As fotos podem ser salvas em formato JPG e também RAW (DNG), o que adorei, pois como sou amante da fotografia, adoro fotos com a alta qualidade que só um arquivo RAW pode proporcionar. Em termos de gravação de vídeo, aí é imbatível: filma em 4K e 30 fps, com estabilização óptica e quatro microfones. Com certeza o Lumia 950 se tornará minha nova câmera para o registro fotográfico do cotidiano.

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Figura 8 – Exemplo de uma foto do tipo JPG tirada com o Microsoft Lumia 950 durante o anoitecer.

A câmera frontal também dá um show. Com resolução Full HD para gravação de vídeo, tem 5 megapixels de resolução para fotos, com lente grande-angular e abertura f/2.4. Não é qualquer câmera fotográfica de bolso que possui essa abertura de lente não!

E os sensores? Bom, o Lumia 950 possui barômetro, giroscópio, SensorCore, acelerômetro, magnetômetro, sensor de proximidade e sensor de luz ambiente. Tá bom pra você? Pra mim tá ótimo!

Quanto a usabilidade, sua bateria de 2900 mAh segura bem o dia. E olha que todos os recursos do aparelho ficam ligados o tempo todo comigo: dados da rede celular, Wi-Fi, Bluetooth, Windows Hello, brilho automático da tela e aplicativos em segundo plano, como Skype e Mensagens, Calendário, Outlook, MSN Notícias, Twitter, Disqus, MyTube e aplicativos de blogs especializados em tecnologia. A bateria é substituível.

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Figura 9 – Curtindo minhas músicas no Deezer usando o Microsoft Lumia 950 pra se conectar com a caixa de som portátil da Sony via Bluetooth.

A carga rápida da bateria esquenta o aparelho e por isso estranhei um pouco na primeira vez, mas depois que atinge cerca de 50% da carga em incríveis 30 minutos a temperatura abaixa e depois que atinge 100%, mesmo conectado, a temperatura cai para a normal de uso, ou seja, quase imperceptível. Considerando que na minha região a temperatura é bem elevada, considero aceitável, apenas estranhei a primeira vez.

Em relação a minha experiência com o Windows 10 Mobile ainda estou me acostumando com todos os seus recursos, em relação ao Windows Phone 8.1 que usava anteriormente com o Lumia 925. Muita coisa avançou e aproximou a experiência com o sistema em relação à versão para PC, notebooks e tablets, o que é muito legal, pois adoro a integração entre sistemas e a sensação de continuidade na usabilidade proporcionada.

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Figura 10 – Na sala ou no quarto, vejo minhas fotos diretamente na TV via rede Wi-Fi a partir do aplicativo Lumia Play To.

O sistema é fluido e sem travamentos, mas tenho sentido falta da integração dos eventos do Calendário marcados como “Busy” (ocupado) com o modo “Quiet Hours” da Cortana. Adorava usar este recurso no Windows Phone 8.1 para evitar o recebimento de chamadas e mensagens indesejadas em eventos específicos, como reuniões, palestras e eventos agendados marcados com o status de ocupado. Espero que nas futuras atualizações do Calendário este importante recurso retorne ao Windows 10 Mobile.

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Figura 11 – Ao ligar o veículo o sistema Sync do carro (também Microsoft) ativa o Bluetooth do Microsoft Lumia 950 automaticamente, permitindo os comandos de voz para ativar o telefone ou mesmo para ouvir músicas a partir do celular.

Ainda não tive a oportunidade de usar o Lumia 950 no modo Continuum, o que espero fazer posteriormente, quando relatarei aqui a experiência.

Minha avaliação final do produto? Espetacular! Realmente, top de linha nos recursos e também no acabamento. Que o Windows 10 Mobile atinja um novo patamar em recursos, usabilidade e integração com a versão de aniversário prevista para o início de agosto. Já estou ansioso pela atualização!