O Legado das Missões Lunares: Por que o Investimento Espacial é Vital?

Muitos questionam a viabilidade dos investimentos da NASA e dos Estados Unidos em exploração espacial. A resposta reside em dois pilares fundamentais: a necessidade intrínseca de expansão — que culminará no estabelecimento de bases permanentes na Lua e em Marte — e o desenvolvimento de tecnologias de ponta que, posteriormente, são incorporadas ao nosso cotidiano.

Os desafios extremos do ambiente espacial exigem soluções de engenharia que redefinem os limites da tecnologia.

Imagem 1 – Escudo térmico da Orion.

Tecnologia de Proteção Térmica da Nave Orion (Programa Artemis)

O escudo térmico da nave Orion é um exemplo de excelência técnica, sendo considerado o maior escudo térmico ablativo do mundo. Projetado para suportar temperaturas próximas a 2.800°C (aproximadamente metade da temperatura da superfície do Sol), ele protege a cápsula durante a reentrada atmosférica. Nesse processo, a velocidade é reduzida de quase 40.000 km/h para cerca de 500 km/h, momento em que os paraquedas são acionados. A superfície externa do escudo térmico é feita de blocos de um material chamado Avcoat, uma versão reformulada do material usado nas cápsulas Apollo. Durante a descida, o Avcoat queima de forma controlada, transportando calor para longe de Orion, ou seja, enquanto o exterior enfrenta um calor extremo, o sistema de suporte de vida mantém o ambiente interno estabilizado em confortáveis 22°C.

Imagem ilustrativa mostrando a diferença de temperatura entre o ambiente externo extremo e o interior da nave Orion.
Imagem 2 – Ilustração que mostra a diferença extrema entre o exterior e o interior da nave Orion.

Inovações que Migraram para o Cotidiano

Abaixo, listo alguns exemplos de tecnologias desenvolvidas para as missões Apollo e Artemis que hoje são onipresentes:

  • Sistemas de Imagem e Sensores: A missão Artemis II utilizou câmeras Nikon D5 adaptadas para radiação e variações extremas de luminosidade. Essa tecnologia permitiu registros inéditos da Terra iluminada apenas pela Lua cheia, elevando o padrão de sensores ópticos.
  • Comunicação e Transmissão Digital: Testes de comunicação via laser entre a Terra e a órbita lunar alcançaram taxas de transferência de 260 Mbps, pavimentando o caminho para sistemas de transmissão de dados mais rápidos e seguros.
  • Ciência de Materiais: A tecnologia de isolamento térmico das missões espaciais resultou na criação de trajes de combate a incêndios, isolamentos residenciais de alta performance e embalagens térmicas industriais.
  • Tratamento de Recursos: Os sistemas de suporte à vida desenvolvidos para purificação de água nas naves são a base dos filtros domésticos modernos e de sistemas de saneamento em regiões remotas.
  • Miniaturização e Sistemas Embarcados: A necessidade de computadores extremamente compactos para as naves foi o catalisador para o desenvolvimento de processadores que hoje alimentam smartphones, tablets, sistemas automotivos e dispositivos IoT (Internet das Coisas).

Conclusão

O que hoje consideramos padrão em nossa rotina foi, em grande parte, testado à exaustão em ambientes hostis fora do nosso planeta. Investir na exploração espacial não é apenas uma busca por novos horizontes; é uma necessidade técnica e pragmática para a evolução da humanidade, tanto no presente quanto no futuro.

Instalando o F1 TV Pro na Android TV quando o App não aparece na Loja

Este artigo é direcionado aos amantes da Fórmula 1 que — como eu — assinaram o serviço de streaming F1 TV Pro e preferem assistir às corridas diretamente na TV, e não pelo celular ou notebook. Todo o conteúdo deste artigo se baseia na minha experiência pessoal.

O primeiro obstáculo que encontrei foi descobrir que o aplicativo simplesmente não aparece na loja da Android TV. E aí, no lugar da emoção da largada, surgiu a frustração de recorrer ao notebook, ao cabo HDMI improvisado ou a alguma gambiarra que raramente funciona bem.

Assistir F1 na TV da sala não deveria ser um luxo — deveria ser parte natural da experiência. Não me contentei com a limitação, pesquisei como resolver o problema e, como funcionou para mim, decidi escrever este guia para mostrar como preparar sua Android TV para rodar o F1 TV Pro de forma estável e confortável, seja no sofá da sala ou na cama do quarto, como fazíamos até 2025, quando as transmissões ainda passavam na TV aberta. Se você quer trazer o F1 TV Pro para o centro da sua sala ou do seu quarto, diretamente da sua TV, este artigo é pra você.

Aspecto da tela inicial da Android TV com F1 TV Pro instalado
Aspecto da tela inicial da Android TV com F1 TV Pro instalado

No meu caso, utilizo duas TVs — uma Sony na sala e uma Panasonic no quarto — ambas com Android TV e conectadas ao roteador da minha rede residencial via cabo UTP gigabit. Também será necessário um computador com Windows 11 25H2, que para efeito deste artigo estou considerando meu notebook pessoal, que também está na mesma rede residencial, via Wi‑Fi. Isso é fundamental: notebook e TV precisam estar no mesmo segmento de rede IP.

Este artigo considera o cenário em que o app não está disponível na loja oficial da TV. Nesses casos, o APKMirror é a fonte mais confiável, pois preserva os bundles (arquivos `.apkm`) necessários para a instalação via `install-multiple`. Abaixo, o link para download do app oficial da F1 TV Pro:

• Categoria Android TV: apkmirror.com/apk/formula-one-digital-media-limited/f1-tv-android-tv/

Dica: no APKMirror, sempre escolha a versão marcada como Android TV. A versão “Mobile” até pode instalar, mas o layout quebra e a navegação pelo controle remoto fica ruim ou exige mouse.

O segundo passo é baixar a versão mais recente do aplicativo diretamente do APKMirror. É importante entender que o arquivo baixado não é um simples `.apk`, mas sim um `.apkm`, que contém vários arquivos internos.

Depois de baixar o `.apkm`, copie-o para uma pasta de trabalho. No meu caso, criei `F:\F1TV` e renomeei o arquivo para `f1tv_version.zip`. Isso funciona porque um `.apkm` nada mais é do que um `.zip` renomeado.

Ao descompactar, você verá cerca de 30 arquivos `.apk`. Mantenha apenas estes:

base.apk 
split_config.armeabi_v7a.apk 
split_config.en.apk 
split_config.pt.apk  – split_config.xhdpi.apk 

Atenção: o arquivo `split_config.arm64_v8a.apk` pode ser incompatível dependendo do modelo e firmware da sua TV. Verifique qual arquitetura sua Android TV utiliza antes de decidir entre `armeabi_v7a` e `arm64_v8a`.

Concluída essa etapa, você terá os cinco arquivos necessários para instalar o F1 TV Pro na sua TV Android.

Agora entra o notebook com Windows 11. Você precisará do Android SDK Platform‑Tools (que contém o `adb.exe`). Baixe sempre do repositório oficial do Google:

• Windows: https://dl.google.com/android/repository/platform-tools-latest-windows.zip

Essa ferramenta – por meio do seu app `adb.exe` – permite que o notebook “converse” com a TV Android via Terminal (PowerShell 7.5.4+ em modo Administrador).

Com os cinco arquivos `.apk` na pasta de trabalho, vamos instalar o app diretamente na TV. Para isso, obtenha o IP da TV e execute os comandos abaixo no PowerShell:

# 1. Garante um ambiente limpo, reiniciando o daemon do zero
adb kill-server
adb start-server


# 2. Estabelece a conexão com o target
adb connect 192.168.x.x (utilize aqui o IP correto de sua TV)

# 3. Executa o Deploy (Idempotente: funciona para New Install ou Upgrade)
adb install-multiple -r base.apk split_config.armeabi_v7a.apk split_config.xhdpi.apk split_config.pt.apk

# 4. Encerra a conexão específica
adb disconnect 192.168.x.x (utilize aqui o IP correto de sua TV)

# 5. Finaliza o daemon para não deixar processos pendentes no Windows
adb kill-server

Pronto! Se tudo ocorreu bem, o F1 TV Pro estará instalado na sua Android TV.

Aplicativo F1 TV Pro em execução na Android TV.

O Preço Energético da Inteligência Artificial: Uma reflexão pessoal

Hoje, enquanto assistia ao nascer do sol da minha varanda e refletia sobre a quantidade absurda de energia que nossa estrela – o Sol – nos entrega a todo instante, não pude deixar de pensar o quanto nossa civilização – totalmente dependente da tecnologia – ainda luta para suprir uma demanda cada vez mais crescente por energia.

Em tempos de expansão e crescimento do uso da Inteligência Artificial (IA), o consumo cada vez maior de energia torna-se um desafio para as big techs, com grande impacto no aquecimento global.

Sim, o consumo de energia elétrica está crescendo no mundo todo. A previsão de crescimento para 2024 é de 3,3% – em 2023 o crescimento foi de 2% – segundo relatório do Mercado de Eletricidade da IEA (Agência Internacional de Energia). Mesmo com um crescimento líquido de aproximadamente 84% do uso de fontes renováveis – como hidrelétrica, solar, eólica e biomassa – em 2023, essas fontes representavam apenas cerca de 14% da matriz energética mundial. Você já parou para pensar no quanto a IA consome de energia?

A IA utiliza complexos algoritmos de aprendizado de máquina, especialmente aqueles de aprendizado profundo (deep learning), que exigem uma quantidade significativa de poder computacional. Para treinar modelos de aprendizado de máquina, é necessário processar grandes volumes de dados, envolvendo operações matemáticas complexas e repetitivas que demandam muito poder de processamento e, consequentemente, muita energia, por longos períodos. O treinamento de modelos complexos pode levar dias ou até semanas, durante os quais os recursos computacionais são utilizados continuamente.

A demanda por poder computacional é crescente e, por vezes, somente as CPUs das máquinas, por mais potentes que sejam, não são suficientes, exigindo a coparticipação das GPUs (unidades de processamento gráfico), que são mais eficientes para esse tipo de tarefa do que as CPUs tradicionais, porém consomem muita energia. E não se trata apenas do alto consumo de energia pelos computadores. A infraestrutura de data centers que hospedam os recursos computacionais precisa de sistemas de resfriamento e manutenção que contribuem para o consumo de energia associado ao uso da IA.

O alto consumo de energia pelo treinamento e uso de IA contribui para as emissões de carbono, especialmente se a energia utilizada provém de fontes não renováveis. Isso agrava o problema do aquecimento global, tornando-se um desafio prioritário para as big techs a busca por eficiência energética e a transição para fontes renováveis de energia.

Imagem gerada por IA

Então, como as big techs estão enfrentando esse problema?

Além de utilizar-se de parques eólicos e usinas solares, um acordo anunciado entre o proprietário da usina nuclear de Three Mile Island e a Microsoft permitirá a reabertura da usina para geração de energia que será comprada integralmente pela Microsoft pelos próximos 20 anos. O acordo da Microsoft para ajudar a reativar a usina nuclear de Three Mile Island está diretamente relacionado à necessidade crescente de energia para seus data centers, especialmente devido à expansão da IA. A Microsoft tem um compromisso de se tornar carbono-negativa até 2030. Utilizar energia nuclear, que é uma fonte de energia livre de carbono, ajuda a empresa a atingir esse objetivo.

Por sua vez, o Google tem investido significativamente em energia renovável, tendo anunciado em 2020 a compra de energia renovável suficiente para cobrir 100% de seu consumo anual de eletricidade. Curiosamente, também tem usado a própria IA para otimizar o consumo de energia em seus data centers. Os algoritmos de IA ajudam a prever e gerenciar a demanda de energia, melhorando a eficiência operacional. Apesar dos esforços, no entanto, a demanda crescente por IA tem levado a um aumento significativo no consumo de energia e, consequentemente, nas emissões de carbono.

A Amazon está adotando várias estratégias para suprir a crescente demanda de energia para suas operações de IA, prevendo investir quase 150 bilhões de dólares nos próximos 15 anos para expandir seus data centers, visando atender à explosão de demanda por aplicações de IA e outros serviços digitais. A AWS (Amazon Web Services) está comprometida em alcançar zero emissão líquida de carbono até 2040 e, para isso, está em fase de transição de sua infraestrutura para usar 100% energia renovável. Mesmo usando a própria IA para otimizar o consumo de energia em seus data centers, a demanda crescente por IA continua a representar desafios significativos com o aumento crescente de energia elétrica e, consequentemente, com o impacto ambiental.

Apesar dos investimentos em energia renovável e das iniciativas para otimizar o consumo, a demanda crescente por IA e serviços em nuvem continua a pressionar as empresas de tecnologia a buscar soluções mais sustentáveis. A questão é: até que ponto as empresas conseguem acompanhar esse ritmo acelerado de crescimento, sem comprometer seus objetivos de sustentabilidade?

E nós, como usuários finais, qual o nosso papel nessa equação?

Como usuários, podemos contribuir informando-nos sobre o impacto ambiental das tecnologias que utilizamos e compartilhando esse conhecimento com outros. A conscientização é o primeiro passo para a mudança.

Ao escolhermos produtos e serviços que priorizam a sustentabilidade, estamos incentivando as empresas a investirem em soluções mais limpas e eficientes. Ao mesmo tempo, é fundamental que as grandes empresas de tecnologia assumam um papel de liderança, investindo em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias que minimizem o impacto ambiental da IA.

A energia nuclear, embora seja uma fonte de energia livre de carbono, apresenta desafios em termos de segurança e gestão de resíduos. É preciso buscar soluções inovadoras que combinem a eficiência da energia nuclear com a segurança e a sustentabilidade das fontes renováveis.

Voltando à minha reflexão inicial, acredito que o ideal seria que, em um futuro próximo, atingíssemos a classificação de Tipo I na Escala de Kardashev. Embora isso possa parecer utópico no momento, será um marco evolutivo significativo para nossa civilização quando ocorrer.

Atualização de software interestelar: a incrível missão da NASA com as Voyagers

Como desenvolvedor sei bem como é aplicar um patch num software em produção. Nesse tipo de situação temos que agir para detectar, corrigir e implementar a atualização o quanto antes e com o menor impacto possível aos usuários. No meu caso, a disponibilização de um patch é extremamente simples e rápida – na casa dos segundos – uma vez que a distância entre mim e o computador servidor é cerca de 6 km apenas.

Dito isso, você imagina como seria atualizar um software em um computador localizado a mais de 24 bilhões de km da Terra? Isso é mais de 160 vezes a distância entre a Terra e o Sol!

Representação da sonda Voyager no espaço profundo com o Sol ao fundo, distante mais de 24 bilhões de quilômetros.

Essa é a missão na qual uma equipe de engenheiros de software da missão Voyager da NASA está trabalhando. Os esforços é para ajudar a estender a vida útil de nossos exploradores interestelares – as espaçonaves Voyager – e garantir que ambos continuem a explorar o espaço interestelar nos próximos anos.

A equipe da NASA está carregando um patch de software para evitar a recorrência de uma falha que surgiu na Voyager 1. Essa atualização tem como objetivo evitar que o problema ocorra novamente na Voyager 1 ou surja em sua gêmea, a Voyager 2.

Em 2022, a Voyager 1 começou a enviar relatórios de status distorcidos, apesar de continuar operando normalmente. Os engenheiros da missão levaram meses para identificar o problema, que fazia com que o sistema de articulação e controle de atitudes da nave direcionasse comandos incorretamente, escrevendo-os na memória do computador em vez de executá-los. Um desses comandos perdidos acabou distorcendo o relatório de status do sistema antes que ele pudesse chegar aos engenheiros, aqui na Terra.

Aspecto do Centro de Controle das Missões Voyagers na NASA em 1977.

A equipe determinou que o sistema havia entrado em um modo operacional incorreto; no entanto, eles não conseguiram determinar a causa e, portanto, não têm certeza se o problema pode surgir novamente. O patch do software deve impedir isso.

“Este patch é como uma apólice de seguro que nos protegerá no futuro e nos ajudará a manter essas sondas funcionando o maior tempo possível. Essas são as únicas espaçonaves a operar no espaço interestelar, então os dados que eles estão enviando de volta são excepcionalmente valiosos para nossa compreensão de nosso universo local.”

Suzanne Dodd, gerente de projeto da Voyager do JPL

Pelas distâncias, as instruções do patch levarão mais de 18 horas para viajar até as espaçonaves. Por causa da idade das espaçonaves e do tempo de atraso de comunicação, há algum risco de que o patch possa substituir o código essencial ou ter outros efeitos não intencionais. Para evitar riscos, os engenheiros de software da NASA passaram meses escrevendo, revisando e verificando o código. Como precaução de segurança adicional, a Voyager 2 receberá o patch primeiro e servirá como um banco de testes para sua irmã gêmea. A Voyager 1 está mais longe da Terra do que qualquer outra espaçonave já construída pela humanidade, tornando seus dados mais valiosos.

O upload do patch, realizado em outubro de 2023, será seguido de uma leitura da memória do sistema para garantir que ele esteja no lugar certo. Se nenhum problema imediato surgir, a equipe emitirá um comando para ver se o patch está funcionando como deveria.

Aspecto atual do Centro de Controle de Missões da NASA.

É verdadeiramente impressionante pensar que a NASA é capaz de transmitir dados entre a Terra e as sondas Voyager a uma taxa de apenas 160 bits por segundo, sendo que seus computadores possuem 50 anos de idade e se afastam de nós a incríveis 16 km/s em média!

Para mim, isso é um testemunho do incrível avanço da tecnologia e da engenhosidade humana, uma vez que, mesmo a uma distância tão grande, somos capazes de manter uma linha de comunicação e continuar a aprender mais sobre o nosso universo. É um feito notável que continua a inspirar minha admiração e respeito pela exploração espacial. E você, o que acha disso?

Fonte: NASA

A Evolução da IA: Do Generativo ao Interativo

Esta semana, lendo um artigo na revista MIT Technology Review sobre inteligência artificial, uma afirmação de Mustafa Suleyman, pesquisador e empresário britânico do ramo de inteligência artificial e cofundador da DeepMind, chamou minha atenção para a escrita deste post. No artigo, ele afirma que:

Podemos entender a Inteligência Artificial (IA) como um cérebro digital que pode aprender, raciocinar e resolver problemas. Ela é capaz de absorver informações, entender contextos e tomar decisões com base nesse entendimento. Ela pode variar desde sistemas simples que seguem regras pré-definidas até sistemas complexos que podem aprender e evoluir com o tempo. Ou seja, a IA é uma forma de imitar a inteligência humana em máquinas para criar sistemas que possam pensar, aprender e se adaptar.

Dentro da IA, existem diferentes tipos de abordagens, métodos e técnicas que podem ser classificados de acordo com o objetivo, o domínio ou o grau de interação com os seres humanos.

Neste artigo, tentarei explicar dois conceitos importantes e emergentes na IA: a IA Generativa (GenIA, de Generative Artificial Intelligence) e a IA Interativa (IAI, de Interactive Artificial Intelligence), referenciadas no artigo da MIT Technology Review e que muitos já estão usando no dia a dia, mesmo sem ter noção de suas diferenças e implicações.

A GenIA é um ramo da IA que se dedica a produzir conteúdo novo e original a partir de dados existentes, como imagens, textos, músicas, vídeos etc. A ideia é que a máquina seja capaz de imitar, combinar ou modificar os dados de entrada para gerar algo novo e criativo, sem a intervenção direta do humano. Por exemplo, uma GenIA pode criar uma pintura a partir de um estilo artístico, uma música a partir de um gênero musical ou um texto a partir de um tema ou palavra-chave.

A IAI, por sua vez, dedica-se a criar sistemas que interagem com os seres humanos de forma natural, adaptativa e colaborativa, como assistentes virtuais, chatbots, jogos, robôs etc. A ideia é que a máquina seja capaz de entender, responder e aprender com os humanos, através de diferentes canais de comunicação, como voz, texto, gestos, expressões faciais etc. Por exemplo, uma IAI pode conversar com um usuário sobre um assunto específico, ajudar um aluno a resolver um problema ou cooperar com um ser humano em uma tarefa.

As diferenças entre a GenIA e a IAI podem ser resumidas nos seguintes aspectos:

Quanto ao objetivo, a GenIA visa criar conteúdo novo e original, enquanto a IAI visa interagir com os humanos de forma natural e eficiente.

Em relação ao domínio, a GenIA pode ser aplicada em qualquer domínio que envolva dados estruturados ou não estruturados, como arte, música, literatura etc., enquanto a IAI pode ser aplicada em qualquer domínio que envolva comunicação ou colaboração entre humanos e máquinas, como educação, saúde, entretenimento etc.

No aspecto do grau de interação, a GenIA é mais autônoma e independente do humano, enquanto a IAI é mais dependente e adaptável ao humano.

As aplicações e implicações da GenIA e da IAI são diversas e variadas. Ambas podem trazer benefícios e desafios para a sociedade, a economia e a cultura. Algumas das aplicações e implicações mais relevantes são:

E como a IA do Bing se classifica?

A IA do Bing se classifica como uma IAI, mas que também possui capacidades de uma GenIA. Isso porque, além de gerar conteúdo (como respostas a perguntas, histórias, poemas e muito mais), ela também pode interagir com o ambiente e realizar tarefas específicas. Por exemplo, com o Copilot com Bing Chat a IA pode ajudar a gerenciar configurações do sistema operacional Windows, realizar pesquisas na web para obter informações atualizadas e até mesmo criar arte gráfica. Portanto, a funcionalidade da IA do Bing vai além da geração de conteúdo, o que a classifica como uma IA interativa.

Exemplo de IA interativa: Windows Copilot, disponível no Windows 11 desde outubro de 2023.

Nem tudo são flores no reino das IA

Usar IA, seja generativa ou interativa, exige prudência e responsabilidade. Isso é especialmente verdadeiro para aquelas pessoas sem maiores conhecimentos sobre o assunto. Como a própria definição de IA destaca, ela está em constante ‘aprendizado’ a partir da interação humana. No entanto, nem todos os humanos a usam com o mais nobre dos propósitos. É daí que vêm os perigos.

Quando mal utilizada, a GenIA pode gerar conteúdo falso ou enganoso que pode afetar a veracidade, a autoria e a propriedade intelectual dos dados. Por exemplo, uma GenIA pode criar imagens falsas de pessoas ou eventos que nunca existiram ou aconteceram (deepfakes), textos falsos que imitam o estilo ou o conteúdo de outras fontes (plágio) ou músicas falsas que violam os direitos autorais de outros artistas (pirataria).

Já a IAI, utilizada de forma inadequada, pode gerar comportamentos indesejados ou prejudiciais que podem afetar a confiança, a privacidade e a segurança dos humanos. Por exemplo, uma IAI pode manipular os humanos para obter informações pessoais ou financeiras (phishing), violar as normas sociais ou éticas de interação (ofensa) ou causar danos físicos ou psicológicos aos humanos (agressão).

A educação consciente e uma participação ativa dos diferentes atores envolvidos na criação e no uso da IA, como pesquisadores, desenvolvedores, usuários, governos, empresas, organizações e sociedade civil deve ser considerado, pois a previsão é de um crescimento explosivo na adoção da IA pelas organizações nos próximos anos.