Projeto da Microsoft revela: Trabalhar Menos = Maior Produtividade

Como defensor da redução da jornada de trabalho em prol de uma melhor qualidade de vida e aumento da produtividade, cada vez mais me convenço da necessidade urgente das empresas e governos passarem a pensar como agentes do Século XXI, em vez de agentes do Século XIX durante a Revolução Industrial, afinal de contas já são quase 200 anos de progresso tecnológico e intelectual.  Devíamos viver melhor no século atual; ao contrário, vivemos num mundo doente.

Em 1817, Robert Owen difundiu a ideia que a qualidade do trabalho de um trabalhador tem uma relação diretamente proporcional com a qualidade de vida do mesmo e para qualificar a produção de cada trabalhador, é indispensável fornecer melhorias nas áreas de salários, habitação, higiene e educação, proibir o trabalho infantil e determinar uma quantidade máxima de horas de trabalho. Na época ele formulou o objetivo do dia de oito horas e cunhou o lema de oito horas de trabalho, oito horas para viver e oito horas de descanso. Mas isso foi há 200 anos! Nos dias de hoje essa proporção tem que ser revista o mais breve possível, para o bem de todos: empresas e empregados.

work-2
Figura 1. Trabalhadores durante a Revolução Industrial “conquistaram” o direito a 8 horas de trabalho. As empresas exigiam até 10,5 horas de trabalho diário. Isso foi há 200 anos e até hoje o modelo de 8 horas é defendido.

Se considerarmos que das 24 horas de um dia 1/3 do tempo passamos dormindo e outro 1/3 passamos no trabalho – isso sem considerarmos que nas cidades grandes já não se consegue mais as “duas horas” para almoço, acabamos por consumir 10 horas do dia entre o início do trabalho e o horário da saída. Se levarmos em consideração o tempo – e $$$ – que gastamos no trajeto casa-trabalho e depois trabalho-casa, vamos colocar mais 1 ou 2 horas nas cidades médias e até cerca de 4 horas nas grandes cidades. Isso só pra mostrar que a relação 8 x 8 x 8 defendida por Robert Owen há 200 anos não mais se aplica atualmente.

Com tudo isso quem não se sente, nos dias de hoje, estressado? Mas como não se sentir? Que tempo temos para nós mesmos? Vivemos então apenas para o trabalho? Sério? Mesmo no Século XXI?


Uma luz no fim do túnel

As grandes corporações começam a dar sinal de que algo precisa mudar nessa relação. E algumas já estão atuando neste aspecto, enquanto outras estão “experimentando”. Até mesmo algumas cidades já estão pensando melhor na qualidade de vida de seus cidadãos.

É o caso da cidade Sueca de Gotemburgo, que realizou uma experiência em 2015 com trabalhadores da área da saúde na esperança de reduzir os problemas relacionados ao estresse e depressão. Lá, os trabalhadores da casa de repouso Svartedalens tiveram a carga horária de trabalho reduzida de 8 para 6 horas, numa tentativa de aumentar a produtividade e obter melhores resultados. Após a iniciativa em Svartedalens, outros centros hospitalares de Gotemburgo passaram a optar pela redução de jornada. O que não é novidade na cidade. Antes, a fábrica da Toyota na região optou por reduzir a carga horária de sua linha de produção. Na empresa, o resultado foi um crescimento de 25% no lucro: “Os empregados se sentem melhor, há menor rotatividade e é muito mais fácil contratar novas pessoas”, disse o diretor de operações da fábrica.

Trabalhar menos pode significar aumento na produtividade

Um estudo da consultoria inglesa Expert Market em 2016 analisou dados de 36 países (o Brasil não está entre eles). O estudo dividiu o PIB (Produto Interno Bruto) per capita – que representa a produção por pessoa, em libras (moeda britânica) – pelo número de horas trabalhadas, em média, por ano. Sete países que estão entre as maiores economias do mundo aparecem entre os dez com menor número de horas trabalhadas: Luxemburgo, Noruega, Suíça, Holanda, Alemanha, Dinamarca e Suécia.

O estudo mostrou que quanto mais horas, menor é produtividade. Os países mais baixos no ranking parecem comprovar. Oito países aparecem tanto na lista dos dez com mais horas de trabalho, quanto entre os dez com menor produtividade: México, Costa Rica, Grécia, Chile, Rússia, Letônia, Polônia e Estônia. O México, por exemplo, é o país com o maior número de horas trabalhadas: 2.228 ao ano. Logo atrás aparece a Costa Rica, com 2.216. Os dois países também aparecem como os últimos em termos de produtividade.

A busca pelo trabalho eficiente

A gigante da tecnologia – Microsoft – realizou recentemente uma experiência na sua unidade do Japão. E os números são altamente favoráveis, tanto para a Microsoft como para seus funcionários.

A empresa deu aos seus funcionários um mês inteiro com fins de semana de três dias em julho de 2019. O projeto chamado “Work-Life Choice Challenge Summer 2019” mostrou um aumento da produtividade por parte dos funcionários e uma redução dos recursos usados.

Microsoft-Japan
Figura 2. Microsoft no Japão faz experiência de redução de horas de trabalho.

Conforme relatado, durante o período houve uma economia de 23% no uso da energia, uma redução de 58% do uso de papel e impressão e – o melhor de tudo para a Microsoft – a produção aumentou em 40%. E quanto à satisfação dos funcionários? Como era de se esperar: 92% disseram que gostaram de trabalhar apenas 4 dias por semana.

Embora o projeto tenha durado apenas 1 mês, indica que pode haver mérito em reduzir o horário de trabalho dentro de uma semana.

Então já não é hora de se repensar uma definição que já dura 200 anos? Se a empresa ganha e se o funcionário ganha, o que está faltando?

aumento-da-produtividade
Figura 3. Menos horas de trabalho pode significar maior produtividade para as empresas e melhor qualidade de vida para os funcionários.

Em 1955, Cyril Northcote Parkinson publicou um artigo que ficou conhecido depois como “A Lei de Parkinson” que afirma: “O trabalho se expande de modo a preencher o tempo disponível para a sua realização”.  Ou seja, menos tempo de trabalho não significa menor produtividade. Ganha a empresa; ganha o empregado em qualidade de vida e disposição para o trabalho.

Eu acredito fielmente nisto.

#10YearsChallenge: Os bastidores da brincadeira

O #10YearsChallenge – ou “O Desafio dos 10 Anos”, numa tradução mais livre – é mais uma daquelas febres lançadas nas redes sociais e que logo cai na graça dos usuários, iniciando uma brincadeira que pode se tornar assunto comum por semanas. Quem resiste à tentação, não é mesmo?

Lançado no Facebook – líder mundial quando o assunto é rede social – o “desafio” logo se espalhou por seus outros produtos, como o Instagram e WhatsApp. Sim! Esses produtos são do Facebook e praticamente compartilham da mesma política de uso e recursos de back-end, como suas bases de dados de usuários.

Mas será que tudo isso é apenas mais uma brincadeira para os usuários das redes sociais manterem seus posts, likes e comentários? Bom, no mínimo, vale uma reflexão a respeito do que pode estar por trás de eventos “promocionais” desse tipo ou pelo menos tomar conhecimento de uma tecnologia que está cada vez mais em voga nos últimos anos numa briga de gigantes da Internet por seu domínio: Amazon, Facebook e Google, além de outras.

 

Os avanços na identificação das pessoas

Os avanços tecnológicos permitem o aperfeiçoamento de soluções que buscam a melhor identificação do usuário. A impressão digital é um bom exemplo desse avanço.

Desde quando a impressão digital foi usada pela primeira vez em 1902 para condenar um criminoso na França, passou a ser considerada uma excelente forma de identificar o cidadão, sendo logo utilizada na emissão de carteiras de identidade. Hoje em dia, qualquer celular já conta com o recurso de “leitor de impressão digital” para o seu desbloqueio. A tecnologia avançou e hoje estamos na era do “reconhecimento facial”.

reconhecimento-facial
Figura 1. Reconhecimento facial. Foto da Internet.

Atualmente a briga das gigantes está no campo do reconhecimento facial. E os avanços não param nessa área – nem também os interesses financeiros – que possui um poder de alcance em nível global a um custo de obtenção dos dados de praticamente zero para as empresas, uma vez que seus usuários fazem o trabalho naturalmente por elas.

É nesse ponto que entram as redes sociais com eventos como esse – os desafios -, além de joguinhos que pedem informações das pessoas, como seu nome, idade, local de nascimento, sexo etc., e demais produtos “gratuitos” que tanto encantam usuários inocentes do que possa estar por trás disso tudo.

 

Entenda uma coisa: Nada é de graça

Em troca de facilidades gratuitas, as gigantes do setor mantém grandes bases de dados de usuários através do reconhecimento facial – e também outros dados – e ganham muito por tudo isso. O perigo é saber se o fim justifica os meios. E no meio disso tudo está o usuário, em grande parte, desinformado.

A Amazon – uma das gigantes que mais tem avançado nesse setor – foi recentemente acusada de vender sua tecnologia de reconhecimento facial Rekognition para agências governamentais nos Estados Unidos, segundo acusação de uma organização de direitos civis americana.

Segundo essa organização, a Amazon teria desenvolvido um poderoso e perigoso novo sistema de reconhecimento facial e estaria auxiliando de forma ativa o governo americano para a sua implementação. A tecnologia da Amazon seria capaz de identificar, rastrear e analisar pessoas em tempo real, reconhecendo até 100 pessoas em uma única imagem!

A Amazon já possui lojas “inteligentes” e negocia a instalação em vários aeroportos. Essas lojas operam sem a presença humana do caixa e qualquer pessoa pode simplesmente entrar, pegar o produto e sair da loja. Sua tecnologia utiliza-se do reconhecimento facial – além de outros dados – para identificar os clientes, sendo o bastante entrar, pegar o produto e sair. Tudo ficará registrado automaticamente e a cobrança será realizada naturalmente no cartão de crédito ou débito. Isso é que é confiança na sua tecnologia de identificação de pessoas, não acha?

amazon-go
Figura 2. Aspecto de uma loja inteligente. Entrou, pegou, saiu. A cobrança é automática. Foto da Internet.

E quanto ao Google? Muitos afirmam que o objetivo da empresa é dominar o mundo com seus produtos “gratuitos” de tecnologia, envolvendo os usuários – que passam a colaborar com o processo sem perceberem – para em seguida obter os lucros às custas das informações captadas. É o preço que se paga.

O Google Photos é um bom sinal de como a empresa alimenta – sem qualquer esforço – sua base de dados de reconhecimento facial a partir do trabalho de seus usuários. Funciona mais ou menos assim: dou espaço ilimitado e “gratuito” na nuvem para que você não ocupe a memória de seu celular com milhares de arquivos de fotos e vídeos e você me dá as fotos devidamente marcadas com nomes das pessoas, local, circunstâncias e outros detalhes.

O Google diz que sua tecnologia de reconhecimento facial não está à venda, pelo menos por enquanto. Se você acredita no Google… Eu não!

Realmente não há serviço gratuito na Internet – e nem em lugar algum. Tudo tem um custo. Nada contra, se você realmente sabe onde está metido e não se importa com isso. O pior é a ignorância do usuário em não imaginar que as coisas estão acontecendo em segundo plano e que ele faz parte desse processo. O usuário não tem o hábito de conhecer, antes de usar. Não lê sequer o resumo da política de uso e privacidade, o que deveria ser um hábito natural e de pura sensatez.

 

Reconhecimento facial: Conhecimento x Sensacionalismo terrorista

Esse debate sobre “reconhecimento facial” foi reacendido nesse início de janeiro de 2019 quando uma comitiva de deputados brasileiros visitou a China, em atendimento a um convite daquele país, onde foi apresentado um sistema de vigilância por reconhecimento facial. Ora, logo a China, onde seus produtos – em especial os de vigilância – são alvos de desconfiança e perseguição em diversos países do mundo, culminando até mesmo com a prisão de altos executivos da empresa de tecnologia chinesa Huawei por adicionar chips não declarados e em eletrônicos vendidos em todo o mundo com o fim de espionagem.

big-data
Figura 3. Identificação das pessoas e seus gostos: uma briga de gigantes pelo poder da informação. Foto da Internet.

Sistemas como esses da China, que são “vendidos” como simplesmente “câmeras de segurança”, na verdade fazem parte de todo um ecossistema de software que permite tanto o reconhecimento facial quanto a análise e cruzamento de dados colhidos por outros sistemas, podendo até mesmo obter dados sobre as emoções das pessoas em relação às atividades em que elas estão desenvolvendo!

 

E o tal “Desafio dos 10 Anos”?

O Facebook quer aumentar sua fatia nesse lucrativo negócio. Sua tecnologia já está sendo usada no dia-a-dia das pessoas, aqui mesmo, pertinho de nós. No Metrô de São Paulo, por exemplo, já existem painéis de propagandas com câmeras que apontam para as pessoas e não só possuem reconhecimento facial como também reconhecimento de expressões faciais, a ponto de detectar se o usuário do serviço gostou ou não do anúncio. Do resultado dessa análise os anúncios mais relevantes para o usuário, segundo algoritmos de Inteligência Artificial, começam a pipocar nas suas mídias sociais.

É lógico que muitos poderão dizer que o Facebook já tem dados suficientes de fotos de seus usuários para fazer o reconhecimento facial independente do desafio dos 10 anos, mas o que muitos especialistas de tecnologia da informação acreditam é que esse tipo de campanha, baseada em desafio, estimula a participação em massa dos usuários, o que ajuda bastante aos robôs realizarem uma melhor calibração da tecnologia de reconhecimento facial.

social_media_10_year_challenge
Figura 4. O Desafio dos 10 Anos: você dando uma mãozinha à tecnologia de reconhecimento facial. Foto da Internet.

Ora, pense bem: em vez de o Facebook vasculhar bilhões de fotos de todos seus usuários para melhorar seu algoritmo de reconhecimento facial, por que não já receber num único post uma foto de seus usuários mostrando como está agora e como era há 10 anos? Facilita demais! Numa única análise o algoritmo de Inteligência Artificial poderá aprender sobre as mudanças faciais ocorridas em uma década na vida das pessoas. Interessante – e ao mesmo tempo assustador – não?

Podemos fugir disso tudo? Certamente não. Estamos realmente na era do big data. As empresas estão eufóricas em lucrar no que puderem com a gigantesca massa de dados que possuem das pessoas em todos os aspectos da vida: dos Apps nos smartphones às facilidades que temos com os meios digitais, como nossas instituições financeiras, nossos documentos oficiais e sites onde realizamos compras e consultas na Internet para nossas pesquisas relacionadas a estudos e trabalho etc. Não temos como evitar, mas podemos ser mais conscientes disso tudo, em vez de sermos tratados como zumbis.

E o que podemos fazer a respeito? Nem que seja o mínimo, se assim o quisermos, a partir da nossa forma de encarar tudo isso. Por exemplo: se não sou de modismo, por que entrar no tal desafio? Entendeu? Se você afirmar: “Eu não me importo com isso!”. Ótimo, então não há o que temer e aproveite a brincadeira. Mas se você não segue modismo e se perguntar: “Tem algo que eu possa fazer?”. Tem! Informe-se mais, leia a política de uso e privacidade dos produtos e serviços que utiliza. Aprenda mais sobre como personalizar o uso de seus aplicativos para que os mesmos atendam aos seus requisitos de privacidade, se esse é o seu objetivo.

facebook_reconhecimento_facial
Figura 5. Como configurar a opção de Reconhecimento Facial do Facebook.

Na era da informação é muito importante se manter informado. Não usar um produto – em especial aplicativos e serviços online – sem conhecer sobre o seu desenvolvedor, sua política de uso dos dados obtidos e sua política de privacidade. Também é importante personalizar o aplicativo às suas exigências o quanto possível. E o mais importante: saber que tudo na grande rede é passível de rastreamento, então usar seus recursos com consciência e moderação não faz mal a ninguém.

InSight: Explorando o Interior de Marte

O foco mudou, tudo bem… Pelo menos nos próximos 10 anos será Lua – e não Marte – o alvo da NASA para missões tripuladas além da órbita da Terra. Mas isso não significa que desistimos do Planeta Vermelho. Longe disso, a NASA toma a decisão mais acertada: fazer de nossa Lua agora um laboratório para a futura exploração humana em Marte e além.

A Missão InSight

A partir da base da Força Aérea de Vandenbert, em 5 de maio de 2018, abordo de um foguete Atlas V-401 da United Launch Alliance, a NASA lançou sua Missão InSight – acrônimo para Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport – rumo a Marte, numa viagem de 485 milhões de quilômetros e seis meses de duração, chegando hoje no seu momento decisivo: o pouso com sucesso no Planeta Vermelho em 26 de novembro de 2018.

foguete_atlas
Figura 1 – Foguete Atlas V-401 antes do lançamento da Missão InSight.

Pointing up A Missão InSight foi a primeira missão para outro planeta lançada a partir da Costa Oeste dos Estados Unidos. Em geral os lançamentos de foguetes são realizados na Costa Leste – a partir do Kennedy Space Center da NASA – e voam para leste, sobre as águas do Oceano Atlântico, aproveitando-se do sentido de rotação da Terra para adicionar impulso extra ao veículo lançador. O Atlas V-401, no entanto, é poderoso o suficiente para voar para o sul em direção ao mar da base da Força Aérea de Vandenberg, sem necessidade do impulso extra da rotação da Terra.

A Missão InSight é a mais ambiciosa missão exploratória em Marte, pois contará com um explorador robótico enviado para fazer o primeiro checkup completo e estudar em profundidade o interior do planeta desde a sua formação há 4,5 bilhões de anos: sua crosta, seu manto e seu núcleo.

estrutura_interna_marte
Figura 2 – Aspecto do interior do planeta Marte.


Objetivos da Missão

Missões anteriores para o planeta vermelho investigaram sua superfície através do estudo de suas crateras, vulcões, rochas e solo. Mas as assinaturas da formação do planeta só podem ser encontradas por sensoriamento e estudos de seus sinais vitais muito abaixo da superfície. Este é o principal objetivo da Missão InSight.

Um planeta rochoso se forma a partir de materiais reunidos num processo chamado acreção. Este material então é separado em camadas à medida em que se esfria, que é conhecido como diferenciação. Um planeta totalmente formado emerge lentamente, com uma camada superior, conhecida como a crosta, o manto no meio e um núcleo de ferro sólido.

Um dos objetivos da missão será descobrir como Marte – e consequentemente outros corpos rochosos do Sistema Solar – se formou e evoluiu até se tornar um planeta. A missão também vai determinar a taxa de atividade tectônica marciana e impactos de meteoritos.

formacao_planeta
Figura 3 – Processo de acreção de um planeta.

Pointing up Em astrofísica, acreção é a acumulação de matéria na superfície de um astro, através da ação da gravidade. A maioria dos objetos astronômicos, como galáxias, estrelas e planetas é assim formada.

Um completo laboratório totalmente automatizado será enviado ao Planeta Vermelho. A Missão InSight contará com vários equipamentos científicos de última geração, entre os quais se destacam:

  • Um sismógrafo para estudar a crosta de Marte e obter dados importantes sobre a temperatura, pressão e composição do material que primeiro formou o planeta.
  • Uma sonda de fluxo de calor investigará quanto calor ainda está fluindo do interior de Marte. Suas observações irão gerar dados sobre o quanto a Terra e Marte são feitos do mesmo material, dando uma ideia de como o planeta evoluiu.
  • Um rádio de experimento científico que medirá as menores alterações da sonda e revelar como Marte está se movendo em sua órbita. Estas medições fornecerão informações sobre a natureza do núcleo interior profundo de Marte, revelando em que profundidade o núcleo de Marte se torna sólido, o que levará a conhecer o quanto de outros minerais, além do ferro, podem estar presentes.

Todas as ferramentas científicas da sonda foram projetadas para ajudar a olharmos para trás no tempo, para quando primeiro se formaram os planetas rochosos do Sistema Solar.

robo_missao_insight
Figura 4 – Aspecto da Sonda da Missão InSight em solo marciano com destaque ao sismógrafo e o equipamento de perfuração profunda do solo.

Momento crucial

Como em toda missão a outro planeta, o momento do pouso é crítico e tenso para a equipe de Terra.  Todo o processo é automatizado e pré-programado.

sonda_insight_proxima_a_marte
Figura 5 – Aspecto da nave espacial da Missão InSight se aproximando do Planeta Vermelho.

Apesar do sucesso da NASA em missões anteriores, é importante lembrar que Marte está a cerca de 20 minutos-luz da Terra, ou seja, os sinais de rádio levam cerca de 20 minutos para viajar da Terra a Marte e vice-versa, e apesar de toda programação prévia não se sabe as reais condições do planeta no momento exato da aproximação, entrada na atmosfera e até o momento do pouso no solo marciano.

Apesar de todas as probabilidades de falha, a missão foi um sucesso, pousando em Marte, como previsto, no dia 26 de novembro de 2018.

o_pouso_da_insight
Figura 6 – Aspecto do pouso da nave da Missão InSight em Marte.

Comunicação permanente com a Terra

A sonda da Missão InSight terá comunicação permanente com a Terra a partir de Marte.

A NASA usará a Deep Space Network (DSN), uma rede internacional de antenas que fornece links de comunicação entre a nave de exploração planetária e suas equipes de missão na terra.

dsn
Figura 7 – Aspecto de um dos complexos da DSN da NASA.

A DSN consiste de três complexos de comunicação do espaço profundo colocados aproximadamente 120 graus separados ao redor do mundo: em Goldstone, no deserto de Mojave na Califórnia; perto de Madrid, Espanha; e perto de Canberra, Austrália. Este posicionamento estratégico permite constante links para nave espacial distante, mesmo considerando a rotação da Terra sobre seu próprio eixo.

A missão de InSight se baseia em nave espacial em órbita de Marte para a coleta de dados e retransmissão da nave espacial para as antenas da rede de espaço profundo na Terra.

A Equipe

A equipe da InSight é composta por cientistas e engenheiros de várias especialidades e é uma colaboração única entre países e organizações ao redor do mundo. A equipe de cientistas inclui investigadores dos Estados Unidos, França, Alemanha, Áustria, Bélgica, Canadá, Polônia, Espanha, Suíça e Reino Unido.

insight_teams
Figura 8 – Equipe do projeto InSight.

Marte ainda é o objetivo a médio prazo

Em dezembro de 2017, o presidente americano Donald J. Trump deu a NASA uma nova determinação: direcionar os esforços para exploração da Lua a partir de agora e nos próximos 10 anos, mas com o objetivo de adiante irmos a Marte e além. A Missão InSight é parte dessa estratégia que, realmente, parece ser a mais correta. Primeiro uma base permanente na Lua; depois Marte e além.

A pesar de nos próximos anos o foco principal seja a criação de uma base permanente na nossa Lua, o projeto ainda mantém uma missão prevista a Marte em 2020 como um bloco de construção para uma missão de robótica subsequente de ida e volta com o primeiro lançamento histórico para outro planeta e retorno através de um gateway lunar.

evolucao_para_marte
Figura 9 – Ilustração da NASA mostrando as 4 naves que já pousaram com sucesso no Planeta Vermelho: Sojourner, Spirit, Opportunity, e Curiosity. A imagem também mostra a Mars 2020 – prevista para 2020 – e o Homem, num futuro a médio prazo.

Marte será, sem dúvida, o próximo passo. E tem que ser um passo bem dado, com objetivo concreto de chegarmos para ficar. Mas, por enquanto, vamos aprender a viver – e conviver – em outro mundo fora da Terra fazendo a nossa Lua de laboratório.

Créditos das imagens: NASA.