InSight: Explorando o Interior de Marte

O foco mudou, tudo bem… Pelo menos nos próximos 10 anos será Lua – e não Marte – o alvo da NASA para missões tripuladas além da órbita da Terra. Mas isso não significa que desistimos do Planeta Vermelho. Longe disso, a NASA toma a decisão mais acertada: fazer de nossa Lua agora um laboratório para a futura exploração humana em Marte e além.

A Missão InSight

A partir da base da Força Aérea de Vandenbert, em 5 de maio de 2018, abordo de um foguete Atlas V-401 da United Launch Alliance, a NASA lançou sua Missão InSight – acrônimo para Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport – rumo a Marte, numa viagem de 485 milhões de quilômetros e seis meses de duração, chegando hoje no seu momento decisivo: o pouso com sucesso no Planeta Vermelho em 26 de novembro de 2018.

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Figura 1 – Foguete Atlas V-401 antes do lançamento da Missão InSight.

Pointing up A Missão InSight foi a primeira missão para outro planeta lançada a partir da Costa Oeste dos Estados Unidos. Em geral os lançamentos de foguetes são realizados na Costa Leste – a partir do Kennedy Space Center da NASA – e voam para leste, sobre as águas do Oceano Atlântico, aproveitando-se do sentido de rotação da Terra para adicionar impulso extra ao veículo lançador. O Atlas V-401, no entanto, é poderoso o suficiente para voar para o sul em direção ao mar da base da Força Aérea de Vandenberg, sem necessidade do impulso extra da rotação da Terra.

A Missão InSight é a mais ambiciosa missão exploratória em Marte, pois contará com um explorador robótico enviado para fazer o primeiro checkup completo e estudar em profundidade o interior do planeta desde a sua formação há 4,5 bilhões de anos: sua crosta, seu manto e seu núcleo.

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Figura 2 – Aspecto do interior do planeta Marte.


Objetivos da Missão

Missões anteriores para o planeta vermelho investigaram sua superfície através do estudo de suas crateras, vulcões, rochas e solo. Mas as assinaturas da formação do planeta só podem ser encontradas por sensoriamento e estudos de seus sinais vitais muito abaixo da superfície. Este é o principal objetivo da Missão InSight.

Um planeta rochoso se forma a partir de materiais reunidos num processo chamado acreção. Este material então é separado em camadas à medida em que se esfria, que é conhecido como diferenciação. Um planeta totalmente formado emerge lentamente, com uma camada superior, conhecida como a crosta, o manto no meio e um núcleo de ferro sólido.

Um dos objetivos da missão será descobrir como Marte – e consequentemente outros corpos rochosos do Sistema Solar – se formou e evoluiu até se tornar um planeta. A missão também vai determinar a taxa de atividade tectônica marciana e impactos de meteoritos.

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Figura 3 – Processo de acreção de um planeta.

Pointing up Em astrofísica, acreção é a acumulação de matéria na superfície de um astro, através da ação da gravidade. A maioria dos objetos astronômicos, como galáxias, estrelas e planetas é assim formada.

Um completo laboratório totalmente automatizado será enviado ao Planeta Vermelho. A Missão InSight contará com vários equipamentos científicos de última geração, entre os quais se destacam:

  • Um sismógrafo para estudar a crosta de Marte e obter dados importantes sobre a temperatura, pressão e composição do material que primeiro formou o planeta.
  • Uma sonda de fluxo de calor investigará quanto calor ainda está fluindo do interior de Marte. Suas observações irão gerar dados sobre o quanto a Terra e Marte são feitos do mesmo material, dando uma ideia de como o planeta evoluiu.
  • Um rádio de experimento científico que medirá as menores alterações da sonda e revelar como Marte está se movendo em sua órbita. Estas medições fornecerão informações sobre a natureza do núcleo interior profundo de Marte, revelando em que profundidade o núcleo de Marte se torna sólido, o que levará a conhecer o quanto de outros minerais, além do ferro, podem estar presentes.

Todas as ferramentas científicas da sonda foram projetadas para ajudar a olharmos para trás no tempo, para quando primeiro se formaram os planetas rochosos do Sistema Solar.

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Figura 4 – Aspecto da Sonda da Missão InSight em solo marciano com destaque ao sismógrafo e o equipamento de perfuração profunda do solo.

Momento crucial

Como em toda missão a outro planeta, o momento do pouso é crítico e tenso para a equipe de Terra.  Todo o processo é automatizado e pré-programado.

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Figura 5 – Aspecto da nave espacial da Missão InSight se aproximando do Planeta Vermelho.

Apesar do sucesso da NASA em missões anteriores, é importante lembrar que Marte está a cerca de 20 minutos-luz da Terra, ou seja, os sinais de rádio levam cerca de 20 minutos para viajar da Terra a Marte e vice-versa, e apesar de toda programação prévia não se sabe as reais condições do planeta no momento exato da aproximação, entrada na atmosfera e até o momento do pouso no solo marciano.

Apesar de todas as probabilidades de falha, a missão foi um sucesso, pousando em Marte, como previsto, no dia 26 de novembro de 2018.

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Figura 6 – Aspecto do pouso da nave da Missão InSight em Marte.

Comunicação permanente com a Terra

A sonda da Missão InSight terá comunicação permanente com a Terra a partir de Marte.

A NASA usará a Deep Space Network (DSN), uma rede internacional de antenas que fornece links de comunicação entre a nave de exploração planetária e suas equipes de missão na terra.

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Figura 7 – Aspecto de um dos complexos da DSN da NASA.

A DSN consiste de três complexos de comunicação do espaço profundo colocados aproximadamente 120 graus separados ao redor do mundo: em Goldstone, no deserto de Mojave na Califórnia; perto de Madrid, Espanha; e perto de Canberra, Austrália. Este posicionamento estratégico permite constante links para nave espacial distante, mesmo considerando a rotação da Terra sobre seu próprio eixo.

A missão de InSight se baseia em nave espacial em órbita de Marte para a coleta de dados e retransmissão da nave espacial para as antenas da rede de espaço profundo na Terra.

A Equipe

A equipe da InSight é composta por cientistas e engenheiros de várias especialidades e é uma colaboração única entre países e organizações ao redor do mundo. A equipe de cientistas inclui investigadores dos Estados Unidos, França, Alemanha, Áustria, Bélgica, Canadá, Polônia, Espanha, Suíça e Reino Unido.

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Figura 8 – Equipe do projeto InSight.

Marte ainda é o objetivo a médio prazo

Em dezembro de 2017, o presidente americano Donald J. Trump deu a NASA uma nova determinação: direcionar os esforços para exploração da Lua a partir de agora e nos próximos 10 anos, mas com o objetivo de adiante irmos a Marte e além. A Missão InSight é parte dessa estratégia que, realmente, parece ser a mais correta. Primeiro uma base permanente na Lua; depois Marte e além.

A pesar de nos próximos anos o foco principal seja a criação de uma base permanente na nossa Lua, o projeto ainda mantém uma missão prevista a Marte em 2020 como um bloco de construção para uma missão de robótica subsequente de ida e volta com o primeiro lançamento histórico para outro planeta e retorno através de um gateway lunar.

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Figura 9 – Ilustração da NASA mostrando as 4 naves que já pousaram com sucesso no Planeta Vermelho: Sojourner, Spirit, Opportunity, e Curiosity. A imagem também mostra a Mars 2020 – prevista para 2020 – e o Homem, num futuro a médio prazo.

Marte será, sem dúvida, o próximo passo. E tem que ser um passo bem dado, com objetivo concreto de chegarmos para ficar. Mas, por enquanto, vamos aprender a viver – e conviver – em outro mundo fora da Terra fazendo a nossa Lua de laboratório.

Créditos das imagens: NASA.

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Missão Interestelar

Neste fim de ano estamos prestes a “presenciar” outro grande marco da exploração espacial da humanidade: pela segunda vez um artefato construído pelo homem está prestes a atingir o espaço interestelar – região do espaço fora da área de abrangência de uma estrela (neste caso, o nosso Sol, chamada de Heliosfera).

Trata-se da sonda Voyager 2, lançada em 20 de agosto de 1977, de Cabo Canaveral, Flórida, a bordo de um foguete Titan-Centaur, poucos dias antes do lançamento da Voyager 1, que ocorreu em 5 de setembro.

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Figura 1. Lançamento da Voyager 2, em 1977.

Ambas as sondas tinham, como missão primária, explorar os planetas gigantes gasosos Júpiter e Saturno, fazendo uma sequência de descobertas nesses planetas — tais como vulcões ativos em Júpiter lua Io e complexidades dos anéis de Saturno.

Após cumprir com sucesso o objetivo principal, ainda com combustível e funcionamento pleno de seus equipamentos – em especial os sensores de raios cósmicos – a missão foi estendida, sendo a Voyager 2 enviada aos planetas Urano e Netuno, sendo ainda a única nave a ter visitado aqueles planetas exteriores, enquanto a Voyager 1 foi enviada aos confins do Sistema Solar, rumo ao espaço interestelar.

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Figura 2. Aspecto das sondas Voyager.

Em 2012 os instrumentos da Voyager 1 indicavam que a mesma tinha ultrapassado a área de influência de nosso Sol, tornando-se o primeiro objeto construído pelo homem a atingir o espaço interestelar. A confirmação oficial veio em abril de 2013.

E agora, no final do ano de 2018, os dados da Voyager 2 indicam que chegou a sua vez. A sonda Voyager 2 está no limite do nosso Sistema Solar, numa região conhecida como Heliopausa, tornando-se o segundo objeto a ser construído pelo homem a deixar o nosso Sistema Solar rumo ao espaço profundo.

Pointing up Explicando: Heliopausa é a região do Sistema Solar onde o vento solar é parado pelo meio interestelar, pois a pressão exercida pelo vento solar não é mais intensa o suficiente para repelir o vento interestelar, ou seja, do espaço existente entre as áreas de influência de sistemas estelares. Estima-se que este ponto está a uma distância entre 110 e 160 UA do Sol.

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Figura 3. Posições atuais das sondas Voyager 1, já no espaço interestelar, representado pela região de cor laranja na imagem; e Voyager 2, na região da Heliopausa, representada pela região de cor acinzentada na imagem, deixando a área de abrangência do Sol, representada pela cor azul na imagem.

Isso é, sem dúvida, um grande feito da humanidade, considerando que essas naves partiram da Terra há mais de 40 anos, com tecnologia de mais de 50 anos atrás, e ainda assim continuam a nos enviar dados de regiões do espaço nunca antes atingidas, embora apenas com metade dos instrumentos iniciais de medição – com o passar do tempo, alguns instrumentos deixaram de funcionar, como era previsto. A Voyager 1, mais distante, opera apenas com 4 instrumentos; a Voyager 2 com 5. Ambas as naves partiram com 10 instrumentos variados de medição e análise.

Mesmo com as limitações de alguns instrumentos, ambas as naves ainda continuam suas jornadas épicas em prol da exploração espacial, fornecendo importantes dados para análise dos cientistas de regiões tão longínquas no espaço que seus dados levam cerca de 20 horas-luz para atingir a Terra.

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Figura 4. Medidores de raios cósmicos das sondas Voyager 1 e Voyager 2 em outubro de 2018. O declínio do índice de partículas do Sol e o aumento do índice de partículas oriundas do espaço interestelar indica que a nave saiu da área de abrangência do nosso Sol, atingindo o espaço interestelar.

Uma mensagem para os extraterrestres

Prevendo a saída das naves de nosso sistema planetário em busca do desconhecido, a NASA colocou uma mensagem a bordo em cada uma das Voyager. Trata-se de uma espécie de cápsula do tempo, destinado a contar a história do nosso mundo para possíveis seres extraterrestres. A mensagem está armazenada em discos de 12 polegadas banhados a ouro, contendo sons e imagens selecionadas para retratar a diversidade da vida e da cultura na terra.

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Figuras 5 e 6. Discos afixados nas sondas Voyager contendo um mapa de localização de nosso planeta no Sistema Solar e também sons e imagens da vida na Terra.

 

Pointing up Repare com atenção na Figura 2 acima, o local onde está o disco que contém o mapa do nosso sistema planetário.

O fim da missão

A missão interestelar Voyager tem potencial para a obtenção de dados científicos até cerca do ano 2020, através de seus medidores de partículas interestelares, quando capacidade da nave para gerar energia elétrica adequada para operação do instrumento chegará ao fim, restando apenas os discos dourados presos às naves para transmitir a mensagem da humanidade no espaço profundo, pois mesmo sem energia elétrica para comandar seus instrumentos e nos enviar sinais de rádio, ambas as naves continuarão suas viagens rumo ao desconhecido por milhares e milhares de anos, uma vez que a estrela mais próxima do Sol – a Proxima Centauri – dista 4,3 anos-luz de distância, o que levaria mais de 90 mil anos até que a Voyager 1atingisse o seu domínio.

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Figura 7. Esquema mostrando nosso Sol, o limite do Sistema Solar – onde se encontram as Voyager – e a estrela mais próxima de nós, a Proxima Centauri, distante a 4,3 anos-luz.

Para refletirmos

A imensidão do universo é algo inimaginável para a compreensão humana. Saber que a estrela mais próxima de nós – depois do Sol – está a “apenas” 4,3 anos-luz de distância e mesmo assim nosso instrumento de exploração mais próximo levaria mais de 90 mil anos até chegar lá é algo surpreendente e mostra que estamos apenas no começo da caminhada. Mas começamos. E avançamos muito – não o quanto poderíamos – mas não estamos parados; e isso é o que importa. Vamos a diante, com as próximas missões exploratórias, com naves mais rápidas e com novos recursos tecnológicos oriundos da evolução da inteligência humana. Enquanto isso, boa viagem pelo espaço interestelar às pioneiras Voyager 1 e Voyager 2.

 

Controlando sua privacidade no Facebook

Há seis anos eu postei, neste mesmo blog, um artigo sobre de quem seria a culpa pela exposição de nossa privacidade. Um artigo abordando como a principal rede social da época era tão desconhecida por seus usuários quanto ao aspecto de sua privacidade. Veja o artigo da época aqui!

Ontem, de uma conversa por telefone com meu grande amigo Elvis, entre tantos assuntos, num momento falamos sobre como as redes sociais podem ajudar na manutenção de contatos entre amigos – e também conhecidos – quando não os temos mais no nosso convívio diário, principalmente por não morarmos mais na mesma cidade, estado e até mesmo país.

De seu receio sobre as implicações de publicações – em parte pelo desconhecimento dos recursos que tais ferramentas dispõem àqueles que desejam manter suas postagens sobre controle – veio-me a ideia de criar um tutorial básico para auxilia-lo na boa utilização de uma das mais usadas redes sociais do momento: o Facebook.

Do tutorial exclusivo nasceu a ideia desse artigo-tutorial, ou uma espécie de passo a passo no manuseio dos principais ajustes do Facebook para o controle de privacidade, pois assim poderia atingir a outros interessados no tema. Seis anos depois, volto ao tema. Então, vamos progredir?


O objetivo do Facebook

A primeira coisa que temos que entender que é o objetivo do Facebook é conhecer você. E que também você conheça os outros. E que os outros também conheçam você. É o objetivo da rede social: Compartilhamento. Compartilhamento de ideias, de fotos, de vídeos, de locais, de preferências etc.

Mas podemos ter controle sobre isso, de modo a usar a rede social conforme nossos propósitos: simplesmente conversar com amigos; assinar canais de conteúdo de seu interesse apenas para ler as notícias, sem interesse em interagir; postar conteúdos pessoais; comerciais; criar grupos fechados ou abertos de discussão sobre um determinado tema; enquetes; divulgação de vídeos e até mesmo transmissões de vídeo ao vivo – as famosas live.


Então, o que é obrigatoriamente público e visível a todos no Facebook?

De forma direta e objetiva: a área do cabeçalho de sua página e a sua imagem de perfil de usuário – vejam as setas na imagem abaixo.

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Figura 1. Área de cabeçalho e imagem de perfil de sua página no Facebook.

O que você publicar como sua imagem de cabeçalho – essa imagem maior, de aspecto retângulo na horizontal – e como sua imagem de perfil – essa imagem de aspecto quadrado, no canto inferior esquerdo – poderá ser visto por qualquer pessoa, conhecida sua ou não, desde que procure por “Seu Nome” no Facebook.  Reparou né? “Seu Nome” aqui indica o nome que você se deu na rede social, sendo apresentado ao lado de sua imagem de perfil.

Então, resumindo: Seu nome de usuário, sua imagem de perfil e sua imagem de cabeçalho são os três elementos de visibilidade pública no Facebook. Para qualquer usuário e até mesmo pra quem nem é usuário do Facebook.

Nessas condições, considerando que nosso usuário fictício “Seu Nome” tenha restringindo seu conteúdo no Facebook apenas para seus familiares, amigos e conhecidos, o máximo que um “estranho” poderia obter dele no Facebook seriam os três elementos que citei acima: o nome do usuário, sua imagem de perfil e sua imagem de cabeçalho, indicados pelas setas vermelhas, conforme imagem a seguir.

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Figura 2. Aspectos exclusivamente públicos de uma página pessoal no Facebook.

Já podemos, então, tirar nossa primeira conclusão, dependendo da intenção de cada um na rede social: definir seu nome de usuário, escolher sua foto de perfil e definir sua imagem de cabeçalho. Por mais reservada que seja a pessoa, definindo bem esses elementos, não estará “exposta” a quem não pertença ao seu ciclo restrito de intenções na rede social.

Outro aspecto que merece destaque: a barra horizontal do menu de opções, abaixo da imagem do cabeçalho

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Figura 3. Aspecto da barra de menu de opções do Facebook.

Cada opção dessa barra leva a uma área do Facebook. Na imagem acima, o destaque está na opção “Linha do Tempo”, que é onde são mostradas suas postagens. Depois temos as opções “Sobre”, que fala um pouco sobre você, seu trabalho, onde estudou etc. Na sequência vem as opções “Amigos” e “Fotos”, além de outras representadas na opção “Mais”.

Reparem que na imagem da figura 3 acima, nenhuma das opções trás informações extras. Em condições “abertas” de privacidade a opção “Amigos”, por exemplo, estaria mostrando na frente o número de amigos que “Seu Nome” possui, mesmo para quem não é seu seguidor na rede social (veja essa mesma barra de opções na imagem da figura 1).

Pois bem, na imagem da figura 3 o dado não aparece devido ao controle de privacidade adotado. O mesmo ocorre com as demais opções: Sobre, Amigos, Fotos etc. Mesmo clicando nessas opções, nada será revelado sobre você, se assim você definiu que queria.

Acho que já deu pra entender né? Tudo isso que foi mostrado nas imagens acima é o máximo que se pode ver de alguém no Facebook que definiu suas opções de privacidade para um grupo restrito de pessoas de seu interesse, desmistificando que tudo no Facebook é aberto a qualquer pessoa e ao mundo.  Tudo vai depender de seu perfil de usuário e de seu interesse na rede social. Um político, com certeza, vai querer seu Facebook aberto ao máximo, ou seja, com toda visibilidade “pública”, destinada àqueles que desejam fazer uma busca na Internet por seu perfil para acessar sua rede social temporariamente, conhecer suas publicações etc. mesmo que não seja um “amigo” cadastrado na rede social.  Outras pessoas vão preferir uma rede social mais restrita a um grupo de amigos ou familiares, sem interesse numa visibilidade pública de suas postagens.  Há também aqueles que querem um pouco dos dois mundos: privacidade em alguns posts reservados aos “amigos”; abertura em outros posts para os “conhecidos”.


Então, vamos aos ajustes?

Vou te levar a conhecer os meios de fazer esses ajustes de privacidade, sem sugerir a que caminho deva seguir, afinal cada um deve ter seu interesse numa rede social.

O primeiro passo é acessar o menu de configurações do Facebook. Veja como fazer na imagem a seguir.

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Figura 4. Acessando o menu de Configurações do Facebook.

Ao clicar na opção “Configurações” será aberta uma janela com as “Configurações gerais da conta”, contendo um painel vertical na lateral esquerda com várias opções.

Duas dessas opções iremos explorar neste artigo, começando com a opção Privacidade, conforme imagem a seguir.

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Figura 5. Acessando os controles de privacidade do Facebook.

Ao clicar na opção Privacidade uma nova janela de opções surgirá. Será nessa janela que você fará os ajustes de acordo com a sua preferência. Tudo é muito claro e, portanto, vou apenas me deter às dicas e explicações sobre opções, pois os textos explicativos são bastante didáticos.

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Figura 6. Opções do controle de privacidade.

Repare que temos dois grupos de ajustes: Sua atividade e Como as pessoas encontram você e entram em contato.  Veja também que o aspecto da interface se baseia em colunas – quatro, pra ser exato – onde a primeira contém o grupo de opções; a segunda uma pergunta bem detalhada sobre o que você deseja fazer; a terceira indica como está sua configuração atual; e a quarta contém um link Editar, que age como um botão que leva você a alterar a opção atual mostrada na coluna três.  Tudo muito simples.

Vamos a um exemplo prático com a primeira pergunta sobre como você quer controlar sua privacidade, sabendo que a mesma lógica se aplica às demais questões. Veja a imagem a seguir.

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Figura 7. Definindo quem poderá ver suas publicações futuras.

Aqui o Facebook está perguntando “Quem pode ver suas publicações futuras?”. Pela imagem, vemos que a configuração acima indica “Amigos”, ou seja, apenas as pessoas que foram cadastradas na sua rede social por você poderão ver suas postagens.

E o que significa a expressão “publicações futuras”? Exatamente isso! Se você alterar o público alvo agora para algo diferente de “Amigos”, somente a partir das próximas publicações é que esse novo público alvo terá acesso às postagens. As antigas ficam protegidas.

Editando as opções para conhecer os tipos de grupos alvos podemos ter para nossas publicações, basta clicar no link/botão Editar, na última coluna, para uma nova janela de detalhamento surgir, conforme imagem a seguir.

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Figura 8. Respondendo a pergunta “Quem pode ver suas publicações futuras?”.

Agora ficou claro, né? A opção que estava antes definida como “Amigos”, pode ser alterada entre várias outras disponíveis, conforme detalhamento a seguir.

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Tabela 1. Opções de grupos de pessoas que podem visualizar suas postagens.

Retornando ao menu de Configurações do Facebook (figura 4), agora vamos abordar a segunda opção das configurações gerais do Facebook que também é importante para o controle de privacidade: Linha do Tempo e Marcações.

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Figura 9. Acessando as opções de privacidade para Linha do Tempo e Marcações.

A Linha do Tempo é área das publicações. É nesse espaço que aparece tudo o que você publica – e o que outras pessoas podem publicar na sua Linha do Tempo, se assim você desejar.

Você pode desejar que na sua linha do tempo apenas você possa publicar, evitando que outras pessoas publiquem conteúdo que possam aparecer como se tivesse sido publicado por você. Ou, você pode não se importar com isso, e deixar sua linha do tempo aberta às publicações dos amigos. É questão pessoal de preferência.

Quanto ao termo Marcações é tudo o que pode ser definido ou marcado com sendo você. Essa marcação pode ser feita por você ou por outra pessoa ou seus amigos, por exemplo.

É bem comum um amigo, ao postar uma foto com você – e os robôs do Facebook identificarem os rostos das pessoas na foto – querer “marcar” cada uma das pessoas, indicando o nome e, consequentemente fazendo um link que leva à página da pessoa marcada no Facebook, criando a sim a teia de relacionamentos, que é o objetivo da rede social.

Pois bem. Você pode evitar que isso ocorra, analisando previamente o pedido de marcação e decidindo autorizar ou não. Isso evita que você seja marcado por aí em tudo quanto é foto se não for esse o seu desejo.

Ao clicar na opção Linha do Tempo e Marcações na barra lateral vertical da área de configurações, temos a seguinte tela.

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Figura 10. Definindo as configurações de privacidade para sua linha do tempo e marcações.

Os procedimentos aqui são idênticos aos ajustes feitos na ferramenta de privacidade. Temos os grupos, as perguntas, a situação atual e o link/botão Editar para fazer a alteração desejada.

Na figura acima, a primeira pergunta – do grupo Linha do Tempo – quer saber quem pode publicar na sua linha do tempo. A situação atual está marcada como “Somente eu” (veja imagem da tabela 1 acima).  Você pode definir “Amigos”, por exemplo, caso queira permitir que seus amigos possam postar conteúdo na sua linha do tempo.

Essa é a lógica do controle de privacidade do Facebook. Perguntas e respostas.

É importante apenas entender os grupos de público alvo e fazer uma associação com seus ícones, conforme imagem da tabela 1 acima, pois em algumas telas do Facebook – principalmente em dispositivos móveis, devido ao tamanho – essas opções de público alvo são representadas apenas pelos ícones: globo terrestre, duas pessoas com cores iguais, duas pessoas com cores distintas, uma pessoa e um cadeado. Cada ícone, um grupo alvo de pessoas.

E na hora da postagem?

Bom, uma vez definidas suas configurações padrão de privacidade, você pode se perguntar: “E na hora da postagem? Se eu quiser algo diferente, tenho que voltar às configurações e ajustar tudo novamente?”. Não!

Quando ajustamos as nossas preferências de privacidade elas se tornam “padrão”, ou seja, via de regra é assim que seu Facebook irá entender que é o que você deseja.

Mas no momento exato de uma postagem temos a liberdade de definir a preferência de visualização daquela postagem específica, caso assim desejemos. Veja a imagem a seguir.

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Figura 11. Na hora da postagem você pode definir o público alvo. Por padrão estará aquele que você definiu nas configurações, mas você pode alterar especificamente para aquela postagem em especial.

Simples né? Agora você já tem uma ideia geral de como funciona o controle de privacidade do Facebook.

Logicamente este artigo não esgota todo o assunto, pois há muito mais a explorar nas diversas opções de configurações do Facebook.

É importante que você, como usuário de uma ferramenta, leia todo o manual antes de utilizar, pois só assim poderá fazer o bom uso a qual a ferramenta se propõe. E o que é mais importante: com a devida segurança!


Minhas recomendações finais

Depois de todos os ajustes você sempre pode ver como as outras pessoas te veem no Facebook.  E isso é muito simples.

Na área do cabeçalho, no canto inferior direito, há um botão chamado Registro de Atividades. Clicando nos três pontinhos do seu canto direito abrirá um menu, e nele a opção Ver como, conforme imagem a seguir.

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Figura 12. Veja como os outros usuários veem o seu Facebook.

Volte agora lá no início do artigo, na figura 2, e repare na barra preta em toda a parte superior da imagem. Ela diz: “Essa é a aparência do perfil para:” seguida de um ícone do globo terrestre seguido da expressão “Público”. Pois bem, o que você está vendo nesse momento é como qualquer pessoa verá sua página no Facebook, ou seja, amigos, conhecidos, desconhecidos, quer tenham conta no Facebook ou não! Ao lado da palavra “Público”, em destaque branco há a opção: “Ver como uma pessoa específica”.
Já entendeu né? Agora é só inserir o nome de um amigo numa caixinha de texto que vai abrir para saber exatamente como o seu amigo vê a sua página do Facebook.

Com esses simples procedimentos você será capaz de saber o quão aberto ou fechado está o seu perfil no Facebook para os amigos e para o mundo, bem como fazer os ajustes necessários para que a rede social atenda aos seus reais propósitos.

E pra concluir este artigo, dois conselhos:

Evite a postagem de fotos pessoais em alta definição.  É comum as pessoas tirarem fotos com seus aparelhos celulares e de imediato fazer a publicação.  A maioria dos aparelhos celulares de hoje oferece câmera fotográfica de boa qualidade e alta definição, algumas com mais de 8 megapixels, o que deixa uma imagem absurdamente grande.

O Facebook possui algoritmo interno para diminuir o tamanho das fotos publicadas, inclusive degradando a qualidade das mesmas – já pensou na quantidade de discos rígidos a mais que seriam necessários para publicar tudo quanto é foto e vídeo em altíssima resolução?

Pois bem, é prudente editar a foto antes da postagem, redefinindo seu tamanho, de acordo com o objetivo da foto, como por exemplo:

Foto do perfil do usuário: 180 x 180 pixels.

Imagem da capa (cabeçalho): 851 x 315 pixels.

Imagens das postagens: entre 600 e 900 pixels no lado maior já está de bom tamanho.

E por último, respeite a privacidade e a segurança de pessoas que não desejam aparecer ou serem divulgadas em redes sociais, principalmente evitando “marcar” e citar nomes de crianças em fotos, além de identificar claramente locais como a sua residência, a escola e local de trabalho e outras informações desnecessárias, pois sempre vale a regra: segurança nunca é demais!

Vamos tocar o Sol

Estamos, sem dúvida, vivendo a era de ouro da exploração espacial. Poderosos equipamentos – em terra e no espaço – descobrem novos mundos em outros sistemas estelares num ritmo nunca antes observado. É como se tivéssemos descoberto o caminho das pedras. Mas não são apenas sistemas estelares distantes que atraem a nossa atenção.

A data de 12 de agosto de 2018 ficará marcada na história da exploração espacial, pois nesta data a NASA – Agência Espacial Americana – lançou a primeira missão exploratória da humanidade a uma estrela. A nossa estrela: o Sol.

Não é de hoje que as agências espaciais de todo o planeta estudam a nossa estrela, mas hoje a história é diferente. Estamos enviando a primeira sonda projetada exclusivamente para estudar a atmosfera de nossa estrela, ou seja, estamos enviando a Parker Solar Probe numa missão para tocar o Sol, numa região nunca antes atingida.

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Figura 1. Sonda Parker Solar Probe e sua missão para tocar o Sol.

A histórica missão da Parker Solar Probe revolucionará nossa compreensão do Sol e, consequentemente, das estrelas e dos mundos que as orbitam, na medida em que será o primeiro artefato produzido pelo homem a chegar tão próximo de uma estrela, enfrentando as brutais condições de calor e radiação.

Muita ciência e tecnologia embarcada

É de se imaginar que para a Parker Solar Probe “tocar” o Sol muita tecnologia foi desenvolvida para proteger os instrumentos num ambiente tão hostil.

Os dois principais problemas são o calor e a radiação. Embora na corona solar a temperatura beire os milhões de graus Celsius, a transferência de calor é bem menor que isso – mesmo ainda sendo altíssima para qualquer instrumento científico – devido a baixa densidade de partículas no espaço. Segundo os cientistas da NASA, o calor que atingirá a sonda será da ordem de absurdos 1.400º C.

Por essa razão, a Parker Solar Probe é protegida por um escudo de calor de 2,4 metros de diâmetro e com 115 mm de espessura, construído com placas compostas de carbono e pintado de branco com tinta cerâmica que refletirá a maior parte do calor incidente. Além disso, foram instalados radiadores com fluido resfriador, fazendo com que na parte de trás do escudo – onde ficam protegidos os instrumentos da sonda – a temperatura se mantenha em torno de suportáveis 30º C, viabilizando o funcionamento dos instrumentos científicos.

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Figura 2. Aspecto do escudo de calor da sonda Parker Solar Probe.

Mas nem todos os instrumentos da Parker Solar Probe ficarão escondidos atrás do escudo de calor, afinal uma das tarefas da missão será a coleta de partículas do Sol e esse instrumento coletor será um dos poucos a ficarem expostos ao calor extremo de nossa estrela. Construído com folhas de Titânio, Zircônio, Nióbio e Molibdênio, o instrumento coletor foi projetado para suportar calor de até 2.350º C. Os grids que produzirão o campo elétrico do instrumento são feitos de Tungstênio, resistindo a 3.420º C.

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Figura 3. O instrumento, que coletará partículas do Sol, da Parker Solar Probe suportará calor extremo, acima de 2.000º C.

A energia da sonda será captada por painéis solares, que serão usados quando a sonda estiver nos pontos mais distantes do sol em sua órbita. Perto do Sol os painéis serão recolhidos para se protegerem da alta temperatura atrás do escudo de calor. 

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Figura 4. Aspecto dos instrumentos radiadores de calor da Parker Solar Probe.

Além de todos os recursos utilizados para a proteção contra o calor e radiação, a sonda Parker Solar Probe também se destaca por ser uma nave autônoma.

Equipada com sensores que chegam à metade do tamanho de um aparelho celular, a nave terá autonomia na decisão de manobra, agindo por conta própria a partir do momento que deixar a órbita da Terra, realizando os procedimentos necessários para se manter sempre na posição correta em relação ao Sol, ou seja, mantendo o escudo protetor sempre apontado para o Sol, garantindo o seu funcionamento.

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Figura 5. Aspecto geral da sonda Parker Solar Probe.

A necessidade de autonomia ocorre devido a distância que a nave atingirá quando estiver no Sol – 8 minutos-luz – que inviabilizaria qualquer comando de controle a partir da Terra. O tempo de 8 minutos para receber um sinal de status da nave e mais 8 minutos para enviar um comando de manobra é demais para corrigir um posicionamento errado da nave a partir do centro de controle da NASA aqui na Terra.

A viagem até o Sol

A sonda Parker Solar Probe foi enviada ao espaço a bordo do poderoso foguete Delta IV, um veículo lançador de cargas simples ou múltiplas.

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Figura 6. Foguete Delta IV que levou a Parker Solar Probe rumo ao Sol.

Já no espaço, em sua órbita ao redor do Sol, a Parker Solar Probe usará a gravidade do planeta Vênus durante sete sobrevoos, durante cerca de sete anos (tempo da missão), para levar gradualmente sua órbita cada vez mais próxima do Sol.

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Figura 7. Aspecto da órbita da Parker Solar Probe, que usará a gravidade do planeta Vênus em sobrevoos para cada vez mais se aproximar do Sol.

Em seu ponto mais próximo da superfície, a nave vai voar através da atmosfera do Sol a cerca de 6 milhões de km e com uma velocidade da ordem de 700 mil km por hora, bem dentro da órbita do planeta Mercúrio e mais do que sete vezes mais perto do que qualquer nave espacial chegou antes. Lembrando que a distância média da Terra ao Sol é de 150 milhões de km.

Voando na parte mais externa da atmosfera do Sol, conhecida como Corona, pela primeira vez, a Parker Solar Probe vai empregar uma combinação de medições e de imagens para revolucionar nossa compreensão da Corona e expandir o nosso conhecimento da origem e evolução do vento solar, além de contribuir para nossa capacidade de previsão de alterações no ambiente do espaço da Terra que afetam a vida e a tecnologia em nosso planeta.

A ciência do Sol

Os objetivos primários da missão serão rastrear como a energia e o calor percorrem a corona solar e explorar o  vento solar, bem como as partículas energéticas solares. Os cientistas têm buscado essas respostas por mais de 60 anos, mas a investigação exigia o envio de uma sonda através da região de calor de 1.370º C da Corona.  Hoje, isso é finalmente possível com os avanços da engenharia térmica de ponta que podem proteger a missão na sua jornada perigosa. A sonda Parker Solar Probe carrega quatro suítes de instrumentos destinadas ao estudo de campos magnéticos, plasma e partículas energéticas, além do vento solar.

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Figura 8. Aspecto da Corona Solar, por onde passará a Parker Solar Probe.

Por que estudar o Sol e o vento solar?

  • O Sol é a única estrela que podemos alcançar. Ao estudar o Sol, aprendemos mais sobre estrelas em todo o universo.
  • O Sol é uma fonte de luz e calor para a vida na terra. Quanto mais soubermos sobre isso, mais podemos compreender como se desenvolveu a vida na Terra.
  • O Sol também afeta a Terra em formas menos familiares. É a fonte do vento solar; um fluxo de gases ionizados que passam pela Terra a velocidades de mais de 500 km por segundo.
  • Distúrbios no vento solar sacudem o campo magnético da Terra e sua energia provoca alterações no espaço perto da Terra, conhecido como tempo espacial.
  • Tempo espacial pode mudar as órbitas dos satélites, encurtar suas vidas ou interferir com a eletrônica embarcada. Quanto mais aprendemos sobre o que causa o espaço tempo – e como prever isso – mais podemos proteger os satélites, que tanto dependemos para manter o nosso estilo de vida moderna.
  • O vento solar também preenche grande parte do sistema solar, dominando o ambiente espacial distante. Como pretendemos enviar naves espaciais e astronautas mais longe da Terra, temos que entender este ambiente espacial.

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Figura 9. O Sol, a Corona Solar e o Vento Solar.

Estudar o Sol é fundamental para o futuro da exploração espacial humana em nosso próprio sistema solar e para o desenvolvimento de novas tecnologias que nos farão construir equipamentos e sondas espaciais cada vez mais adequados ao ambiente hostil do espaço.

Sem dúvida, mais um grande passo da humanidade na busca incansável pelo conhecimento espacial que nos dê a confiança para o próximo e importante salto: a viagem humana ao planeta Marte.

Fotos: NASA e Internet.


Você sabia?

Molibdênio é um metal de transição muito utilizado na fabricação de ligas metálicas de alta resistência mecânica e corrosiva.
Zircônio é um metal de transição, tendo como uma de suas propriedades mais importantes o seu ponto de fusão, que é acima de 2500ºC. Por isso, esse metal é aplicado no interior de reatores de fusão nuclear, suportando as elevadíssimas temperaturas.
Nióbio é um metal de transição, comumente utilizado em ligas metálicas com o ferro, o aço, com o zircônio e essas ligas são utilizadas na fabricação de estruturas, soldas, gasodutos, superligas para fabricação de motores a jato em virtude da resistência a corrosão, altas temperaturas, e como supercondutor em meio criogênico.

Pálidos pontos, por um CubeSat

Em 14 de fevereiro de 1990 uma imagem, aparentemente comum, impressionou um dos mais famosos astrônomos da nossa era, Carl Sagan. Foi o registro do nosso Planeta Terra, ocupando apenas 1 pixel da imagem, realizado pela sonda Voyager 1 à incrível distância de 40,5 AU, o qual ele chamou de “pálido ponto azul”, alertando-nos para a necessidade de protegermos o nosso planeta.

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Figura 1. Um pálido ponto azul: nosso Planeta Terra, registrado pela sonda Voyager 1 a mais de 6 bilhões de quilômetros de distância.

O tempo passou, a tecnologia espacial avançou e hoje temos “naves” – ou melhor dizendo, satélites – de tamanhos bastante reduzidos – iguais a uma caixa de presentes. São os chamados CubeSat, acrônimo das palavras em Inglês: Cube e Satellite – Cubo e Satélite.

Os CubeSat são um tipo de satélite miniaturizado usado para pesquisas espaciais e comunicações radioamadoras. Os CubeSats normalmente possuem volume de 1 litro (um cubo de 10 cm) e massa de até 1,33 kg. O interessante é que, normalmente, esse tipo de satélite usa componentes eletrônicos “de prateleira”.

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Figura 2. Aspecto de um CubeSat. Uma caixinha de 10 cm de lado, cheia de componentes eletrônicos simples que são lançados em órbita baixa da Terra – abaixo dos 800 km de altitude – para fazer experiências mais simples e com um custo bem inferior em relação aos satélites tradicionais.

 

A Grande Surpresa dos CubeSats na Missão InSight da NASA

A InSight é uma missão do programa do Discovery da NASA para exploração interior do Planeta Marte, usando investigações sísmicas, geodésia e transporte de calor, que irá colocar um único módulo geofísico em Marte para estudar seu interior profundo. Tratarei desse assunto em outro post, no futuro.

Lançada no dia 5 de maio de 2018, com previsão de chegada ao Planeta Vermelho em 26 de novembro de 2018, levou “de carona” em seu veículo lançador alguns CubeSats para diversos tipos de experiências e entre as quais, testar o quão distantes os CubeSats poderiam suportar o recebimento de comandos a partir do nosso planeta.

O resultado: A NASA estabeleceu um novo recorde de distância para CubeSats em 8 de maio, quando um par de CubeSats chamado Mars Cube One (MarCO) alcançou a distância de 1 milhão de quilômetros da Terra. Um do CubeSats, chamado MarCO-B, usando uma câmera com lentes do tipo “olho de peixe”, tirou sua primeira foto no dia 9 de maio de 2018. Essa foto é parte do processo usado pela equipe de engenharia para confirmar a que antena de alto ganho da nave se desdobrou corretamente. Como um bônus, capturaram a Terra e sua Lua como pequenas partículas flutuando no espaço, lembrando o feito da Voyager 1, 28 anos atrás.

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Figura 3. Pálidos pontos flutuantes no Espaço. Nosso lar, o Planeta Terra, e o único lugar do Universo onde o Homem já pisou além de seu planeta natal.

Vendo essas imagens não há como não lembrar da emocionante reflexão de Carl Sagan durante uma palestra pública na Universidade Cornell em 1994, quando apresentou a imagem da Voyager 1 sobre o profundo significado atrás da ideia do “pálido ponto azul”.

Olhem de novo esse ponto. É aqui, é a nossa casa, somos nós. Nele, todos a quem ama, todos a quem conhece, qualquer um sobre quem você ouviu falar, cada ser humano que já existiu, viveram as suas vidas. O conjunto da nossa alegria e nosso sofrimento, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas confiantes, cada caçador e coletor, cada herói e covarde, cada criador e destruidor da civilização, cada rei e camponês, cada jovem casal de namorados, cada mãe e pai, criança cheia de esperança, inventor e explorador, cada professor de ética, cada político corrupto, cada “superestrela”, cada “líder supremo”, cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu ali – em um grão de pó suspenso num raio de sol.

A Terra é um cenário muito pequeno numa vasta arena cósmica. Pense nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, na sua glória e triunfo, pudessem ser senhores momentâneos de uma fração de um ponto. Pense nas crueldades sem fim infligidas pelos moradores de um canto deste pixel aos praticamente indistinguíveis moradores de algum outro canto, quão frequentes seus desentendimentos, quão ávidos de matar uns aos outros, quão veementes os seus ódios.

As nossas posturas, a nossa suposta auto importância, a ilusão de termos qualquer posição de privilégio no Universo, são desafiadas por este pontinho de luz pálida. O nosso planeta é um grão solitário na imensa escuridão cósmica que nos cerca. Na nossa obscuridade, em toda esta vastidão, não há indícios de que vá chegar ajuda de outro lugar para nos salvar de nós próprios.

A Terra é o único mundo conhecido, até hoje, que abriga vida. Não há outro lugar, pelo menos no futuro próximo, para onde a nossa espécie possa emigrar. Visitar, sim. Assentar-se, ainda não. Gostemos ou não, a Terra é onde temos de ficar por enquanto.

Já foi dito que astronomia é uma experiência de humildade e criadora de caráter. Não há, talvez, melhor demonstração da tola presunção humana do que esta imagem distante do nosso minúsculo mundo. Para mim, destaca a nossa responsabilidade de sermos mais amáveis uns com os outros, e para preservarmos e protegermos o “pálido ponto azul”, o único lar que conhecemos até hoje.

—Carl Sagan

 

Nota do autor

Em astronomia, a Unidade Astronômica (abreviada como AU, por recomendação da União Astronômica Internacional) é uma unidade de distância, aproximadamente igual à distância média entre a Terra e o Sol. É bastante utilizada para descrever a órbita dos planetas e de outros corpos celestes no âmbito da astronomia planetária. Em 2012, a União Astronômica Internacional definiu um valor constante e padrão para a UA, até então considerada como aproximadamente 150 milhões de km. O valor da constante é AU = 149 597 870 700 m.

O Krack e a vulnerabilidade das redes Wi-Fi

Analistas de segurança alertam que uma série de vulnerabilidades descobertas no padrão Wi-Fi (rede sem fio), denominada KRACK, deixa expostos milhões de usuários no mundo todo.

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Figura 1. Vulnerabilidade em redes Wi-Fi deixam milhões de usuários expostos.

A falha está presente nas criptografias WPA e WPA2, bastante utilizadas em roteadores Wi-Fi para disponibilizar acesso à Internet sem fio em nossas casas, no trabalho, shoppings, aeroportos etc. Em resumo: as conexões de acesso à Internet sem fio, que pensávamos estar protegidas, na verdade podem estar perigosamente expostas, conforme revela a Equipe de Preparação para Emergência de Computadores dos Estados Unidos (US-CERT):

“O impacto da exploração dessas vulnerabilidades inclui decodificação, repetição de pacotes, sequestro de conexão TCP, injeção de conteúdo HTTP entre outros.”

A vulnerabilidade exige que um dispositivo esteja no alcance de um invasor mal-intencionado.

 

Microsoft sai na frente

Em uma declaração ao The Verge, a Microsoft afirmou que qualquer pessoa que aplique as atualizações do Windows manualmente ou que mantenha o Windows pronto para aplicar as atualizações automáticas deve estar protegida:

“Nós lançamos uma atualização de segurança para resolver esse problema no dia 10 de outubro, dentro do ciclo mensal de atualizações regulares do Patch Tuesday da empresa. Os clientes que aplicaram a atualização ou que mantém ativada a opção para atualizações automáticas estão protegidos.”

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Figura 2. Microsoft já disponibilizou atualização de segurança.

 

As demais plataformas

O problema é maior para usuários da plataforma Linux e Android (cerca de 41% dos dispositivos que usam esta plataforma estão perigosamente vulneráveis), pois esses dispositivos – em especial os que usam o Android 6 ou posterior – contém uma vulnerabilidade que torna trivial a interceptação e manipulação de tráfego de rede Wi-Fi, segundo os especialistas de segurança. Contatada, a Google admite a falha em seu sistema e espera encontrar e disponibilizar uma correção nas próximas semanas.

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Figura 3. Dispositivos que usam o sistema Android, da Google, são os mais afetados.

Como a vulnerabilidade permite que alguns ataques funcionem contra todas as redes Wi-Fi que usam criptografias WPA ou WPA2, mostrando que a fraqueza está no padrão Wi-Fi, dispositivos da Apple (iPhones, iPads e MacOS) também podem estar sujeitos. A Apple ainda não se manifestou a respeito.

 

As recomendações

Se você é usuário Windows 10 (PC ou celular), basta manter o sistema configurado para atualizações automáticas e pronto!  Se ainda utiliza versões antigas do Windows, trate de migrar para o Windows 10, que é a versão mais atual e a mais segura do Windows.

Se você é usuário de dispositivos iOS e Android, evite o uso de redes Wi-Fi, dando preferência a usar a conexão 4G ou 3G de seu pacote de dados, até que seus sistemas sejam corrigidos.

Em ambos os casos, procure atualizar o firmware de seus dispositivos de rede, como roteadores, por exemplo.

A Wi-Fi Alliance, organização que certifica padrões de dispositivos de conexão sem fio, já foi alertada e prepara uma série de ações para corrigir tais vulnerabilidades juntos aos fabricantes de dispositivos.

 

Com informações de Windows Central, WindowsTeam e TecMundo.

O “Grand Finale” da Cassini

Duas décadas no espaço. Este foi o tempo de vida da sonda Cassini, da NASA, que termina sua missão em 15 de setembro de 2017 com um mergulho suicida na densa atmosfera de Saturno até ser esmagada pela alta pressão atmosférica do segundo maior planeta do sistema solar.

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Figura 1. Sonda espacial Cassini, lançada há 20 anos e que há 13 anos explora o sistema de Saturno.

A Cassini cumpriu sua missão prioritária com sucesso e depois, aproveitando-se de seu vigor tecnológico, cumpriu mais uma missão secundária de sete anos com o objetivo de observar as mudanças sazonais no próprio planeta Saturno e numa de suas principais luas, Titã.

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Figura 2. Concepção artística da sonda Cassini sobrevoando Titã, uma das grandes luas de Saturno.

Em abril de 2017, após gastar todo o propulsor da nave, como ato final, a NASA colocou a sonda numa espécie de mergulho programado contra a superfície do planeta que durou cinco meses, totalizando uma série de 22 órbitas chamada de “Grand Finale”. Em cada órbita a passagem pelos anéis do planeta deu à missão incomparáveis observações do planeta e seus anéis como nunca se havia conseguido e em seu último mergulho, no dia 15 de setembro, a nave enviará dados científicos das camadas da atmosfera de Saturno até enquanto suportar a pressão e seus propulsores puderem manter a antena da nave aportada para a Terra. Na sequência a nave queimará e se desintegrará como um meteoro, não deixando qualquer marca de sua passagem pelo sistema de Saturno.

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Figura 3. Imagem real de Saturno feita pela sonda Cassini em sua chegada ao planeta em 2004.

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Figura 4. Imagem real de Enceladus, uma das grandes luas de Saturno, feita pela Cassini, onde se vê claramente vapores de água sendo lançados ao espaço a partir da lua a partir de suas atividades hidrotermais.

Lançada em 15 de outubro de 1997 e chegando a Saturno em 30 de junho de 2004, sua missão principal de quatro anos foi cumprida com sucesso, tendo depois sua turnê prorrogada por mais duas vezes. Suas principais descobertas incluem um oceano global com claras indicações de atividade hidrotermal em Enceladus, além de mares de metano líquido em Titã, luas de Saturno.

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Figura 5. Time de técnicos e cientistas da Cassini, na NASA, despedindo-se de uma missão de sucesso de 20 anos.

Cassini passou 13 anos em órbita de Saturno, após uma viagem de sete anos da Terra. Após tanto tempo assim a nave começou a ficar sem combustível, necessário para que sejam feitos os ajustes de curso. Neste tempo, duas grandes luas de Saturno chamaram a atenção dos cientistas da NASA pela alta probabilidade que as mesmas oferecem de abrigar alguma espécie de atividade biológica. Assim, a fim de evitar a improvável possibilidade de a Cassini colidir com uma dessas luas, a NASA optou por descartar com segurança a espaçonave na atmosfera de Saturno. Isto garantirá que a Cassini não possa contaminar qualquer futuro estudo de habitabilidade e vida potencial nessas luas.

Com o fim de mais uma missão de sucesso da NASA, a humanidade dá mais um passo importante na busca do conhecimento de nosso sistema solar e de mundos que possam, de alguma forma, abrigar condições de vida que possam ser melhor explorados no futuro.  Parabéns para essa grande agência de pesquisa espacial que tanto orgulha todo o planeta, independente de nacionalidade.