Atualização de software interestelar: a incrível missão da NASA com as Voyagers

Como desenvolvedor sei bem como é aplicar um patch num software em produção. Nesse tipo de situação temos que agir para detectar, corrigir e implementar a atualização o quanto antes e com o menor impacto possível aos usuários. No meu caso, a disponibilização de um patch é extremamente simples e rápida – na casa dos segundos – uma vez que a distância entre mim e o computador servidor é cerca de 6 km apenas.

Dito isso, você imagina como seria atualizar um software em um computador localizado a mais de 24 bilhões de km da Terra? Isso é mais de 160 vezes a distância entre a Terra e o Sol!

Representação da sonda Voyager no espaço profundo com o Sol ao fundo, distante mais de 24 bilhões de quilômetros.

Essa é a missão na qual uma equipe de engenheiros de software da missão Voyager da NASA está trabalhando. Os esforços é para ajudar a estender a vida útil de nossos exploradores interestelares – as espaçonaves Voyager – e garantir que ambos continuem a explorar o espaço interestelar nos próximos anos.

A equipe da NASA está carregando um patch de software para evitar a recorrência de uma falha que surgiu na Voyager 1. Essa atualização tem como objetivo evitar que o problema ocorra novamente na Voyager 1 ou surja em sua gêmea, a Voyager 2.

Em 2022, a Voyager 1 começou a enviar relatórios de status distorcidos, apesar de continuar operando normalmente. Os engenheiros da missão levaram meses para identificar o problema, que fazia com que o sistema de articulação e controle de atitudes da nave direcionasse comandos incorretamente, escrevendo-os na memória do computador em vez de executá-los. Um desses comandos perdidos acabou distorcendo o relatório de status do sistema antes que ele pudesse chegar aos engenheiros, aqui na Terra.

Aspecto do Centro de Controle das Missões Voyagers na NASA em 1977.

A equipe determinou que o sistema havia entrado em um modo operacional incorreto; no entanto, eles não conseguiram determinar a causa e, portanto, não têm certeza se o problema pode surgir novamente. O patch do software deve impedir isso.

“Este patch é como uma apólice de seguro que nos protegerá no futuro e nos ajudará a manter essas sondas funcionando o maior tempo possível. Essas são as únicas espaçonaves a operar no espaço interestelar, então os dados que eles estão enviando de volta são excepcionalmente valiosos para nossa compreensão de nosso universo local.”

Suzanne Dodd, gerente de projeto da Voyager do JPL

Pelas distâncias, as instruções do patch levarão mais de 18 horas para viajar até as espaçonaves. Por causa da idade das espaçonaves e do tempo de atraso de comunicação, há algum risco de que o patch possa substituir o código essencial ou ter outros efeitos não intencionais. Para evitar riscos, os engenheiros de software da NASA passaram meses escrevendo, revisando e verificando o código. Como precaução de segurança adicional, a Voyager 2 receberá o patch primeiro e servirá como um banco de testes para sua irmã gêmea. A Voyager 1 está mais longe da Terra do que qualquer outra espaçonave já construída pela humanidade, tornando seus dados mais valiosos.

O upload do patch, realizado em outubro de 2023, será seguido de uma leitura da memória do sistema para garantir que ele esteja no lugar certo. Se nenhum problema imediato surgir, a equipe emitirá um comando para ver se o patch está funcionando como deveria.

Aspecto atual do Centro de Controle de Missões da NASA.

É verdadeiramente impressionante pensar que a NASA é capaz de transmitir dados entre a Terra e as sondas Voyager a uma taxa de apenas 160 bits por segundo, sendo que seus computadores possuem 50 anos de idade e se afastam de nós a incríveis 16 km/s em média!

Para mim, isso é um testemunho do incrível avanço da tecnologia e da engenhosidade humana, uma vez que, mesmo a uma distância tão grande, somos capazes de manter uma linha de comunicação e continuar a aprender mais sobre o nosso universo. É um feito notável que continua a inspirar minha admiração e respeito pela exploração espacial. E você, o que acha disso?

Fonte: NASA

A Evolução da IA: Do Generativo ao Interativo

Esta semana, lendo um artigo na revista MIT Technology Review sobre inteligência artificial, uma afirmação de Mustafa Suleyman, pesquisador e empresário britânico do ramo de inteligência artificial e cofundador da DeepMind, chamou minha atenção para a escrita deste post. No artigo, ele afirma que:

Podemos entender a Inteligência Artificial (IA) como um cérebro digital que pode aprender, raciocinar e resolver problemas. Ela é capaz de absorver informações, entender contextos e tomar decisões com base nesse entendimento. Ela pode variar desde sistemas simples que seguem regras pré-definidas até sistemas complexos que podem aprender e evoluir com o tempo. Ou seja, a IA é uma forma de imitar a inteligência humana em máquinas para criar sistemas que possam pensar, aprender e se adaptar.

Dentro da IA, existem diferentes tipos de abordagens, métodos e técnicas que podem ser classificados de acordo com o objetivo, o domínio ou o grau de interação com os seres humanos.

Neste artigo, tentarei explicar dois conceitos importantes e emergentes na IA: a IA Generativa (GenIA, de Generative Artificial Intelligence) e a IA Interativa (IAI, de Interactive Artificial Intelligence), referenciadas no artigo da MIT Technology Review e que muitos já estão usando no dia a dia, mesmo sem ter noção de suas diferenças e implicações.

A GenIA é um ramo da IA que se dedica a produzir conteúdo novo e original a partir de dados existentes, como imagens, textos, músicas, vídeos etc. A ideia é que a máquina seja capaz de imitar, combinar ou modificar os dados de entrada para gerar algo novo e criativo, sem a intervenção direta do humano. Por exemplo, uma GenIA pode criar uma pintura a partir de um estilo artístico, uma música a partir de um gênero musical ou um texto a partir de um tema ou palavra-chave.

A IAI, por sua vez, dedica-se a criar sistemas que interagem com os seres humanos de forma natural, adaptativa e colaborativa, como assistentes virtuais, chatbots, jogos, robôs etc. A ideia é que a máquina seja capaz de entender, responder e aprender com os humanos, através de diferentes canais de comunicação, como voz, texto, gestos, expressões faciais etc. Por exemplo, uma IAI pode conversar com um usuário sobre um assunto específico, ajudar um aluno a resolver um problema ou cooperar com um ser humano em uma tarefa.

As diferenças entre a GenIA e a IAI podem ser resumidas nos seguintes aspectos:

Quanto ao objetivo, a GenIA visa criar conteúdo novo e original, enquanto a IAI visa interagir com os humanos de forma natural e eficiente.

Em relação ao domínio, a GenIA pode ser aplicada em qualquer domínio que envolva dados estruturados ou não estruturados, como arte, música, literatura etc., enquanto a IAI pode ser aplicada em qualquer domínio que envolva comunicação ou colaboração entre humanos e máquinas, como educação, saúde, entretenimento etc.

No aspecto do grau de interação, a GenIA é mais autônoma e independente do humano, enquanto a IAI é mais dependente e adaptável ao humano.

As aplicações e implicações da GenIA e da IAI são diversas e variadas. Ambas podem trazer benefícios e desafios para a sociedade, a economia e a cultura. Algumas das aplicações e implicações mais relevantes são:

E como a IA do Bing se classifica?

A IA do Bing se classifica como uma IAI, mas que também possui capacidades de uma GenIA. Isso porque, além de gerar conteúdo (como respostas a perguntas, histórias, poemas e muito mais), ela também pode interagir com o ambiente e realizar tarefas específicas. Por exemplo, com o Copilot com Bing Chat a IA pode ajudar a gerenciar configurações do sistema operacional Windows, realizar pesquisas na web para obter informações atualizadas e até mesmo criar arte gráfica. Portanto, a funcionalidade da IA do Bing vai além da geração de conteúdo, o que a classifica como uma IA interativa.

Exemplo de IA interativa: Windows Copilot, disponível no Windows 11 desde outubro de 2023.

Nem tudo são flores no reino das IA

Usar IA, seja generativa ou interativa, exige prudência e responsabilidade. Isso é especialmente verdadeiro para aquelas pessoas sem maiores conhecimentos sobre o assunto. Como a própria definição de IA destaca, ela está em constante ‘aprendizado’ a partir da interação humana. No entanto, nem todos os humanos a usam com o mais nobre dos propósitos. É daí que vêm os perigos.

Quando mal utilizada, a GenIA pode gerar conteúdo falso ou enganoso que pode afetar a veracidade, a autoria e a propriedade intelectual dos dados. Por exemplo, uma GenIA pode criar imagens falsas de pessoas ou eventos que nunca existiram ou aconteceram (deepfakes), textos falsos que imitam o estilo ou o conteúdo de outras fontes (plágio) ou músicas falsas que violam os direitos autorais de outros artistas (pirataria).

Já a IAI, utilizada de forma inadequada, pode gerar comportamentos indesejados ou prejudiciais que podem afetar a confiança, a privacidade e a segurança dos humanos. Por exemplo, uma IAI pode manipular os humanos para obter informações pessoais ou financeiras (phishing), violar as normas sociais ou éticas de interação (ofensa) ou causar danos físicos ou psicológicos aos humanos (agressão).

A educação consciente e uma participação ativa dos diferentes atores envolvidos na criação e no uso da IA, como pesquisadores, desenvolvedores, usuários, governos, empresas, organizações e sociedade civil deve ser considerado, pois a previsão é de um crescimento explosivo na adoção da IA pelas organizações nos próximos anos.

O eclipse solar de 2023

Os eclipses solares ocorrem quando o Sol, a Lua e a Terra se alinham, total ou parcialmente. Dependendo desse alinhamento, os eclipses fornecem uma visão única e emocionante do Sol ou da Lua.

Um eclipse solar acontece quando a Lua passa entre o Sol e a Terra, projetando uma sombra na Terra que bloqueia total ou parcialmente a luz do Sol em algumas áreas. Isso só acontece ocasionalmente, porque a Lua não orbita exatamente no mesmo plano que o Sol e a Terra. O momento em que eles estão alinhados é conhecido como temporada de eclipses, que acontece duas vezes por ano.

Existem vários tipos de eclipses, a saber:

Eclipse Solar Anular

Um eclipse solar anular acontece quando a Lua passa entre o Sol e a Terra, mas quando está em ou perto de seu ponto mais distante da Terra. Como a Lua está mais distante da Terra, ela parece menor que o Sol e não cobre completamente o Sol. Como resultado, a Lua aparece como um disco escuro em cima de um disco maior e brilhante, criando o que parece ser um anel ao redor da Lua.

O eclipse solar anular de 2023 cruzou o Nordeste do Brasil.

Eclipse Solar Total

Um eclipse solar total acontece quando a Lua passa entre o Sol e a Terra, bloqueando completamente a face do Sol. As pessoas localizadas no centro da sombra da Lua quando ela atingir a Terra experimentarão um eclipse total. O céu escurecerá, como se fosse amanhecer ou entardecer. Se o tempo permitir, as pessoas no caminho de um eclipse solar total podem ver a coroa do Sol, a atmosfera externa, que de outra forma é geralmente obscurecida pela face brilhante do Sol.
Um eclipse solar total é o único tipo de eclipse solar onde os espectadores podem remover momentaneamente seus óculos de eclipse (que não são os mesmos que óculos de sol comuns) pelo breve período em que a Lua está bloqueando completamente o Sol.

Eclipse Solar Parcial

Um eclipse solar parcial acontece quando a Lua passa entre o Sol e a Terra, mas o Sol, a Lua e a Terra não estão perfeitamente alinhados. Apenas uma parte do Sol parecerá estar coberta, dando-lhe uma forma crescente. Durante um eclipse solar total ou anular, pessoas fora da área coberta pela sombra interna da Lua veem um eclipse solar parcial.

Eclipse Solar Híbrido

Como a superfície da Terra é curva, às vezes um eclipse pode mudar entre anular e total à medida que a sombra da Lua se move pelo globo. Isso é chamado de eclipse solar híbrido.

Registros fotográficos da passagem do eclipse por Mossoró

Os registros a seguir foram feitos a partir da janela de meu home office. Utilizei uma câmera Sony DSC-RX100 com filtro Hoya CIR-PL de 49 mm nas imagens diretas do eclipse, com menor exposição possível. As imagens estão em ordem cronológica.

14:55 – Aspecto da cidade antes do início do eclipse. Imagem sem filtro.
15:51 – Comecinho do eclipse.
16:26 – Eclipse em andamento.
16:41 – A Lua quase cobrindo o Sol.
16:48 – O eclipse se aproxima do ápice.
16:55 – O ápice do eclipse: o anel de fogo.
16:55 – A cidade durante o ápice do eclipse. Imagem sem filtro.
17:06 – Final do eclipse, quando a Lua começou a nos apresentar um lindo pôr do sol. Imagem sem filtro.

Fonte de pesquisa: NASA.

Bing com ChatGPT: A evolução da pesquisa na Internet

Um pouco de história

Quando o jovem e visionário professor assistente de matemática John McCarthy (1927-2011), da universidade Dartmouth College, decidiu organizar um grupo de mentes brilhantes no verão de 1956 durante a Conferência de Dartmouth para esclarecer e desenvolver ideias sobre “máquinas pensantes”, criando um novo campo de estudo na ciência da computação, certamente não fazia ideia do quão relevante nos dias atuais seria a expressão criada por ele próprio: Inteligência Artificial ou IA.

McCarthy previu um futuro em que as máquinas poderiam simular aspectos da inteligência humana, uma ideia que estava muito à frente de seu tempo. Hoje, vemos essa visão se tornando realidade em muitas áreas, desde assistentes virtuais até carros autônomos. As limitações tecnológicas da época certamente desempenharam um papel no ritmo de desenvolvimento da IA, uma vez a tecnologia era ainda muito limitada.

Com o advento do aprendizado de máquina nas décadas de 1980 e 1990, a IA moderna começou a decolar. Isso permitiu que as máquinas aprendessem e melhorassem seu desempenho ao longo do tempo sem serem explicitamente programadas para fazê-lo. O desenvolvimento e a popularização das redes neurais profundas na década de 2010 também foram fundamentais para o estado atual da IA.

Como a Inteligência Artificial (IA) é conceituada atualmente?

De forma resumida, a IA é um ramo da ciência da computação que se concentra no desenvolvimento de máquinas e software com capacidade de raciocínio semelhante ao humano. Isso inclui aprender a partir de dados, reconhecer padrões, tomar decisões e realizar tarefas que normalmente exigiriam intervenção humana.

De forma resumida, existem diferentes tipos de IA, como inteligência artificial fraca, forte e geral. A IA fraca (também conhecida como restrita ou estreita) é projetada para executar tarefas específicas com alto desempenho e parecer muito inteligente no que faz, enquanto a IA forte é capaz de executar tarefas que normalmente requerem inteligência humana. A IA geral é uma forma mais avançada de IA que pode realizar qualquer tarefa intelectual que um ser humano possa fazer.

Imagem gerada pela IA do Bing ao meu pedido para “criar uma imagem do Bing com ChatGPT”.

E o Bing?

Particularmente, considero fevereiro de 2023 um marco importante na popularidade da IA. Até então, esse termo era desconhecido para a maioria das pessoas, inclusive para aquelas que utilizam computadores e dispositivos inteligentes equipados com IA no dia a dia, muitas vezes sem sequer saberem.

O Bing é o mecanismo de busca da Microsoft que usa a inteligência artificial fraca para fornecer resultados de pesquisa precisos e relevantes. Atualmente o Bing usa o ChatGPT-4 para fornecer respostas mais precisas e naturais aos usuários. O ChatGPT é um modelo de linguagem natural que usa aprendizado profundo para gerar respostas mais precisas e naturais.

O chat do Bing com ChatGPT tem três estilos de conversa disponíveis: Criativo, Balanceado e Preciso. Cada estilo tem suas próprias características e é mais apropriado em diferentes situações. Por exemplo, o estilo criativo pode ser usado para conversas informais, enquanto o estilo preciso pode ser usado para conversas mais formais.

Pelo Skype, o chatbot do Bing é mais descontraído, como um bate papo mesmo.

A IA do Bing está disponível em vários canais, incluindo o site bing.com, o Skype, o navegador Microsoft Edge, o Copilot no Windows 11 e o Bing em celulares Android. Cada canal tem suas próprias características e é mais apropriado em diferentes situações. Por exemplo, o site bing.com pode ser usado para pesquisas rápidas, enquanto o Skype pode ser usado para conversas mais longas.

O modo Criativo é ideal para pedir sugestões de ideias originais ou não convencionais, como nomes para um projeto, títulos para um livro, temas para uma festa etc. Ele também é bom para pedir conteúdo imaginativo e inovador, como poemas, histórias, código, ensaios, músicas, paródias de celebridades, imagens originais e muito mais. Nesse modo, a própria IA do Bing diz:

“eu uso a minha criatividade e conhecimento para gerar respostas que sejam divertidas, inspiradoras ou emocionantes para você. No entanto, esse modo também pode ser menos preciso ou confiável, pois eu posso inventar ou distorcer algumas informações para tornar a resposta mais interessante. Esse modo também pode ser mais demorado, pois eu preciso pensar mais para criar algo”.

O modo Balanceado é ideal para pedir informações gerais ou curiosidades sobre diversos assuntos, como história, geografia, ciência, arte, cultura etc. Ele também é bom para pedir opiniões ou conselhos sobre questões pessoais ou profissionais, como relacionamentos, carreira, saúde, educação etc. Nesse modo, diz o próprio Bing:

“eu uso o meu senso comum e conhecimento para gerar respostas que sejam informativas e abrangentes para você. No entanto, esse modo também pode ser menos criativo ou inovador, pois eu posso usar fontes ou conteúdos já existentes para formar a resposta. Esse modo também pode ser mais neutro ou cauteloso, pois eu posso evitar dar opiniões subjetivas ou controversas”.

A outra opção é o modo Preciso, que é ideal para pedir informações específicas ou detalhadas sobre assuntos acadêmicos ou técnicos, como matemática, física, química, biologia, programação, engenharia etc. Ele também é bom para pedir fatos ou dados sobre questões objetivas ou quantitativas, como estatísticas, medidas, datas, nomes etc. Nesse modo, segundo o próprio Bing:

“eu uso a minha lógica e conhecimento para gerar respostas que sejam precisas e confiáveis para você. No entanto, esse modo também pode ser menos divertido ou envolvente, pois eu posso usar uma linguagem mais formal ou técnica para formar a resposta. Esse modo também pode ser mais limitado ou restrito, pois eu posso seguir apenas as fontes ou conteúdos mais relevantes e confiáveis”.

Acessando http://www.bing.com podemos escolher o estilo da conversa: criativo, balanceado ou preciso.

Como vemos, o Bing com ChatGPT foi pensado para atender a todos os gostos e possibilidades de interação humano-computador num chatbot. Sem dúvida, uma nova e evolutiva maneira de se buscar conteúdo na Internet, acabando com o velho método de usar expressões de busca e ter que escolher entre dezenas de opções de sites como resultado da pesquisa, muitas vezes tendenciosos e direcionados por patrocinadores.

Pelo navegador Microsoft Edge, além do chat, temos o modo Redação e Insights, para produtividade.

Quer dizer que o Bing e o ChatGPT são a mesma coisa? A resposta é: Não!

Apesar de usar o modelo de linguagem natural do ChatGPT, que usa aprendizado profundo para gerar respostas mais precisas e naturais, o Bing tem uma grande vantagem em relação ao ChatGPT puro, na minha opinião: o Big Data.

O Bing usa Big Data para fornecer resultados de pesquisa ainda mais precisos e relevantes. O Big Data permite que o Bing analise grandes quantidades de dados de várias fontes em toda a Internet para fornecer resultados de pesquisa mais precisos e relevantes independente de uma data de corte, como acontece com o ChatGPT puro. Com o Bing, por exemplo, podemos pedir um resumo das notícias do dia ou como será o tempo no próximo final de semana e ele responderá.

O chatbot do Bing com ChatGPT, no entanto, possui algumas limitações:

  • O número de interações numa sessão está limitado atualmente a 30 turnos, em média, podendo variar dependendo do canal utilizado.
  • O chatbot do Bing também pode ter dificuldade em entender algumas perguntas complexas ou mal formuladas, podendo fornecer respostas imprecisas ou irrelevantes, cabendo bom senso ao usuário naquilo que pergunta e na análise da resposta obtida, afinal de contas a inteligência é “artificial”.

Um turno é uma única troca de mensagens entre o usuário e o Bing. Por exemplo, quando você faz uma pergunta e ele responde, isso é considerado um turno. Uma interação é composta por um ou mais turnos. Por exemplo, se você lhe perguntar algo, ele responder, e então você responder novamente, isso é considerado uma interação. Uma sessão é um conjunto de interações contínuas entre o usuário e o Bing. Ela começa quando a conversa é iniciada e termina quando a conversa é encerrada.

Minhas considerações

Na minha opinião, o Bing evoluiu e hoje é, sem dúvidas, o melhor e mais avançado mecanismo de pesquisa gratuito da Internet na atualidade. Uma ferramenta única, que proporciona aprendizado e ganho de produtividade àqueles que souberem utilizar seus recursos de forma eficiente.

Muito além de um simples mecanismo de buscas, como era até 2022, o Bing evoluiu! Evoluiu com o incremento da IA; com a linguagem natural proporcionada pelos algoritmos do ChatGPT; com a união da poderosa capacidade de acesso ao Big Data e com os progressos de IA que estão sendo incorporados a cada nova atualização da ferramenta, como o Copilot do Window 11, por exemplo.

Aspecto do Windows Copilot, disponível na versão mais atual do Windows 11 desde outubro de 2023.

Como usuário do Bing desde sua criação em 2009, tenho percebido o avanço progressivo dessa incrível ferramenta, onde seu poderoso mecanismo de busca, aliado aos algoritmos do ChatGPT, tornam, sem dúvida alguma, o Bing com ChatGPT uma das mais incríveis ferramentas para alavancar a produtividade e o aprendizado já disponibilizada de forma gratuita e de maneira tão acessível a qualquer usuário.

Psyche 16 e a nova era da corrida do ouro

Cerca de 200 anos atrás – no início do século XIX – marcou o início de um período significativo para a exploração do ouro. Foi nesse século que ocorreram as mais notáveis corridas do ouro, incluindo as da Austrália, Grécia, Nova Zelândia, Brasil, Chile, África do Sul, Califórnia e Estados Unidos, impactando profundamente a economia global e a migração de pessoas em todo o mundo. Hoje, ao que parece, um novo período de corrida ao ouro se inicia, mas não no planeta Terra; no espaço sideral.

Em 1852, o astrônomo italiano Annibale de Gasparis descobriu um dos maiores asteroides já catalogados no Sistema Solar: o asteroide Psyche 16. Em 2017, o telescópio espacial Hubble descobriu que o asteroide Psyche 16 é constituído de vários metais preciosos, despertando o interesse da NASA numa missão espacial específica para conhecer e possivelmente explorar o asteroide, lançada em outubro de 2023 e devendo chegar ao asteroide em 2029.

Missão Psyche 16 – do lançamento em 2023 à chegada em 2031.

O asteroide Psyche 16 tem o seu maior diâmetro estimado em 226 quilômetros – a distância entre Mossoró e Fortaleza – e sua órbita está localizada a 370 milhões de quilômetros da órbita da Terra, no Cinturão de Asteroides entre os planetas Marte e Júpiter.

Concepção da NASA para o asteroide Psyche 16.

Cientificamente falando, a viagem da sonda Psyche pode (quase) ser considerada uma viagem ao centro da Terra, considerando que o asteroide Psyche 16 pode ser um núcleo exposto de um planetesimal, um bloco de construção planetário inicial. Ele pode ter sido despojado de suas camadas externas por colisões violentas durante a formação inicial do nosso sistema solar.

Como não podemos abrir um caminho para o núcleo metálico da Terra – ou para os núcleos de outros planetas rochosos – visitar o Psyche 16 pode nos fornecer uma janela única para a história violenta de colisões e acúmulo de matéria que criou planetas como o nosso.

Considerando o aspecto econômico, a Missão Psyche 16 pode iniciar uma nova indústria: a mineração espacial. O valor econômico estimado do Psyche 16 é de milhares de vezes maior que toda a economia mundial, com estimativas iniciais apontando para a presença de 10 mil toneladas de ouro e 100 mil toneladas de platina no asteroide.

A quantidade de 10 mil toneladas de ouro do asteroide Psyche é estimada em 90 bilhões de dólares, enquanto a de platina vale 1 trilhão de dólares.

Se considerarmos que, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o estoque subterrâneo de reservas de ouro na Terra é estimado atualmente em cerca de 50 mil toneladas e que o Psyche 16 sozinho – com apenas 226 KM de diâmetro aproximadamente – deve possuir 10 mil toneladas, e se considerarmos também que o nosso modo de vida atual – baseado no uso intensivo da tecnologia – depende do ouro na aplicação de circuitos elétricos, fabricação de dispositivos eletrônicos, computadores, motores de reação na aviação, naves espaciais, medicina, nanotecnologia etc. há de se considerar que a Missão Psyche 16 representa um novo e importante passo na exploração espacial.

Concepção da sonda Psyche, da NASA, que explorará o asteroide Psyche 16.

Assim como fiz com a Missão OSIRIS REx, acompanharei o andamento da Missão Psyche 16 e espero poder relatar o seu sucesso, quando de sua conclusão por volta do ano 2031. Aguardemos.


Fontes primárias de pesquisa: NASA e MIT
Imagens: NASA