Arquivo da categoria: Astronomia

Pálidos pontos, por um CubeSat

Em 14 de fevereiro de 1990 uma imagem, aparentemente comum, impressionou um dos mais famosos astrônomos da nossa era, Carl Sagan. Foi o registro do nosso Planeta Terra, ocupando apenas 1 pixel da imagem, realizado pela sonda Voyager 1 à incrível distância de 40,5 AU, o qual ele chamou de “pálido ponto azul”, alertando-nos para a necessidade de protegermos o nosso planeta.

PaleBlueDot
Figura 1. Um pálido ponto azul: nosso Planeta Terra, registrado pela sonda Voyager 1 a mais de 6 bilhões de quilômetros de distância.

O tempo passou, a tecnologia espacial avançou e hoje temos “naves” – ou melhor dizendo, satélites – de tamanhos bastante reduzidos – iguais a uma caixa de presentes. São os chamados CubeSat, acrônimo das palavras em Inglês: Cube e Satellite – Cubo e Satélite.

Os CubeSat são um tipo de satélite miniaturizado usado para pesquisas espaciais e comunicações radioamadoras. Os CubeSats normalmente possuem volume de 1 litro (um cubo de 10 cm) e massa de até 1,33 kg. O interessante é que, normalmente, esse tipo de satélite usa componentes eletrônicos “de prateleira”.

CubeSat
Figura 2. Aspecto de um CubeSat. Uma caixinha de 10 cm de lado, cheia de componentes eletrônicos simples que são lançados em órbita baixa da Terra – abaixo dos 800 km de altitude – para fazer experiências mais simples e com um custo bem inferior em relação aos satélites tradicionais.

 

A Grande Surpresa dos CubeSats na Missão InSight da NASA

A InSight é uma missão do programa do Discovery da NASA para exploração interior do Planeta Marte, usando investigações sísmicas, geodésia e transporte de calor, que irá colocar um único módulo geofísico em Marte para estudar seu interior profundo. Tratarei desse assunto em outro post, no futuro.

Lançada no dia 5 de maio de 2018, com previsão de chegada ao Planeta Vermelho em 26 de novembro de 2018, levou “de carona” em seu veículo lançador alguns CubeSats para diversos tipos de experiências e entre as quais, testar o quão distantes os CubeSats poderiam suportar o recebimento de comandos a partir do nosso planeta.

O resultado: A NASA estabeleceu um novo recorde de distância para CubeSats em 8 de maio, quando um par de CubeSats chamado Mars Cube One (MarCO) alcançou a distância de 1 milhão de quilômetros da Terra. Um do CubeSats, chamado MarCO-B, usando uma câmera com lentes do tipo “olho de peixe”, tirou sua primeira foto no dia 9 de maio de 2018. Essa foto é parte do processo usado pela equipe de engenharia para confirmar a que antena de alto ganho da nave se desdobrou corretamente. Como um bônus, capturaram a Terra e sua Lua como pequenas partículas flutuando no espaço, lembrando o feito da Voyager 1, 28 anos atrás.

PaleDots
Figura 3. Pálidos pontos flutuantes no Espaço. Nosso lar, o Planeta Terra, e o único lugar do Universo onde o Homem já pisou além de seu planeta natal.

Vendo essas imagens não há como não lembrar da emocionante reflexão de Carl Sagan durante uma palestra pública na Universidade Cornell em 1994, quando apresentou a imagem da Voyager 1 sobre o profundo significado atrás da ideia do “pálido ponto azul”.

Olhem de novo esse ponto. É aqui, é a nossa casa, somos nós. Nele, todos a quem ama, todos a quem conhece, qualquer um sobre quem você ouviu falar, cada ser humano que já existiu, viveram as suas vidas. O conjunto da nossa alegria e nosso sofrimento, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas confiantes, cada caçador e coletor, cada herói e covarde, cada criador e destruidor da civilização, cada rei e camponês, cada jovem casal de namorados, cada mãe e pai, criança cheia de esperança, inventor e explorador, cada professor de ética, cada político corrupto, cada “superestrela”, cada “líder supremo”, cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu ali – em um grão de pó suspenso num raio de sol.

A Terra é um cenário muito pequeno numa vasta arena cósmica. Pense nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, na sua glória e triunfo, pudessem ser senhores momentâneos de uma fração de um ponto. Pense nas crueldades sem fim infligidas pelos moradores de um canto deste pixel aos praticamente indistinguíveis moradores de algum outro canto, quão frequentes seus desentendimentos, quão ávidos de matar uns aos outros, quão veementes os seus ódios.

As nossas posturas, a nossa suposta auto importância, a ilusão de termos qualquer posição de privilégio no Universo, são desafiadas por este pontinho de luz pálida. O nosso planeta é um grão solitário na imensa escuridão cósmica que nos cerca. Na nossa obscuridade, em toda esta vastidão, não há indícios de que vá chegar ajuda de outro lugar para nos salvar de nós próprios.

A Terra é o único mundo conhecido, até hoje, que abriga vida. Não há outro lugar, pelo menos no futuro próximo, para onde a nossa espécie possa emigrar. Visitar, sim. Assentar-se, ainda não. Gostemos ou não, a Terra é onde temos de ficar por enquanto.

Já foi dito que astronomia é uma experiência de humildade e criadora de caráter. Não há, talvez, melhor demonstração da tola presunção humana do que esta imagem distante do nosso minúsculo mundo. Para mim, destaca a nossa responsabilidade de sermos mais amáveis uns com os outros, e para preservarmos e protegermos o “pálido ponto azul”, o único lar que conhecemos até hoje.

—Carl Sagan

 

Nota do autor

Em astronomia, a Unidade Astronômica (abreviada como AU, por recomendação da União Astronômica Internacional) é uma unidade de distância, aproximadamente igual à distância média entre a Terra e o Sol. É bastante utilizada para descrever a órbita dos planetas e de outros corpos celestes no âmbito da astronomia planetária. Em 2012, a União Astronômica Internacional definiu um valor constante e padrão para a UA, até então considerada como aproximadamente 150 milhões de km. O valor da constante é AU = 149 597 870 700 m.

Anúncios

O “Grand Finale” da Cassini

Duas décadas no espaço. Este foi o tempo de vida da sonda Cassini, da NASA, que termina sua missão em 15 de setembro de 2017 com um mergulho suicida na densa atmosfera de Saturno até ser esmagada pela alta pressão atmosférica do segundo maior planeta do sistema solar.

cassini2
Figura 1. Sonda espacial Cassini, lançada há 20 anos e que há 13 anos explora o sistema de Saturno.

A Cassini cumpriu sua missão prioritária com sucesso e depois, aproveitando-se de seu vigor tecnológico, cumpriu mais uma missão secundária de sete anos com o objetivo de observar as mudanças sazonais no próprio planeta Saturno e numa de suas principais luas, Titã.

cassini1
Figura 2. Concepção artística da sonda Cassini sobrevoando Titã, uma das grandes luas de Saturno.

Em abril de 2017, após gastar todo o propulsor da nave, como ato final, a NASA colocou a sonda numa espécie de mergulho programado contra a superfície do planeta que durou cinco meses, totalizando uma série de 22 órbitas chamada de “Grand Finale”. Em cada órbita a passagem pelos anéis do planeta deu à missão incomparáveis observações do planeta e seus anéis como nunca se havia conseguido e em seu último mergulho, no dia 15 de setembro, a nave enviará dados científicos das camadas da atmosfera de Saturno até enquanto suportar a pressão e seus propulsores puderem manter a antena da nave aportada para a Terra. Na sequência a nave queimará e se desintegrará como um meteoro, não deixando qualquer marca de sua passagem pelo sistema de Saturno.

saturno1
Figura 3. Imagem real de Saturno feita pela sonda Cassini em sua chegada ao planeta em 2004.

enceladus
Figura 4. Imagem real de Enceladus, uma das grandes luas de Saturno, feita pela Cassini, onde se vê claramente vapores de água sendo lançados ao espaço a partir da lua a partir de suas atividades hidrotermais.

Lançada em 15 de outubro de 1997 e chegando a Saturno em 30 de junho de 2004, sua missão principal de quatro anos foi cumprida com sucesso, tendo depois sua turnê prorrogada por mais duas vezes. Suas principais descobertas incluem um oceano global com claras indicações de atividade hidrotermal em Enceladus, além de mares de metano líquido em Titã, luas de Saturno.

equipe_cassini
Figura 5. Time de técnicos e cientistas da Cassini, na NASA, despedindo-se de uma missão de sucesso de 20 anos.

Cassini passou 13 anos em órbita de Saturno, após uma viagem de sete anos da Terra. Após tanto tempo assim a nave começou a ficar sem combustível, necessário para que sejam feitos os ajustes de curso. Neste tempo, duas grandes luas de Saturno chamaram a atenção dos cientistas da NASA pela alta probabilidade que as mesmas oferecem de abrigar alguma espécie de atividade biológica. Assim, a fim de evitar a improvável possibilidade de a Cassini colidir com uma dessas luas, a NASA optou por descartar com segurança a espaçonave na atmosfera de Saturno. Isto garantirá que a Cassini não possa contaminar qualquer futuro estudo de habitabilidade e vida potencial nessas luas.

Com o fim de mais uma missão de sucesso da NASA, a humanidade dá mais um passo importante na busca do conhecimento de nosso sistema solar e de mundos que possam, de alguma forma, abrigar condições de vida que possam ser melhor explorados no futuro.  Parabéns para essa grande agência de pesquisa espacial que tanto orgulha todo o planeta, independente de nacionalidade.

Um pequeno e pálido Ponto Azul

Após 19 anos no espaço, a sonda Cassini – da NASA – está em sua última missão na órbita de Saturno, começando, em 26/4/2017, uma série de manobras que a levarão mais próxima do planeta, oportunidade em que explorará seus anéis.

No dia 22/4/2017 Cassini passou pela última lua de Saturno e atingiu a gravidade do planeta, para encerrar sua missão com a execução de 22 órbitas, sendo a última programada para o dia 15 de setembro de 2017, quando deve ser destruída, voando diretamente para a atmosfera de Saturno. Enquanto a sonda sobreviver à gravidade – que será maior a cada órbita – aproveitará para tirar fotos e fazer medições sobre a composição dos anéis de Saturno.

A nave sobreviveu à primeira investida aos anéis e, na oportunidade, registrou uma imagem simplesmente incrível: um pequeno e pálido ponto azul, fielmente acompanhado por outro menor, mais embranquecido. A Terra – nosso lar – e a Lua, distantes mais de 1,2 bilhões de quilômetros.

ponto_azul
Figura 1 – Foto realizada pela sonda Cassini entre os anéis do planeta Saturno no início de sua jornada final, que se encerrará em setembro de 2017. Os pequenos pontos na escuridão são o nosso planeta Terra e a nossa Lua.

Vendo essa imagem, não tem como a gente não parar para pensar a respeito e, assim fazendo, não tem como não se lembrar do que disse o grande astrônomo e cientista Carl Sagan (9/11/1934—20/12/1996), quando, em 14/2/1990, viu uma foto da Terra tirada pela sonda Voyager 1 de uma distância de 6 bilhões de quilômetros da Terra, com uma resolução bastante inferior a esta da Cassini:

“Considere novamente esse ponto. É aqui. É nosso lar. Somos nós. Nele, todos que você ama, todos que você conhece, todos de quem você já ouviu falar, todo ser humano que já existiu, viveram suas vidas. A totalidade de nossas alegrias e sofrimentos, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas, cada caçador e saqueador, cada herói e covarde, cada criador e destruidor da civilização, cada rei e plebeu, cada casal apaixonado, cada mãe e pai, cada criança esperançosa, inventores e exploradores, cada educador, cada político corrupto, cada ‘superstar’, cada ‘líder supremo’, cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu ali, em um grão de poeira suspenso em um raio de sol”.

Para refletirmos.

Festival de Agosto

Agosto de 2016 foi um mês especial pra quem gosta de observar o céu como eu.  Na verdade, o show começou lá por volta do mês de junho, com o “alinhamento” de nossa Lua com os planetas Saturno e Marte, conforme figura 1, mas teve seu ápice em agosto.

facebook_900_2016-06-19-221156
Figura 1. Alinhamento planetário: Lua – Saturno – Marte, visto a partir do céu de Mossoró, RN, na noite de 19/06/2016.

Durante todo o mês de agosto, sempre a partir do entardecer, os cinco planetas do nosso sistema solar que são visíveis a olho nu estiveram dando um show no céu, chamando a nossa atenção a observa-los sem a necessidade de qualquer equipamento astronômico, como binóculos, lunetas e telescópios, bastando apenas que levantássemos nossa vista para o céu, sempre a partir do pôr do sol, na direção oeste e continuando em direção ao alto do céu.

Estiveram em conjunção planetária – um termo astronômico que significa a máxima aproximação visual entre dois objetos – os planetas Vênus, Júpiter e Mercúrio (aqui elencados em ordem de tamanho aparente) sempre próximos ao horizonte oeste, logo após o pôr do sol, conforme figura 2, e os planetas Marte e Saturno, no alto do céu após o anoitecer, conforme figura 3.  Em diversas oportunidades a nossa Lua apareceu na festa pra abrilhanta-la mais ainda.

facebook_900_2016-08-06-181518_legenda
Figura 2. Alinhamento planetário visto no céu de Mossoró, RN, no anoitecer de 06/08/2016.

facebook_900_2016-08-21-205211
Figura 3. Alinhamento dos planetas Marte (ponto mais abrilhante) e Saturno (ponto brilhante no quadrante superior direito), visto no céu de Mossoró, RN, na noite de 21/08/2016.

No entardecer do dia 27/08/2016, um sábado, o espetáculo entre Vênus e Júpiter atingiram o seu ápice, pois estiveram em máxima conjunção – com menos de 1° de arco celeste, dependendo do ponto de vista pode atingir apenas 4 minutos de arco – dando a impressão de estarem coladinhos um no outro, conforme figura 4.

facebook_900_2016-08-27-180106
Figura 4. Panorâmica do anoitecer em Mossoró, RN, em 27/08/2016, quando observa-se claramente a conjunção planetária entre Vênus (ponto mais brilhante e abaixo) e Júpiter, coladinho acima.

Para se ter uma ideia de quanto é pequena essa separação aparente dos dois planetas, o disco lunar ocupa cerca de 30 minutos de arco na esfera celeste.

Nesta data, no entanto, os planetas Vênus e Júpiter estavam, respectivamente, a 230 milhões e 952 milhões de Km de distância da Terra e mais de 700 milhões de Km entre eles, que inclusive ocupam regiões bastante distintas do nosso sistema solar, estando Vênus na região mais próxima do Sol, em relação a Terra, enquanto Júpiter está situado numa região bem distante do Sol, mas que, em virtude de seu tamanho – o maior dos planetas do nosso sistema – pode ser observado facilmente a olho nu.

facebook_900_2016-08-27-181627
Figura 5. Ápice da conjunção planetária entre Vênus e Júpiter (pontos mais brilhantes à direita na imagem). De brinde, o planeta Mercúrio (pequeno ponto na extrema direita da imagem).

Apontando para cima Uma curiosidade a respeito deste fenômeno é que muitos cientistas acreditam que o mesmo ocorreu à época do nascimento de Jesus Cristo, sendo referenciado nos textos sagrados como a famosa “Estrela de Belém” ou “Estrela de Natal” que serviu de guia aos reis Magos.

O espetáculo do “alinhamento” dos cinco planetas visíveis a olho nu começou no mês de junho, esteve presente durante os meses de julho e agosto, e encerrará nos primeiros dias do mês de setembro.

Contemplando a Capella

Desde criança que o céu – e seus mistérios – sempre foi um campo de estudo fascinante para mim.  Não me canso de observá-lo e me questionar em quais daquelas estrelas outros seres viventes estão também a nos observar.

Preparando-me para ler o próximo livro da minha lista – Os Exilados da Capella – sugestão da amiga Sandra Chagas Polegar para cima, resolvi fazer uma pesquisa sobre esse sistema estelar, referenciado na literatura espírita.

Primeiramente queria descobrir se a Capella poderia ser vista a olho nu e, mais importante, a partir de nosso hemisfério sul – e mais ainda, a partir de nossa latitude. E que bom que a resposta é sim! Nossa posição é bastante privilegiada para sua observação.

A foto abaixo eu fiz depois de pesquisar sobre sua localização no nosso céu.
Capella-sobre-Mossoró
Figura 1 – A estrela Capella – ponto mais brilhante na parte superior central da imagem – no céu de Mossoró-RN, na madrugada do dia 31/01/2016.

Então a Capella – que na verdade é um sistema binário formado por duas estrelas que giram em torno uma da outra a uma distância média de cerca de 115 milhões de quilômetros – mais perto uma da outra do que a Terra e o Sol – é este ponto mais brilhante na metade superior da imagem acima.

Apontando para cima E olha só que curiosidade interessante: nosso Sol e a estrela Capela têm a mesma classe espectral! Isto significa que são da mesma cor, o que muito provavelmente a faz liberar o mesmo tipo de energia luminosa e eletromagnética, embora a Capella seja uma gigante com capacidade luminosa entre 100 e 150 vezes mais que nosso Sol, até mesmo devido ao seu tamanho em relação ao nosso Sol. A imagem abaixo poderá dar uma ideia melhor disto. Smiley surpreso

Capella-Sun_comparison
Figura 2 – Comparação de tamanho do sistema estelar da Capella em relação ao nosso Sol.

Na foto acima se percebe ainda duas outras estrelas menores, avermelhadas, denominadas Capella Ha e Capella Hb.  São duas anãs-vermelhas que também fazem parte do sistema estelar, embora estejam distantes das estrelas principais cerca de 12.000 vezes!

Smiley nerd Só pra você entender melhor e não ficar voando… Anãs vermelhas são estrelas de muito baixa massa, geralmente inferior a 40% da massa do nosso Sol, com baixa temperatura interior e bastante lenta na geração de energia, o que as fazem emitir pouca luz, com uma luminosidade que em alguns casos apenas atinge 1/10 000 da luminosidade solar. Até mesmo a anã vermelha maior tem somente cerca de 10% da luminosidade do Sol!

O sistema estelar da Capella é alvo de estudo dos cientistas que acreditam existirem outros corpos celestiais a serem descobertos no futuro, quando nossa tecnologia nos permitir.

Apontando para cimaE quer saber de outra coisa mais interessante ainda?  Estudos mais atuais sugerem uma zona habitável em torno de Capella A e B. Ou seja, há fortes indícios da existência de planeta que possa permitir a vida! Smiley piscando

Em termos de distância em relação a nós, vamos tomar como base o nosso Sol, distante de nós 8 minutos-luz, ou seja, o tempo que sua luz leva para chegar até nós, o que traduzindo em quilômetros equivale a cerca de 150 milhões.  A Capella, então, está distante de nós cerca de incríveis 43 anos-luz (uma viagem na velocidade da luz duraria 43 anos), ou seja, quase 3 milhões de vezes mais distante que o nosso Sol. 

Fico imaginando como seres de um planeta desse sistema poderiam chegar até nós… Nossa tecnologia atual só agora nos permite chegar ao nosso vizinho planeta Marte, cerca de 3 minutos-luz! Smiley pensativo

No nosso céu visível, a Capella está entre as “dez mais”, figurando na sexta posição no ranking das mais brilhantes. É a estrela – ou estrelas – mais brilhante da constelação Auriga, que de nossa posição – durante a madrugada de janeiro – poderá ser vista no quadrante noroeste do céu.

Então agora que já sabe como localizar, vale a pena contemplar nosso céu noturno… Parar um pouquinho pra pensar na possibilidade de não sermos os únicos seres vivos a habitar um mundo entre bilhões e bilhões existentes somente em nossa galáxia ou grupo local.  Isto nos faz sentir que somos parte do universo e ao mesmo tempo nos torna mais humildes, mais zelosos pelo nosso planeta e também gratos à suprema inteligência divina que criou tudo que está ao nosso redor e em todo o universo.

O que este universo infinito terá a nos revelar no futuro?  Pensemos…

Chegamos a Plutão: mais um grande salto da humanidade na exploração do nosso sistema solar

O dia 14/07/2015 entrou para a história da exploração espacial com a chegada – com sucesso – da primeira missão da NASA com objetivo de desvendar os mistérios do Cinturão de Kuiper e o seu principal astro, o planeta-anão Plutão e sua principal lua Caronte, até então um corpo pouco conhecido e inexplorado devido a sua grande distância do Sol.

new_horizons
Figura 1. Sonda da Missão New Horizons que chegou a Plutão em 14/07/2015. Imagem da NASA.

É um privilégio hoje em dia podermos acompanhar – via NASA TV e Internet – tal façanha humana de conseguir – com extrema precisão matemática – enviar um artefato científico a tão grande distância e fazê-lo passar a apenas 12.800 km da superfície do planeta – para você ter uma ideia, nossos satélites de TV estão a 36.000 km da superfície da Terra. Eu, particularmente, não deixo de me emocionar ao acompanhar cada conquista humana na exploração espacial.

De fato, Plutão está tão distante de nós que a luz do Sol leva quase 7 horas para chegar até lá quando o mesmo está no ponto mais afastado de sua órbita – em termos comparativos a luz solar leva apenas 8 minutos para atingir a Terra.

kuiper
Figura 2. Região do Cinturão de Kuiper.

pluto_charon_color_final
Figura 3. Plutão e sua maior lua, Caronte, numa tomada a partir da sonda da missão New Horizons, ainda há milhões de km de distância. Imagem da NASA.

Além da distância, o seu tamanho reduzido – em comparação com os demais planetas – dificulta a observação e análise do mesmo a partir das cercanias da Terra. Até mesmo o Hubble, nosso telescópio espacial mais potente, tem dificuldades para observar Plutão.

pluto_by_hubble
Figura 4. Imagem de Plutão captada a partir do telescópio espacial Hubble. Imagem da NASA.

tn-p_lorri_fullframe_color
Figura 5. Imagem de Plutão captada a partir da sonda da missão New Horizons, ainda distante 780.000 km do planeta. Imagem da NASA.

montanhas_pluto
Figura 6. Imagem da New Horizons em close up numa região próxima ao equador de Plutão revela uma cadeia de montanhas com até 3.500 metros de altitude. Imagem da NASA.

pluto_charon_earth_size
Figura 7. Concepção artística mostrando a relação de tamanho de Plutão e sua maior lua, Caronte, com a Terra. Imagem da NASA.

 

Novos Horizontes

A missão New Horizons foi lançada em 19 de janeiro de 2006 e ao cruzar a órbita de Júpiter ganhou um “empurrão gravitacional” fazendo a sonda atingir a maior velocidade já atingida por um artefato humano – 49.600 km/h – e mesmo assim a viagem levou mais de 9 anos, completando, assim, o reconhecimento básico do Sistema Solar, de Mercúrio a Plutão.

new_horizons_launch
Figura 8. Lançamento da Missão New Horizons em 2006. Imagem da NASA.

A New Horizons tem a missão de estudar Plutão e os confins do Sistema Solar, em especial o Cinturão de Kuiper, uma relíquia da formação do Sistema Solar situado além de Netuno. A existência desse cinturão foi sugerida em 1951 pelo astrônomo holandês Gerard Kuiper (1905-1973). O primeiro objeto dessa região foi descoberto em 1992 e, de lá para cá, já foram catalogados mais de mil outros pequenos objetos chamados de transnetunianos. Acredita-se que nessa região existam mais de 100 mil pequenos objetos celestes.

Assim como 2014 ficou marcado pela Missão Roseta, da ESA, 2015 ficará conhecido como o ano da Missão New Horizons, da NASA, conseguindo chegar a Plutão e além no Cinturão de Kuiper.

Estamos vivendo momentos marcantes na exploração espacial e isto é muito bom e importante para toda a humanidade.

Devido às nossas limitações tecnológicas atuais, não podemos atingir grandes distâncias em curto espaço de tempo, mas o importante é não se deixar intimidar e ir sempre além. Ao passo em que as novas tecnologias nos proporcionarão atingir velocidades cada vez maiores, poderemos atingir lugares inexplorados cada vez mais distantes em nosso Sistema Solar, aprendendo cada vez mais sobre novos mundos que possam nos servir de morada no futuro.

New Horizons Pluto Flyby
Figura 9. Equipe da NASA comemora o momento exato do “flyby” da New Horizons em Plutão. Imagem da NASA.

De parabéns estão todos os membros da equipe da missão New Horizons e a NASA, um verdadeiro patrimônio científico da humanidade. Polegar para cima

Entendendo “O Segundo da Morte” de 30 de Junho de 2015

O dia 30 de junho de 2015 foi oficialmente escolhido para ser o dia mais longo dos últimos anos, com o acréscimo de 1 segundo. E este segundo é o suficiente para “travar” computadores, sistemas e até a Internet.

De forma mais clara falando, em números redondos um dia dura 86.400 segundos. Este é o padrão que usamos em nosso dia-a-dia. É o chamado relógio ou tempo UTC (Universal Time Coordinated), que se baseia nas previsíveis transições eletromagnéticas dos átomos de Césio, tão confiáveis que o relógio de Césio tem a precisão de 1 segundo em 1.400.000 anos!

Não tão preciso assim, no entanto, é o dia solar da Terra, que é o tempo que o planeta leva para girar e completar uma volta em si mesmo. Este tempo é de 86.400,002 segundos, ou seja, dois milésimos de segundo de diferença em relação ao relógio atômico. Isso ocorre porque a rotação da Terra está gradualmente diminuindo devido a vários fatores, entre os quais a relação gravitacional com o Sol e a Lua, que causa uma espécie de “arrasto” retardando a rotação. Os cientistas estimam que o que solar médio não tem sido 86.400 segundos desde o ano de 1820, aproximadamente.

O comprimento do dia na Terra é influenciado por vários fatores, como aspectos atmosféricos e as variações sazonais e diárias do tempo, bem como a dinâmica do núcleo interno do planeta, o efeito das marés, águas subterrâneas e armazenamento de gelo. Até o El Niño pode causar diferença – neste caso a maior – no período de rotação da Terra.

Mas essa diferença de dois milissegundos – muito menos que o piscar de um olho – dificilmente perceptível no começo, de forma repetida ao longo dos anos, chegaria ao ponto em que nos encontramos, totalizando 1 segundo de diferença.

Os cientistas monitoram o tempo da Terra usando uma técnica extremamente precisa chamada de VLBI (Very Long Baseline Interferometry) realizada por uma rede mundial de estações que são extremamente precisas, pois se utilizam de posicionamentos medidos a partir da referência de objetos astronômicos distantes a bilhões de anos-luz da Terra, como Quasares. Este padrão de medição é chamado UT1 (Universal Time 1) e não é uniforme como o padrão UTC (explicado acima). No padrão UT1 “saltos” para mais ou para menos são realizados para ajustar o relógio de acordo com o período real de rotação da Terra.

Entendo melhor, quando a medição do tempo UT1 chega a divergir muito do padrão de medição UTC, como está ocorrendo agora, é o momento de reagir para corrigir a discrepância adicionando um segundo ao dia.

O acréscimo de um segundo é realizado sempre em 30 de junho ou 31 de dezembro. Normalmente, o relógio mudaria de 23:59:59 para 00:00:00 do dia seguinte. Mas com o segundo salto em 30 de junho, UTC vai passar de 23:59:59 23: 59:60 e depois de 00:00:00 em 1 de julho.

leap_second_image
Figura 1. Ilustração da NASA mostrando que em 30 de junho de 2015 o dia terá 23 horas, 59 minutos e 60 segundos (em vez do normal, que seria 59 segundos).

E o que o sistema computacional tem a ver com isso? Tudo a ver! Nos sistemas computacionais não existe a hora 23:59:60, pois após às 23:59:59 do dia 30 de junho os sistemas passam para 00:00:00 do dia 1 de julho. Mas este ano não! Haverá o “Segundo da Morte” no meio do caminho. E sistemas computacionais de alta precisão na marcação do tempo precisarão ser desligados ou “travados” por um segundo para retornarem exatamente à zero hora do dia 1 de julho.

Para os usuários finais, em geral, isso passará despercebido, mas para os administradores de sistemas deverão ficar alertas quando o relógio oficial marcar zero hora do dia 1 de julho e, se for o caso, fazer os ajustes necessários nos relógios de seus servidores.

Sobrou pra nós! A Terra ficando mais lenta e nós – administradores de sistemas – tendo que se virar para manter o tempo em dia. Smiley confuso