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Mais um grande feito da genialidade humana: tocamos num asteroide

Mais um grande feito da genialidade humana foi concretizado hoje, 20/10/2020.

A NASA conseguiu realizar com sucesso a manobra de “Touch-And-Go” (TAG) de sua sonda – OSIRIS-REx – no asteroide Bennu, que atualmente se encontra a mais de 320 milhões de KM da Terra.

Imagem 1. Concepção artística da sonda OSIRIS-REx orbitando o asteroide Bennu. Crédito da imagem: NASA.

O TAG é o procedimento em que a nave praticamente toca o solo do asteroide – que tem baixíssima gravidade – para em seguida disparar jatos de gás nitrogênio com o objetivo de levantar fragmentos de rochas e outros materiais para coleta com o seu braço robótico.

O processo de análise para confirmar se realmente o procedimento foi suficiente para a coleta mínima necessária – 60 gramas – de material pode levar até uma semana, mas independente do resultado o feito de hoje foi histórico. Uma vez confirmada a coleta necessária de material, a nave iniciará seu retorno à Terra, com previsão de chegada em 2023, quando os cientistas terão acesso ao material.

Imagem 2. Braço da sonda próximo à superfície do asteroide, em manobra de teste de aproximação realizada anteriormente. Crédito da imagem: NASA.

A sonda OSIRIS-REx possui reserva para realizar mais outras duas tentativas de coleta, caso a manobra de hoje não tenha conseguido amostras suficientes.

“Este foi um feito incrível – e hoje avançamos tanto na ciência quanto na engenharia e em nossas perspectivas para futuras missões para estudar esses misteriosos antigos contadores de histórias do sistema solar”, disse Thomas Zurbuchen, administrador associado da Diretoria de Missões científicas da NASA na sede da agência em Washington. “Um pedaço de rocha primordial que testemunhou toda a história do nosso sistema solar pode agora estar pronto para voltar para casa por gerações de descobertas científicas, e mal podemos esperar para ver o que vem a seguir”.

Figura 3. Momento em que a equipe do comando da missão, na NASA, recebeu os dados de telemetria confirmando a manobra com sucesso da sonda OSIRIS-REx.

O objetivo da missão da sonda OSIRIS-REx é chegar a Bennu – um asteroide próximo da Terra – e trazer uma pequena amostra de seu material de volta para estudo em nosso planeta. A missão foi lançada em 8 de setembro de 2016, a partir da Estação da Força Aérea do Cabo Canaveral. Como planejado, a espaçonave chegou a Bennu em 2018 e devolverá uma amostra a Terra em 2023.

Imagem 4. Sonda OSIRIS-REx realizando mapeamento completo no asteroide, desde a sua chegada em 2018, para definição do melhor local para o TAG. Crédito da imagem: NASA.

O asteroide Bennu oferece aos cientistas uma janela para o Sistema Solar primitivo, pois ele se formou há bilhões de anos e pode conter ingredientes primitivos que podem ter ajudado a semear a vida na Terra. A missão é um projeto conjunto da NASA e da Universidade do Arizona.

Imagem 5. Bennu é um asteroide próximo da Terra e atualmente está distante de nós 320 milhões de quilômetros, ou seja, mais de duas vezes a distância da Terra ao Sol. Crédito da imagem: NASA.

“A manobra TAG de hoje foi histórica”, disse Lori Glaze, diretora da Divisão de Ciência Planetária na sede da NASA em Washington. “O fato de termos tocado com segurança e sucesso a superfície de Bennu, além de todos os outros marcos que esta missão já alcançou, é um testemunho do espírito vivo de exploração que continua a descobrir os segredos do sistema solar.”

São acontecimentos como este que mostra a capacidade e a genialidade humana aplicada em prol do conhecimento científico na busca de respostas sobre a origem de nosso sistema solar e dos processos de criação dos planetas e até mesmo da vida. São acontecimentos como este que salvam o ano de 2020. 👍

Fonte: informações obtidas do site oficial da NASA.

Festival de Agosto

Agosto de 2016 foi um mês especial pra quem gosta de observar o céu como eu.  Na verdade, o show começou lá por volta do mês de junho, com o “alinhamento” de nossa Lua com os planetas Saturno e Marte, conforme figura 1, mas teve seu ápice em agosto.

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Figura 1. Alinhamento planetário: Lua – Saturno – Marte, visto a partir do céu de Mossoró, RN, na noite de 19/06/2016.

Durante todo o mês de agosto, sempre a partir do entardecer, os cinco planetas do nosso sistema solar que são visíveis a olho nu estiveram dando um show no céu, chamando a nossa atenção a observa-los sem a necessidade de qualquer equipamento astronômico, como binóculos, lunetas e telescópios, bastando apenas que levantássemos nossa vista para o céu, sempre a partir do pôr do sol, na direção oeste e continuando em direção ao alto do céu.

Estiveram em conjunção planetária – um termo astronômico que significa a máxima aproximação visual entre dois objetos – os planetas Vênus, Júpiter e Mercúrio (aqui elencados em ordem de tamanho aparente) sempre próximos ao horizonte oeste, logo após o pôr do sol, conforme figura 2, e os planetas Marte e Saturno, no alto do céu após o anoitecer, conforme figura 3.  Em diversas oportunidades a nossa Lua apareceu na festa pra abrilhanta-la mais ainda.

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Figura 2. Alinhamento planetário visto no céu de Mossoró, RN, no anoitecer de 06/08/2016.

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Figura 3. Alinhamento dos planetas Marte (ponto mais abrilhante) e Saturno (ponto brilhante no quadrante superior direito), visto no céu de Mossoró, RN, na noite de 21/08/2016.

No entardecer do dia 27/08/2016, um sábado, o espetáculo entre Vênus e Júpiter atingiram o seu ápice, pois estiveram em máxima conjunção – com menos de 1° de arco celeste, dependendo do ponto de vista pode atingir apenas 4 minutos de arco – dando a impressão de estarem coladinhos um no outro, conforme figura 4.

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Figura 4. Panorâmica do anoitecer em Mossoró, RN, em 27/08/2016, quando observa-se claramente a conjunção planetária entre Vênus (ponto mais brilhante e abaixo) e Júpiter, coladinho acima.

Para se ter uma ideia de quanto é pequena essa separação aparente dos dois planetas, o disco lunar ocupa cerca de 30 minutos de arco na esfera celeste.

Nesta data, no entanto, os planetas Vênus e Júpiter estavam, respectivamente, a 230 milhões e 952 milhões de Km de distância da Terra e mais de 700 milhões de Km entre eles, que inclusive ocupam regiões bastante distintas do nosso sistema solar, estando Vênus na região mais próxima do Sol, em relação a Terra, enquanto Júpiter está situado numa região bem distante do Sol, mas que, em virtude de seu tamanho – o maior dos planetas do nosso sistema – pode ser observado facilmente a olho nu.

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Figura 5. Ápice da conjunção planetária entre Vênus e Júpiter (pontos mais brilhantes à direita na imagem). De brinde, o planeta Mercúrio (pequeno ponto na extrema direita da imagem).

Apontando para cima Uma curiosidade a respeito deste fenômeno é que muitos cientistas acreditam que o mesmo ocorreu à época do nascimento de Jesus Cristo, sendo referenciado nos textos sagrados como a famosa “Estrela de Belém” ou “Estrela de Natal” que serviu de guia aos reis Magos.

O espetáculo do “alinhamento” dos cinco planetas visíveis a olho nu começou no mês de junho, esteve presente durante os meses de julho e agosto, e encerrará nos primeiros dias do mês de setembro.

Chegamos a Plutão: mais um grande salto da humanidade na exploração do nosso sistema solar

O dia 14/07/2015 entrou para a história da exploração espacial com a chegada – com sucesso – da primeira missão da NASA com objetivo de desvendar os mistérios do Cinturão de Kuiper e o seu principal astro, o planeta-anão Plutão e sua principal lua Caronte, até então um corpo pouco conhecido e inexplorado devido a sua grande distância do Sol.

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Figura 1. Sonda da Missão New Horizons que chegou a Plutão em 14/07/2015. Imagem da NASA.

É um privilégio hoje em dia podermos acompanhar – via NASA TV e Internet – tal façanha humana de conseguir – com extrema precisão matemática – enviar um artefato científico a tão grande distância e fazê-lo passar a apenas 12.800 km da superfície do planeta – para você ter uma ideia, nossos satélites de TV estão a 36.000 km da superfície da Terra. Eu, particularmente, não deixo de me emocionar ao acompanhar cada conquista humana na exploração espacial.

De fato, Plutão está tão distante de nós que a luz do Sol leva quase 7 horas para chegar até lá quando o mesmo está no ponto mais afastado de sua órbita – em termos comparativos a luz solar leva apenas 8 minutos para atingir a Terra.

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Figura 2. Região do Cinturão de Kuiper.

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Figura 3. Plutão e sua maior lua, Caronte, numa tomada a partir da sonda da missão New Horizons, ainda a milhões de km de distância. Imagem da NASA.

Além da distância, o seu tamanho reduzido – em comparação com os demais planetas – dificulta a observação e análise do mesmo a partir das cercanias da Terra. Até mesmo o Hubble, nosso telescópio espacial mais potente, tem dificuldades para observar Plutão.

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Figura 4. Imagem de Plutão captada a partir do telescópio espacial Hubble. Imagem da NASA.

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Figura 5. Imagem de Plutão captada a partir da sonda da missão New Horizons, ainda distante 780.000 km do planeta. Imagem da NASA.

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Figura 6. Imagem da New Horizons em close up numa região próxima ao equador de Plutão revela uma cadeia de montanhas com até 3.500 metros de altitude. Imagem da NASA.

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Figura 7. Concepção artística mostrando a relação de tamanho de Plutão e sua maior lua, Caronte, com a Terra. Imagem da NASA.

 

Novos Horizontes

A missão New Horizons foi lançada em 19 de janeiro de 2006 e ao cruzar a órbita de Júpiter ganhou um “empurrão gravitacional” fazendo a sonda atingir a maior velocidade já atingida por um artefato humano – 49.600 km/h – e mesmo assim a viagem levou mais de 9 anos, completando, assim, o reconhecimento básico do Sistema Solar, de Mercúrio a Plutão.

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Figura 8. Lançamento da Missão New Horizons em 2006. Imagem da NASA.

A New Horizons tem a missão de estudar Plutão e os confins do Sistema Solar, em especial o Cinturão de Kuiper, uma relíquia da formação do Sistema Solar situado além de Netuno. A existência desse cinturão foi sugerida em 1951 pelo astrônomo holandês Gerard Kuiper (1905-1973). O primeiro objeto dessa região foi descoberto em 1992 e, de lá para cá, já foram catalogados mais de mil outros pequenos objetos chamados de transnetunianos. Acredita-se que nessa região existam mais de 100 mil pequenos objetos celestes.

Assim como 2014 ficou marcado pela Missão Roseta, da ESA, 2015 ficará conhecido como o ano da Missão New Horizons, da NASA, conseguindo chegar a Plutão e além no Cinturão de Kuiper.

Estamos vivendo momentos marcantes na exploração espacial e isto é muito bom e importante para toda a humanidade.

Devido às nossas limitações tecnológicas atuais, não podemos atingir grandes distâncias em curto espaço de tempo, mas o importante é não se deixar intimidar e ir sempre além. Ao passo em que as novas tecnologias nos proporcionarão atingir velocidades cada vez maiores, poderemos atingir lugares inexplorados cada vez mais distantes em nosso Sistema Solar, aprendendo cada vez mais sobre novos mundos que possam nos servir de morada no futuro.

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Figura 9. Equipe da NASA comemora o momento exato do “flyby” da New Horizons em Plutão. Imagem da NASA.

De parabéns estão todos os membros da equipe da missão New Horizons e a NASA, um verdadeiro patrimônio científico da humanidade. Polegar para cima