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Pálidos pontos, por um CubeSat

Em 14 de fevereiro de 1990 uma imagem, aparentemente comum, impressionou um dos mais famosos astrônomos da nossa era, Carl Sagan. Foi o registro do nosso Planeta Terra, ocupando apenas 1 pixel da imagem, realizado pela sonda Voyager 1 à incrível distância de 40,5 AU, o qual ele chamou de “pálido ponto azul”, alertando-nos para a necessidade de protegermos o nosso planeta.

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Figura 1. Um pálido ponto azul: nosso Planeta Terra, registrado pela sonda Voyager 1 a mais de 6 bilhões de quilômetros de distância.

O tempo passou, a tecnologia espacial avançou e hoje temos “naves” – ou melhor dizendo, satélites – de tamanhos bastante reduzidos – iguais a uma caixa de presentes. São os chamados CubeSat, acrônimo das palavras em Inglês: Cube e Satellite – Cubo e Satélite.

Os CubeSat são um tipo de satélite miniaturizado usado para pesquisas espaciais e comunicações radioamadoras. Os CubeSats normalmente possuem volume de 1 litro (um cubo de 10 cm) e massa de até 1,33 kg. O interessante é que, normalmente, esse tipo de satélite usa componentes eletrônicos “de prateleira”.

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Figura 2. Aspecto de um CubeSat. Uma caixinha de 10 cm de lado, cheia de componentes eletrônicos simples que são lançados em órbita baixa da Terra – abaixo dos 800 km de altitude – para fazer experiências mais simples e com um custo bem inferior em relação aos satélites tradicionais.

 

A Grande Surpresa dos CubeSats na Missão InSight da NASA

A InSight é uma missão do programa do Discovery da NASA para exploração interior do Planeta Marte, usando investigações sísmicas, geodésia e transporte de calor, que irá colocar um único módulo geofísico em Marte para estudar seu interior profundo. Tratarei desse assunto em outro post, no futuro.

Lançada no dia 5 de maio de 2018, com previsão de chegada ao Planeta Vermelho em 26 de novembro de 2018, levou “de carona” em seu veículo lançador alguns CubeSats para diversos tipos de experiências e entre as quais, testar o quão distantes os CubeSats poderiam suportar o recebimento de comandos a partir do nosso planeta.

O resultado: A NASA estabeleceu um novo recorde de distância para CubeSats em 8 de maio, quando um par de CubeSats chamado Mars Cube One (MarCO) alcançou a distância de 1 milhão de quilômetros da Terra. Um do CubeSats, chamado MarCO-B, usando uma câmera com lentes do tipo “olho de peixe”, tirou sua primeira foto no dia 9 de maio de 2018. Essa foto é parte do processo usado pela equipe de engenharia para confirmar a que antena de alto ganho da nave se desdobrou corretamente. Como um bônus, capturaram a Terra e sua Lua como pequenas partículas flutuando no espaço, lembrando o feito da Voyager 1, 28 anos atrás.

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Figura 3. Pálidos pontos flutuantes no Espaço. Nosso lar, o Planeta Terra, e o único lugar do Universo onde o Homem já pisou além de seu planeta natal.

Vendo essas imagens não há como não lembrar da emocionante reflexão de Carl Sagan durante uma palestra pública na Universidade Cornell em 1994, quando apresentou a imagem da Voyager 1 sobre o profundo significado atrás da ideia do “pálido ponto azul”.

Olhem de novo esse ponto. É aqui, é a nossa casa, somos nós. Nele, todos a quem ama, todos a quem conhece, qualquer um sobre quem você ouviu falar, cada ser humano que já existiu, viveram as suas vidas. O conjunto da nossa alegria e nosso sofrimento, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas confiantes, cada caçador e coletor, cada herói e covarde, cada criador e destruidor da civilização, cada rei e camponês, cada jovem casal de namorados, cada mãe e pai, criança cheia de esperança, inventor e explorador, cada professor de ética, cada político corrupto, cada “superestrela”, cada “líder supremo”, cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu ali – em um grão de pó suspenso num raio de sol.

A Terra é um cenário muito pequeno numa vasta arena cósmica. Pense nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, na sua glória e triunfo, pudessem ser senhores momentâneos de uma fração de um ponto. Pense nas crueldades sem fim infligidas pelos moradores de um canto deste pixel aos praticamente indistinguíveis moradores de algum outro canto, quão frequentes seus desentendimentos, quão ávidos de matar uns aos outros, quão veementes os seus ódios.

As nossas posturas, a nossa suposta auto importância, a ilusão de termos qualquer posição de privilégio no Universo, são desafiadas por este pontinho de luz pálida. O nosso planeta é um grão solitário na imensa escuridão cósmica que nos cerca. Na nossa obscuridade, em toda esta vastidão, não há indícios de que vá chegar ajuda de outro lugar para nos salvar de nós próprios.

A Terra é o único mundo conhecido, até hoje, que abriga vida. Não há outro lugar, pelo menos no futuro próximo, para onde a nossa espécie possa emigrar. Visitar, sim. Assentar-se, ainda não. Gostemos ou não, a Terra é onde temos de ficar por enquanto.

Já foi dito que astronomia é uma experiência de humildade e criadora de caráter. Não há, talvez, melhor demonstração da tola presunção humana do que esta imagem distante do nosso minúsculo mundo. Para mim, destaca a nossa responsabilidade de sermos mais amáveis uns com os outros, e para preservarmos e protegermos o “pálido ponto azul”, o único lar que conhecemos até hoje.

—Carl Sagan

 

Nota do autor

Em astronomia, a Unidade Astronômica (abreviada como AU, por recomendação da União Astronômica Internacional) é uma unidade de distância, aproximadamente igual à distância média entre a Terra e o Sol. É bastante utilizada para descrever a órbita dos planetas e de outros corpos celestes no âmbito da astronomia planetária. Em 2012, a União Astronômica Internacional definiu um valor constante e padrão para a UA, até então considerada como aproximadamente 150 milhões de km. O valor da constante é AU = 149 597 870 700 m.

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Um pequeno e pálido Ponto Azul

Após 19 anos no espaço, a sonda Cassini – da NASA – está em sua última missão na órbita de Saturno, começando, em 26/4/2017, uma série de manobras que a levarão mais próxima do planeta, oportunidade em que explorará seus anéis.

No dia 22/4/2017 Cassini passou pela última lua de Saturno e atingiu a gravidade do planeta, para encerrar sua missão com a execução de 22 órbitas, sendo a última programada para o dia 15 de setembro de 2017, quando deve ser destruída, voando diretamente para a atmosfera de Saturno. Enquanto a sonda sobreviver à gravidade – que será maior a cada órbita – aproveitará para tirar fotos e fazer medições sobre a composição dos anéis de Saturno.

A nave sobreviveu à primeira investida aos anéis e, na oportunidade, registrou uma imagem simplesmente incrível: um pequeno e pálido ponto azul, fielmente acompanhado por outro menor, mais embranquecido. A Terra – nosso lar – e a Lua, distantes mais de 1,2 bilhões de quilômetros.

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Figura 1 – Foto realizada pela sonda Cassini entre os anéis do planeta Saturno no início de sua jornada final, que se encerrará em setembro de 2017. Os pequenos pontos na escuridão são o nosso planeta Terra e a nossa Lua.

Vendo essa imagem, não tem como a gente não parar para pensar a respeito e, assim fazendo, não tem como não se lembrar do que disse o grande astrônomo e cientista Carl Sagan (9/11/1934—20/12/1996), quando, em 14/2/1990, viu uma foto da Terra tirada pela sonda Voyager 1 de uma distância de 6 bilhões de quilômetros da Terra, com uma resolução bastante inferior a esta da Cassini:

“Considere novamente esse ponto. É aqui. É nosso lar. Somos nós. Nele, todos que você ama, todos que você conhece, todos de quem você já ouviu falar, todo ser humano que já existiu, viveram suas vidas. A totalidade de nossas alegrias e sofrimentos, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas, cada caçador e saqueador, cada herói e covarde, cada criador e destruidor da civilização, cada rei e plebeu, cada casal apaixonado, cada mãe e pai, cada criança esperançosa, inventores e exploradores, cada educador, cada político corrupto, cada ‘superstar’, cada ‘líder supremo’, cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu ali, em um grão de poeira suspenso em um raio de sol”.

Para refletirmos.

Festival de Agosto

Agosto de 2016 foi um mês especial pra quem gosta de observar o céu como eu.  Na verdade, o show começou lá por volta do mês de junho, com o “alinhamento” de nossa Lua com os planetas Saturno e Marte, conforme figura 1, mas teve seu ápice em agosto.

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Figura 1. Alinhamento planetário: Lua – Saturno – Marte, visto a partir do céu de Mossoró, RN, na noite de 19/06/2016.

Durante todo o mês de agosto, sempre a partir do entardecer, os cinco planetas do nosso sistema solar que são visíveis a olho nu estiveram dando um show no céu, chamando a nossa atenção a observa-los sem a necessidade de qualquer equipamento astronômico, como binóculos, lunetas e telescópios, bastando apenas que levantássemos nossa vista para o céu, sempre a partir do pôr do sol, na direção oeste e continuando em direção ao alto do céu.

Estiveram em conjunção planetária – um termo astronômico que significa a máxima aproximação visual entre dois objetos – os planetas Vênus, Júpiter e Mercúrio (aqui elencados em ordem de tamanho aparente) sempre próximos ao horizonte oeste, logo após o pôr do sol, conforme figura 2, e os planetas Marte e Saturno, no alto do céu após o anoitecer, conforme figura 3.  Em diversas oportunidades a nossa Lua apareceu na festa pra abrilhanta-la mais ainda.

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Figura 2. Alinhamento planetário visto no céu de Mossoró, RN, no anoitecer de 06/08/2016.

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Figura 3. Alinhamento dos planetas Marte (ponto mais abrilhante) e Saturno (ponto brilhante no quadrante superior direito), visto no céu de Mossoró, RN, na noite de 21/08/2016.

No entardecer do dia 27/08/2016, um sábado, o espetáculo entre Vênus e Júpiter atingiram o seu ápice, pois estiveram em máxima conjunção – com menos de 1° de arco celeste, dependendo do ponto de vista pode atingir apenas 4 minutos de arco – dando a impressão de estarem coladinhos um no outro, conforme figura 4.

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Figura 4. Panorâmica do anoitecer em Mossoró, RN, em 27/08/2016, quando observa-se claramente a conjunção planetária entre Vênus (ponto mais brilhante e abaixo) e Júpiter, coladinho acima.

Para se ter uma ideia de quanto é pequena essa separação aparente dos dois planetas, o disco lunar ocupa cerca de 30 minutos de arco na esfera celeste.

Nesta data, no entanto, os planetas Vênus e Júpiter estavam, respectivamente, a 230 milhões e 952 milhões de Km de distância da Terra e mais de 700 milhões de Km entre eles, que inclusive ocupam regiões bastante distintas do nosso sistema solar, estando Vênus na região mais próxima do Sol, em relação a Terra, enquanto Júpiter está situado numa região bem distante do Sol, mas que, em virtude de seu tamanho – o maior dos planetas do nosso sistema – pode ser observado facilmente a olho nu.

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Figura 5. Ápice da conjunção planetária entre Vênus e Júpiter (pontos mais brilhantes à direita na imagem). De brinde, o planeta Mercúrio (pequeno ponto na extrema direita da imagem).

Apontando para cima Uma curiosidade a respeito deste fenômeno é que muitos cientistas acreditam que o mesmo ocorreu à época do nascimento de Jesus Cristo, sendo referenciado nos textos sagrados como a famosa “Estrela de Belém” ou “Estrela de Natal” que serviu de guia aos reis Magos.

O espetáculo do “alinhamento” dos cinco planetas visíveis a olho nu começou no mês de junho, esteve presente durante os meses de julho e agosto, e encerrará nos primeiros dias do mês de setembro.

2014: O ano em que voltamos a olhar para o céu

Desde o fim do Projeto Apollo em 1972 – aquele que culminou com a chegada do primeiro ser humano a Lua em 1969 – parece que havia certo conformismo em nos fixarmos nos arredores do nosso planeta. Não quero dizer que isso não foi válido para a humanidade, pois muitas descobertas científicas e astronômicas foram – e estão sendo – realizadas frutos dos projetos espaciais ocorridos nos últimos 40 anos, entre os quais destaco:

· O Skylab (o primeiro laboratório espacial);

· O programa Pionner, que com suas sondas 10 e 11 – originalmente destinadas a explorar Júpiter e Saturno, ao final da missão foram além em busca do espaço profundo;

· As missões Voyager 1 e 2, que se tornaram as primeiras naves espaciais a explorar onde nada da Terra esteve antes – e continuam a viagem que iniciou em 1977 e hoje encontram-se no espaço interestelar, ou seja, numa região do espaço além da interferência do nosso Sol: são os primeiros objetos construídos pelo homem que saíram do nosso sistema solar e continuam enviando dados importantes sobre uma região do espaço desconhecida de nós.

· A era dos Space Shuttle – os ônibus espaciais reaproveitáveis;

· A International Space Station – estação espacial internacional, o maior laboratório espacial do mundo, que realiza várias experiências científicas em baixa gravidade e serve ao propósito científico de vários países;

· O mais poderoso telescópio espacial já construído – o Hubble – que registrou imagens dos momentos iniciais do nosso universo há mais de 13 bilhões de anos atrás, e continua nos fornecendo imagens impressionantes do universo, objeto de inúmeras descobertas e aprendizado;

· O projeto SOHO – Solar Heliospheric Observatory – que é um esforço cooperativo entre a NASA – Agência Espacial Americana – e a ESA – Agência Espacial Europeia, que tem como objetivo estudar a estrutura interna do Sol, sua atmosfera exterior e a origem do vento solar: nosso Sol monitorado 24 horas por dia; entre outros.

Devido às várias interferências ocorridas nos últimos 40 anos no projeto de exploração espacial humana – principalmente as políticas e financeiras – mantivemo-nos em nosso porto seguro – o planeta Terra – enquanto enviávamos nossos artefatos, cada vez mais avançados tecnologicamente, para explorar o Sistema Solar em nosso lugar. Isso não foi bom. Não devíamos ter parado em 1972!

Mas parece que o cenário está mudando. E isso é motivo de comemorar! Estamos, novamente, olhando para o céu e, o que é melhor, ficando novamente ambiciosos: não queremos mais apenas enviar artefatos não tripulados; queremos novamente explorar o nosso sistema solar com a presença humana.

Como bem retratado no filme Interestelar (2014), “a humanidade nasceu na Terra, mas isso nunca significou que estávamos destinados a morrer aqui”, precisamos sair do nosso porto seguro agora, para que no futuro possamos garantir novas moradias para a espécie humana em outros corpos celeste além da Terra, pois o nosso planeta não suportará o crescimento populacional – proporcionando cada vez mais a degradação do planeta – e seus recursos naturais são finitos.

Infelizmente não estamos cuidando bem do nosso lar – a Terra – que por enquanto é o único local conhecido no universo capaz de sustentar a vida como conhecemos. Talvez, com a necessidade de se adaptar a outros mundos hostis à vida aprendamos a respeitar e a conviver de forma harmoniosa com a natureza do nosso universo, pois somos seres integrantes do mesmo.

Com a nossa tecnologia atual não podemos ir além de Marte hoje, mas precisamos dar o segundo passo e ir a Marte o quanto antes, para podemos sonhar em irmos além no futuro. Parece algo ousado demais? Não é!

No início do século passado, ou há cerca de 110 anos, o maior gênio do século XX – Albert Einstein – publicava a Teoria da Relatividade, um dos maiores e principais alicerces da astronomia moderna e base matemática fundamental para as viagens espaciais, sem a qual estaríamos fadados a permanecer no planeta Terra. Pois bem, apenas 64 anos após a publicação da teoria o homem já pisava na superfície lunar – e isso ocorreu com uma nave cujo poder do sistema computacional era bastante inferior ao que temos hoje em nossos computadores pessoais!

Nos últimos anos temos acompanhado o progresso da exploração do nosso sistema solar – só pra falar na NASA – a Agência Espacial Americana – que mantém projetos exploratórios do Sol a Plutão. Mas, sem dúvida, um dos mais importantes é o Mars Exploration Rovers (2004), que num feito ousado e arriscado conseguiu pousar no planeta vermelho os robôs Spirit e Opportunity que desde então tem feito um excelente trabalho de exploração de Marte, base para a futura missão de exploração humana do nosso vizinho planeta.

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Figura 1 – Aspecto dos robôs do projeto Mars Exploration Rovers da NASA em Marte.

Voltando a 2014, vimos o sucesso da missão Rosetta – da ESA – que pela primeira vez pousou um módulo robótico – Philae – na superfície de um cometa – o 67P/Churyumov-Gerasimenko – que viaja entre as órbitas da Terra e Júpiter. Mais um grande feito da genialidade humana, que causou repercussão mundial e que pôde ser assistido ao vivo pela Internet.

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Figura 2 – Módulo Philae da Missão Rosetta no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko

E para coroar 2014 o mais importante evento da retomada humana às viagens espaciais: o teste da nova nave espacial da NASA – a Orion – que no início de dezembro realizou com sucesso sua primeira viagem ao espaço, dando duas voltas na Terra e retornando em seguida, terminando com uma queda suave no Oceano Pacífico. Como primeiro teste, não foi tripulado, mas serviu para verificar o funcionamento dos novos sistemas e instrumentos; o foguete Delta IV, responsável por colocar a nave em órbita; estrutura da cápsula de retorno e vários outros aspectos relacionados a uma viagem espacial. Tudo ocorreu conforme o planejado, o que é muito bom para não atrasar o cronograma de atividades e permitir que até 2021 o homem possa estar pousando num asteroide e a partir de 2030, se tudo correr conforme os planos, no planeta Marte.

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Figura 3 – Foguete Delta IV levando a nave especial Orion – que levará o homem à Lua e a Marte – para o teste orbital e de pouso.

Alguns dias após o teste da nave Orion a NASA presenteou 2014 com mais um grande feito: o teste de decolagem, navegabilidade e pouso do novo módulo lunar – Morpheus. Isso mesmo! Antes de irmos a Marte, faz parte do plano um pouso na Lua novamente. O teste do módulo lunar foi perfeito: subiu a cerca de 300 metros, sobrevoou uma região próxima à procura de um lugar adequado e pousou suavemente. Tudo isso na gravidade terrestre, que é bem superior à gravidade lunar.

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Figura 4 – Teste de decolagem e pouso do futuro módulo lunar Morpheus.

Sempre fui fascinado com a viagem do homem à Lua e espero ter o privilégio de poder assistir ao vivo o primeiro ser humano pisar na superfície do planeta vermelho, dando início ao processo de colonização de um novo planeta.

Assim como no Natal de 1968 os astronautas da Missão Apollo 8, em órbita lunar, registraram a linda imagem do nosso planeta a partir da Lua (ver figura 5), emocionando o mundo com uma linda oração realizada a patir da órbita de outro corpo celeste, fazendo com que muitos tenham creditado ao feito como o fato que salvou o conturbado ano de 1968, penso que 2014 também se torna um ano para ficar na história. O ano em que uma nova jornada começa a nascer. A jornada que nos levará além de nossa lua.

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Figura 5 – Primeira imagem do planeta Terra registrada a partir da órbita de outro corpo celeste: a nossa Lua, em dezembro de 1968.

É imperativo que a raça humana reinicie a exploração espacial se quiser continuar existindo. A Terra, infelizmente, não durará para sempre. Sequer o nosso Sol durará para sempre. Não devíamos ter parado em 1972, mas é muito bom que tenhamos acordado novamente e voltado a olhar para o céu em 2014.

Montando o Sistema Solar – 2ª Etapa (Fase 2): Terra e Lua

Dando continuidade a montagem do meu sistema planetário, ao final deste post veremos como está o projeto após a inserção do mais importante planeta de todos: Terra – o nosso lar.

Terra – o nosso lar

Única no nosso sistema solar, a Terra é um mundo propenso à vida, parecendo que foi criada com o objetivo de permitir que a nossa espécie – e outras tantas incontáveis – pudesse existir.

O único planeta conhecido que possui um clima bastante moderado, com mares e vastas extensões de terra firme e um incrível, mas delicado, sistema de alternância de ciclos e equilíbrio entre diversas forças. 

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Figura 1 – Terra vista do espaço.

Vários aspectos tornam o nosso planeta especial e exclusivo no sistema solar:

  • É o único planeta a apresentar placas tectônicas, permitindo regular a temperatura interna do planeta.
  • Possui uma inclinação axial de 23,45º que possibilita, ao longo do período de translação, que primeiro um hemisfério e depois o outro receba uma grande quantidade de luz que, aliado ao período de rotação de apenas 24 horas, permite a alternância de dias e noites, sem as quais a Terra seria um mundo morto, muito mais frio nos polos e tremendamente tórrido no equador.
  • Possui um campo magnético protetor, como uma espécie de couraça que desvia as partículas mais daninhas da radiação solar antes de alcançarem a nossa superfície.
  • E possui um satélite natural – a Lua – relativamente grande em relação ao planeta, protegendo-nos da maioria dos impactos de asteroides, além de promover, aliado a outros fatores, o ciclo das mares na Terra, essencial ao equilíbrio planetário necessário à manutenção da vida.

Situada a 150 milhões de quilômetros do Sol, é o maior dos planetas rochosos.  Suas dimensões excedem um pouco as de Vênus e bastante as de Marte e Mercúrio.  Em comparação ao Sol e até mesmo aos demais planetas do sistema solar, no entanto, nosso planeta não passa de um ponto perdido no espaço. 

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Figura 2 – Concepção artística mostrando a proporção de tamanhos entre o Sol e planetas do sistema solar.

O sistema Terra-Lua

A Lua, satélite natural da Terra, possui um tamanho considerável em comparação ao nosso planeta.  Isso faz com que ambos tenham uma grande influência recíproca e alguns cientistas classificarem a Terra-Lua como um planeta duplo.

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Figura 3 – A Lua.

A Lua tem um tamanho equivalente à quarta parte da Terra, com 1/50 do seu volume e 1/80 de sua massa.  Isto é muito grande para um satélite.

Um dos fenômenos naturais terrestres mais conhecidos e facilmente comprovado por nós são as marés, que acontecem por influência direta da Lua, que provoca uma espécie de abaulamento ocasionado pelo puxão causado pela gravidade do nosso satélite natural.  Na verdade a influência gravitacional é tal que chega a alterar a forma do nosso planeta!  Ou seja: a Terra não seria a mesma sem a Lua.

O material da segunda fase da 2ª etapa

Com quatro fascículos e uma leitura sempre agradável e enriquecedora, as peças para a montagem do sistema Terra-Lua são apresentadas.

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Figura 4 – As peças da segunda fase da etapa 2.

Não deixo de me impressionar com a qualidade do material que compõe as peças do planetário.  Abaixo, em destaque, uma das catracas para mostrar o belíssimo acabamento do produto.

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Figura 5 – Uma das catracas quem compõe a engrenagem do sistema Terra-Lua.

Os planetas de cada kit são exclusivos, pois são pintados a mão, um a um.  Abaixo, o planeta Terra com um excepcional acabamento artístico.

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Figura 6 – O excelente trabalho de pintura à mão do globo terrestre.

Mãos à obra!

Juntadas as peças e as ferramentas necessárias, que incluem chave philips, chaves allens e tesoura, iniciei a montagem das engrenagens do sistema Terra-Lua.  Um trabalho que exige bastante atenção e cuidado, pois algumas peças exigem o lado correto para colocação dos parafusos e os mesmos são muito pequenos, correndo o risco fácil de se perderem.  Para isso, portas e janelas fechadas e um sonzinho suave para acompanhar são pré-requisitos fundamentais. Smiley piscando

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Figura 7 – Parafusando uma das engrenagens.

Ao final de alguns minutos as engrenagens estavam montadas e mais uma vez tive que fazer a desmontagem do eixo central do planetário, o que exigiu bastante cuidado devido as engrenagens dos planetas anteriores, além do peso que já é considerável.

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Figura 8 – As engrenagens já instaladas no eixo central do planetário. Cada vez mais complexo.

Após a inserção das engrenagens, foi a vez de acoplar o braço de sustentação da Terra e da Lua, dando uma beleza particular ao planetário, afinal a Terra é o planeta mais lindo que existe. Polegar para cima


Figura 9 – O sistema Terra-Lua inserido no planetário. 

Afastando-se um pouco, percebemos melhor a inserção do sistema Terra-Lua no planetário e a complexidade de engrenagens que já se mostra visível.

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Figura 10 – O Sol e os três primeiros planetas: Mercúrio, Vênus e o sistema Terra-Lua. Complexidade visível do sistema de engrenagens.

E por último, o aspecto do planetário ao final da montagem das peças da segunda fase da 2ª etapa, que já contém os três primeiros planetas e a primeira lua do sistema solar.

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Figura 11 – Aspecto atual do planetário.

Mais uma fase concluída.  Agora é aguardar o recebimento dos próximos fascículos com novas peças para dar continuidade ao projeto.  Não vejo a hora!

Próximo destino: Marte! Smiley piscando