Festival de Agosto

Agosto de 2016 foi um mês especial pra quem gosta de observar o céu como eu.  Na verdade, o show começou lá por volta do mês de junho, com o “alinhamento” de nossa Lua com os planetas Saturno e Marte, conforme figura 1, mas teve seu ápice em agosto.

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Figura 1. Alinhamento planetário: Lua – Saturno – Marte, visto a partir do céu de Mossoró, RN, na noite de 19/06/2016.

Durante todo o mês de agosto, sempre a partir do entardecer, os cinco planetas do nosso sistema solar que são visíveis a olho nu estiveram dando um show no céu, chamando a nossa atenção a observa-los sem a necessidade de qualquer equipamento astronômico, como binóculos, lunetas e telescópios, bastando apenas que levantássemos nossa vista para o céu, sempre a partir do pôr do sol, na direção oeste e continuando em direção ao alto do céu.

Estiveram em conjunção planetária – um termo astronômico que significa a máxima aproximação visual entre dois objetos – os planetas Vênus, Júpiter e Mercúrio (aqui elencados em ordem de tamanho aparente) sempre próximos ao horizonte oeste, logo após o pôr do sol, conforme figura 2, e os planetas Marte e Saturno, no alto do céu após o anoitecer, conforme figura 3.  Em diversas oportunidades a nossa Lua apareceu na festa pra abrilhanta-la mais ainda.

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Figura 2. Alinhamento planetário visto no céu de Mossoró, RN, no anoitecer de 06/08/2016.

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Figura 3. Alinhamento dos planetas Marte (ponto mais abrilhante) e Saturno (ponto brilhante no quadrante superior direito), visto no céu de Mossoró, RN, na noite de 21/08/2016.

No entardecer do dia 27/08/2016, um sábado, o espetáculo entre Vênus e Júpiter atingiram o seu ápice, pois estiveram em máxima conjunção – com menos de 1° de arco celeste, dependendo do ponto de vista pode atingir apenas 4 minutos de arco – dando a impressão de estarem coladinhos um no outro, conforme figura 4.

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Figura 4. Panorâmica do anoitecer em Mossoró, RN, em 27/08/2016, quando observa-se claramente a conjunção planetária entre Vênus (ponto mais brilhante e abaixo) e Júpiter, coladinho acima.

Para se ter uma ideia de quanto é pequena essa separação aparente dos dois planetas, o disco lunar ocupa cerca de 30 minutos de arco na esfera celeste.

Nesta data, no entanto, os planetas Vênus e Júpiter estavam, respectivamente, a 230 milhões e 952 milhões de Km de distância da Terra e mais de 700 milhões de Km entre eles, que inclusive ocupam regiões bastante distintas do nosso sistema solar, estando Vênus na região mais próxima do Sol, em relação a Terra, enquanto Júpiter está situado numa região bem distante do Sol, mas que, em virtude de seu tamanho – o maior dos planetas do nosso sistema – pode ser observado facilmente a olho nu.

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Figura 5. Ápice da conjunção planetária entre Vênus e Júpiter (pontos mais brilhantes à direita na imagem). De brinde, o planeta Mercúrio (pequeno ponto na extrema direita da imagem).

Apontando para cima Uma curiosidade a respeito deste fenômeno é que muitos cientistas acreditam que o mesmo ocorreu à época do nascimento de Jesus Cristo, sendo referenciado nos textos sagrados como a famosa “Estrela de Belém” ou “Estrela de Natal” que serviu de guia aos reis Magos.

O espetáculo do “alinhamento” dos cinco planetas visíveis a olho nu começou no mês de junho, esteve presente durante os meses de julho e agosto, e encerrará nos primeiros dias do mês de setembro.

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Montando o Sistema Solar – 1ª Etapa: O Sol e Mercúrio

Continuando a sequência de posts que dedicarei a mostrar o trabalho de montagem do meu planetário do Sistema Solar, abordarei neste tópico a primeira etapa da montagem, que constitui na base, eixo central, o Sol e o primeiro planeta: Mercúrio.

Antes de pôr a mão na massa, logicamente, tive que ler os fascículos correspondentes a cada etapa/fase, o que na primeira etapa corresponde aos 4 primeiros fascículos.

É muito legal, mesmo para mim, acostumado a esse tipo de leitura técnica, poder “viajar” pelo Sistema Solar, sempre aprendendo algo novo, e apreciando belas imagens do nosso universo. 

Pois é, os fascículos não trazem apenas as instruções para montagem de cada etapa, mas também um pouco de cada corpo celeste do Sistema Solar, com informações, imagens, curiosidades, etc.  A leitura, assim, torna-se uma prazerosa obrigação. Smiley nerd

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Figura 1 – Estudando as instruções de montagem.

O Sol

Não é por acaso que este corpo celeste dá nome ao nosso sistema planetário.  Sozinho, ele contém 98,4% de toda a massa do sistema solar e controla o movimento pequenos fragmentos que constituem os planetas e os diversos satélites, proporcionando toda a energia para uma girão do espaço que varia entre 15 e 20 bilhões de quilômetros de diâmetro.

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Figura 2 – O Sol.

Nosso Sol localiza-se a acerca de 27.000 anos-luz do centro da nossa galáxia: Via Láctea.  A distância média até o nosso planeta é de 150 milhões de km, ou 8 minutos-luz (tempo que a luz do Sol leva para chegar até nós), e possui uma massa equivalente a 333 mil planetas Terra.

A temperatura do Sol varia de 5.500º C na superfície até cerca de 15.000.000º C no núcleo, sendo composto basicamente de Hidrogênio (92,1%), Hélio (7,8%) e outros elementos (0,1%).  Estima-se que o Sol ainda levará 5 bilhões de anos até consumir todo o seu combustível nuclear para depois morrer.

Mercúrio – o primeiro planeta

É o menor de todos os planetas do Sistema Solar, com um tamanho pouco maior que nossa Lua, estando privado de atmosfera e com a superfície coberta de crateras.

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Figura 3 – Mercúrio, o menor dos planetas.

Mercúrio está localizado a 58 milhões de km do Sol e possui uma gravidade de 0,3 vezes, comparada a gravidade terrestre, ou seja, lá todos os corpos possuem cerca de 3 vezes menos o peso que teria na Terra.  Não possui luas e seu período de translação (ano) corresponde a apenas 88 dias terrestres.  A temperatura em Mercúrio varia de 170º C negativos (noite)  a 430º C (dia).

Devido ao seu tamanho e também pelo fato de nunca se separar mais de 28º do Sol não é fácil observar Mercúrio a partir da Terra, pois apenas no pôr do Sol ou no nascer do Sol é que temos a oportunidade de ver seu brilho no céu, e mesmo assim nada diferente de outras estrelas, necessitando de conhecimento exato de sua posição no céu.

A placa base

Então, após a montagem das peças correspondentes a primeira etapa do planetário, já podemos ter uma ideia do projeto.

Primeiramente foi montada a placa base do planetário.  É ela quem sustenta todo o sistema através do eixo central. 

A placa base possui a data gravada de 24 de agosto de 2006 (data da resolução da IAU).  Isto já identifica todo o planetário como um objeto para colecionadores, com edição limitada.

Graças as gravações na placa base será possível seguir o trajeto dos planetas através das constelações do céu noturno, pois o seu anel móvel permite compensar a posição mutável da Terra em relação às estrelas.

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Figura 4 – A placa base do planetário: o mapa para seguir o trajeto dos planetas.

O Sol e Mercúrio no Planetário

Com a montagem da placa base e do eixo central, foi a vez da inserção do Sol e do planeta Mercúrio no planetário, dando o primeiro aspecto visual do projeto.

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Figura 5 – O Sol e Mercúrio inseridos no planetário.

Neste momento já é possível rotacionar o planeta em torno do Sol, mas ainda sem a noção proporcional de seu período de translação, devido a falta dos demais planetas.

Abaixo, o aspecto geral do planetário ao final da primeira etapa.

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Figura 6 – Aspecto do planetário ao final da primeira etapa de montagem.

Devo dizer que o trabalho de leitura e montagem do planetário está sendo muito prazeroso para mim.  Poder perceber, através das engrenagens, toda a complexidade dos movimentos dos planetas é algo realmente incrível.

A qualidade do material das peças que compõe o planetário é impressionante.  A precisão dos engates mostra o esmero do criador do projeto em entregar aos colecionadores um produto de excepcional qualidade.

Por enquanto é só, mas logo logo um novo post será publicado para mostrar o início da montagem da segunda etapa, que será composta de várias fases, começando pela que colocará o próximo planeta: Vênus.  Até lá! Smiley piscando