Contemplando a Capella

Desde criança que o céu – e seus mistérios – sempre foi um campo de estudo fascinante para mim.  Não me canso de observá-lo e me questionar em quais daquelas estrelas outros seres viventes estão também a nos observar.

Preparando-me para ler o próximo livro da minha lista – Os Exilados da Capella – sugestão da amiga Sandra Chagas Polegar para cima, resolvi fazer uma pesquisa sobre esse sistema estelar, referenciado na literatura espírita.

Primeiramente queria descobrir se a Capella poderia ser vista a olho nu e, mais importante, a partir de nosso hemisfério sul – e mais ainda, a partir de nossa latitude. E que bom que a resposta é sim! Nossa posição é bastante privilegiada para sua observação.

A foto abaixo eu fiz depois de pesquisar sobre sua localização no nosso céu.
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Figura 1 – A estrela Capella – ponto mais brilhante na parte superior central da imagem – no céu de Mossoró-RN, na madrugada do dia 31/01/2016.

Então a Capella – que na verdade é um sistema binário formado por duas estrelas que giram em torno uma da outra a uma distância média de cerca de 115 milhões de quilômetros – mais perto uma da outra do que a Terra e o Sol – é este ponto mais brilhante na metade superior da imagem acima.

Apontando para cima E olha só que curiosidade interessante: nosso Sol e a estrela Capela têm a mesma classe espectral! Isto significa que são da mesma cor, o que muito provavelmente a faz liberar o mesmo tipo de energia luminosa e eletromagnética, embora a Capella seja uma gigante com capacidade luminosa entre 100 e 150 vezes mais que nosso Sol, até mesmo devido ao seu tamanho em relação ao nosso Sol. A imagem abaixo poderá dar uma ideia melhor disto. Smiley surpreso

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Figura 2 – Comparação de tamanho do sistema estelar da Capella em relação ao nosso Sol.

Na foto acima se percebe ainda duas outras estrelas menores, avermelhadas, denominadas Capella Ha e Capella Hb.  São duas anãs-vermelhas que também fazem parte do sistema estelar, embora estejam distantes das estrelas principais cerca de 12.000 vezes!

Smiley nerd Só pra você entender melhor e não ficar voando… Anãs vermelhas são estrelas de muito baixa massa, geralmente inferior a 40% da massa do nosso Sol, com baixa temperatura interior e bastante lenta na geração de energia, o que as fazem emitir pouca luz, com uma luminosidade que em alguns casos apenas atinge 1/10 000 da luminosidade solar. Até mesmo a anã vermelha maior tem somente cerca de 10% da luminosidade do Sol!

O sistema estelar da Capella é alvo de estudo dos cientistas que acreditam existirem outros corpos celestiais a serem descobertos no futuro, quando nossa tecnologia nos permitir.

Apontando para cimaE quer saber de outra coisa mais interessante ainda?  Estudos mais atuais sugerem uma zona habitável em torno de Capella A e B. Ou seja, há fortes indícios da existência de planeta que possa permitir a vida! Smiley piscando

Em termos de distância em relação a nós, vamos tomar como base o nosso Sol, distante de nós 8 minutos-luz, ou seja, o tempo que sua luz leva para chegar até nós, o que traduzindo em quilômetros equivale a cerca de 150 milhões.  A Capella, então, está distante de nós cerca de incríveis 43 anos-luz (uma viagem na velocidade da luz duraria 43 anos), ou seja, quase 3 milhões de vezes mais distante que o nosso Sol. 

Fico imaginando como seres de um planeta desse sistema poderiam chegar até nós… Nossa tecnologia atual só agora nos permite chegar ao nosso vizinho planeta Marte, cerca de 3 minutos-luz! Smiley pensativo

No nosso céu visível, a Capella está entre as “dez mais”, figurando na sexta posição no ranking das mais brilhantes. É a estrela – ou estrelas – mais brilhante da constelação Auriga, que de nossa posição – durante a madrugada de janeiro – poderá ser vista no quadrante noroeste do céu.

Então agora que já sabe como localizar, vale a pena contemplar nosso céu noturno… Parar um pouquinho pra pensar na possibilidade de não sermos os únicos seres vivos a habitar um mundo entre bilhões e bilhões existentes somente em nossa galáxia ou grupo local.  Isto nos faz sentir que somos parte do universo e ao mesmo tempo nos torna mais humildes, mais zelosos pelo nosso planeta e também gratos à suprema inteligência divina que criou tudo que está ao nosso redor e em todo o universo.

O que este universo infinito terá a nos revelar no futuro?  Pensemos…

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Software ruim: a culpa não é dos desenvolvedores

Lendo um artigo de Jim Bird – colunista internacional do iMasters – com o título “Não reclame de software ruim para o desenvolvedor: a culpa é de seus gestores” vi no texto uma realidade da qual fiz e ainda faço parte como desenvolvedor de software: a eterna alegação de que nossas soluções não parecem “boas o bastante”, ou seja, por culpa nossa – desenvolvedores – enquanto sabemos nós que a realidade é outra bastante diferente.

Em seu artigo, Jim Bird afirma que “gerentes – e não desenvolvedores – decidem o que significa qualidade para a organização. O que é bom e o que é ‘bom o suficiente’”. Entenda-se, aqui, gerentes como os responsáveis pelas organizações, diretorias, setores, etc. Aqueles que, de fato, devem – ou pelo menos deveriam – entender sobre as regras de negócio, rotinas operacionais e fluxo de dados que estão incumbidos de gerenciar. Mas não é assim que acontece na prática, infelizmente.

Como gestor, Jim Bird afirma que cometeu um monte de erros e tomou más decisões sobre sua carreira. Cortou qualidade para cortar custos. Deu para as equipes prazos que não podiam ser cumpridos. Fez controle sobre horários e prioridades, tentando espremer os recursos para tornar o cliente ou um executivo de marketing feliz. Foi intransigente com desenvolvedores e testadores que lhes diziam que o software não estava pronto e que eles não tinham tempo suficiente para fazer as coisas corretamente. Deixou dívidas técnicas se acumularem, insistindo que teriam que entregar agora ou nunca, e que de alguma forma fariam tudo certo mais tarde.  Errou, errou feio, mas aprendeu com os próprios erros, afirma ele.

Para Jim Bird – e eu concordo plenamente com ele – uma das principais falhas em projetos de desenvolvimento de software acontece quando os gestores ignoram os sinais de alerta dados pelos desenvolvedores. A dica, nestes casos, é simples: escute os desenvolvedores quando lhe dizem que algo não pode ser feito, ou não deve ser feito, ou tem que ser feito. Os desenvolvedores estão geralmente dispostos a trabalhar muito, para chegar longe. Então, quando eles dizem que não podem fazer algo, ou que não devem fazer algo, preste atenção!

Por experiência própria, vários projetos de desenvolvimento de software foram abandonados e outros caminham a passos de tartaruga por culpa única e exclusivamente dos gestores terem ignorados os sinais de alerta dos desenvolvedores.

Enquanto não pudermos ter gestores com experiência prática, capacitados e atualizados, fica valendo a dica do Jim Bird: “Como gerente, a coisa mais importante que você pode fazer é não enviar sua equipe para o fracasso. E isso não é pedir demais”.

Chegamos a Plutão: mais um grande salto da humanidade na exploração do nosso sistema solar

O dia 14/07/2015 entrou para a história da exploração espacial com a chegada – com sucesso – da primeira missão da NASA com objetivo de desvendar os mistérios do Cinturão de Kuiper e o seu principal astro, o planeta-anão Plutão e sua principal lua Caronte, até então um corpo pouco conhecido e inexplorado devido a sua grande distância do Sol.

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Figura 1. Sonda da Missão New Horizons que chegou a Plutão em 14/07/2015. Imagem da NASA.

É um privilégio hoje em dia podermos acompanhar – via NASA TV e Internet – tal façanha humana de conseguir – com extrema precisão matemática – enviar um artefato científico a tão grande distância e fazê-lo passar a apenas 12.800 km da superfície do planeta – para você ter uma ideia, nossos satélites de TV estão a 36.000 km da superfície da Terra. Eu, particularmente, não deixo de me emocionar ao acompanhar cada conquista humana na exploração espacial.

De fato, Plutão está tão distante de nós que a luz do Sol leva quase 7 horas para chegar até lá quando o mesmo está no ponto mais afastado de sua órbita – em termos comparativos a luz solar leva apenas 8 minutos para atingir a Terra.

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Figura 2. Região do Cinturão de Kuiper.

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Figura 3. Plutão e sua maior lua, Caronte, numa tomada a partir da sonda da missão New Horizons, ainda há milhões de km de distância. Imagem da NASA.

Além da distância, o seu tamanho reduzido – em comparação com os demais planetas – dificulta a observação e análise do mesmo a partir das cercanias da Terra. Até mesmo o Hubble, nosso telescópio espacial mais potente, tem dificuldades para observar Plutão.

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Figura 4. Imagem de Plutão captada a partir do telescópio espacial Hubble. Imagem da NASA.

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Figura 5. Imagem de Plutão captada a partir da sonda da missão New Horizons, ainda distante 780.000 km do planeta. Imagem da NASA.

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Figura 6. Imagem da New Horizons em close up numa região próxima ao equador de Plutão revela uma cadeia de montanhas com até 3.500 metros de altitude. Imagem da NASA.

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Figura 7. Concepção artística mostrando a relação de tamanho de Plutão e sua maior lua, Caronte, com a Terra. Imagem da NASA.

 

Novos Horizontes

A missão New Horizons foi lançada em 19 de janeiro de 2006 e ao cruzar a órbita de Júpiter ganhou um “empurrão gravitacional” fazendo a sonda atingir a maior velocidade já atingida por um artefato humano – 49.600 km/h – e mesmo assim a viagem levou mais de 9 anos, completando, assim, o reconhecimento básico do Sistema Solar, de Mercúrio a Plutão.

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Figura 8. Lançamento da Missão New Horizons em 2006. Imagem da NASA.

A New Horizons tem a missão de estudar Plutão e os confins do Sistema Solar, em especial o Cinturão de Kuiper, uma relíquia da formação do Sistema Solar situado além de Netuno. A existência desse cinturão foi sugerida em 1951 pelo astrônomo holandês Gerard Kuiper (1905-1973). O primeiro objeto dessa região foi descoberto em 1992 e, de lá para cá, já foram catalogados mais de mil outros pequenos objetos chamados de transnetunianos. Acredita-se que nessa região existam mais de 100 mil pequenos objetos celestes.

Assim como 2014 ficou marcado pela Missão Roseta, da ESA, 2015 ficará conhecido como o ano da Missão New Horizons, da NASA, conseguindo chegar a Plutão e além no Cinturão de Kuiper.

Estamos vivendo momentos marcantes na exploração espacial e isto é muito bom e importante para toda a humanidade.

Devido às nossas limitações tecnológicas atuais, não podemos atingir grandes distâncias em curto espaço de tempo, mas o importante é não se deixar intimidar e ir sempre além. Ao passo em que as novas tecnologias nos proporcionarão atingir velocidades cada vez maiores, poderemos atingir lugares inexplorados cada vez mais distantes em nosso Sistema Solar, aprendendo cada vez mais sobre novos mundos que possam nos servir de morada no futuro.

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Figura 9. Equipe da NASA comemora o momento exato do “flyby” da New Horizons em Plutão. Imagem da NASA.

De parabéns estão todos os membros da equipe da missão New Horizons e a NASA, um verdadeiro patrimônio científico da humanidade. Polegar para cima

Entendendo “O Segundo da Morte” de 30 de Junho de 2015

O dia 30 de junho de 2015 foi oficialmente escolhido para ser o dia mais longo dos últimos anos, com o acréscimo de 1 segundo. E este segundo é o suficiente para “travar” computadores, sistemas e até a Internet.

De forma mais clara falando, em números redondos um dia dura 86.400 segundos. Este é o padrão que usamos em nosso dia-a-dia. É o chamado relógio ou tempo UTC (Universal Time Coordinated), que se baseia nas previsíveis transições eletromagnéticas dos átomos de Césio, tão confiáveis que o relógio de Césio tem a precisão de 1 segundo em 1.400.000 anos!

Não tão preciso assim, no entanto, é o dia solar da Terra, que é o tempo que o planeta leva para girar e completar uma volta em si mesmo. Este tempo é de 86.400,002 segundos, ou seja, dois milésimos de segundo de diferença em relação ao relógio atômico. Isso ocorre porque a rotação da Terra está gradualmente diminuindo devido a vários fatores, entre os quais a relação gravitacional com o Sol e a Lua, que causa uma espécie de “arrasto” retardando a rotação. Os cientistas estimam que o que solar médio não tem sido 86.400 segundos desde o ano de 1820, aproximadamente.

O comprimento do dia na Terra é influenciado por vários fatores, como aspectos atmosféricos e as variações sazonais e diárias do tempo, bem como a dinâmica do núcleo interno do planeta, o efeito das marés, águas subterrâneas e armazenamento de gelo. Até o El Niño pode causar diferença – neste caso a maior – no período de rotação da Terra.

Mas essa diferença de dois milissegundos – muito menos que o piscar de um olho – dificilmente perceptível no começo, de forma repetida ao longo dos anos, chegaria ao ponto em que nos encontramos, totalizando 1 segundo de diferença.

Os cientistas monitoram o tempo da Terra usando uma técnica extremamente precisa chamada de VLBI (Very Long Baseline Interferometry) realizada por uma rede mundial de estações que são extremamente precisas, pois se utilizam de posicionamentos medidos a partir da referência de objetos astronômicos distantes a bilhões de anos-luz da Terra, como Quasares. Este padrão de medição é chamado UT1 (Universal Time 1) e não é uniforme como o padrão UTC (explicado acima). No padrão UT1 “saltos” para mais ou para menos são realizados para ajustar o relógio de acordo com o período real de rotação da Terra.

Entendo melhor, quando a medição do tempo UT1 chega a divergir muito do padrão de medição UTC, como está ocorrendo agora, é o momento de reagir para corrigir a discrepância adicionando um segundo ao dia.

O acréscimo de um segundo é realizado sempre em 30 de junho ou 31 de dezembro. Normalmente, o relógio mudaria de 23:59:59 para 00:00:00 do dia seguinte. Mas com o segundo salto em 30 de junho, UTC vai passar de 23:59:59 23: 59:60 e depois de 00:00:00 em 1 de julho.

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Figura 1. Ilustração da NASA mostrando que em 30 de junho de 2015 o dia terá 23 horas, 59 minutos e 60 segundos (em vez do normal, que seria 59 segundos).

E o que o sistema computacional tem a ver com isso? Tudo a ver! Nos sistemas computacionais não existe a hora 23:59:60, pois após às 23:59:59 do dia 30 de junho os sistemas passam para 00:00:00 do dia 1 de julho. Mas este ano não! Haverá o “Segundo da Morte” no meio do caminho. E sistemas computacionais de alta precisão na marcação do tempo precisarão ser desligados ou “travados” por um segundo para retornarem exatamente à zero hora do dia 1 de julho.

Para os usuários finais, em geral, isso passará despercebido, mas para os administradores de sistemas deverão ficar alertas quando o relógio oficial marcar zero hora do dia 1 de julho e, se for o caso, fazer os ajustes necessários nos relógios de seus servidores.

Sobrou pra nós! A Terra ficando mais lenta e nós – administradores de sistemas – tendo que se virar para manter o tempo em dia. Smiley confuso

Eu DBA – O Início da Saga

Neste artigo vamos fazer uma viagem ao passado – lá pela segunda metade dos Anos 80 – para relatar um pouquinho de minha história – e de muitos jovens da época – com a programação de computadores até me tornar o que sou hoje: DBA (administrador de bancos de dados).

Numa época de condições financeiras nada favoráveis e disponibilidade de recursos de aprendizagem escassos a gente se virava como podia – revistas emprestadas, poucos livros disponíveis e até mesmo uma “colinha” em exemplares nas bancas para pegar um trechinho de código que pudesse ajudar nos estudos.

Naquela época a Internet nem imaginava existir, ainda mais nos moldes que a conhecemos hoje, e as leis brasileiras restringiam bastante a entrada de novas tecnologias no país – e até hoje somos atrasados tecnologicamente.

Como sempre gostei de matemática – anos depois acabaria por me graduar em Matemática e depois me especializar em Informática – desvendar-me pelo mundo da computação era um desafio muito prazeroso.

Desde o começo o meu foco foi pelo desenvolvimento para bancos de dados. Sempre achei incrível a programação para o armazenamento e recuperação de informações e uma de minhas primeiras ideias era criar um banco de dados para armazenar os dados dos meus livros.

É aí que começa a saga com os computadores pessoais, mais especificamente com o TK 90X.

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Figura 1. Logomarca do TK 90X color computer.

O TK 90X, produzido pela Microdigital em 1985, foi o primeiro clone brasileiro do microcomputador inglês ZX Spectrum produzido pela Sinclair Reseach. Utilizava como linguagem de programação residente o BASIC Sinclair (hoje temos a poderosa C#). Seu processador era um Z80A, de 8 bits (hoje temos os processadores de 64 bits nos notebooks e tablets), com um Clock de 3,58 MHz (o meu smartphone atual é 850 vezes mais veloz). A Memória RAM era de incríveis 48 Kbits (o meu smartphone atual tem 22 mil vezes mais memória que isso) e resolução de vídeo era de 192 x 256 pixels (as resoluções 4K hoje em dia suportam 3840 × 2160 pixels), com uma quantidade de cores suportada de 8 cores, com 2 tons cada (os monitores atuais suportam mais de 16 milhões de cores).

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Figura 2. TK 90X color computer. Meu primeiro computador pessoal.

Na época, um regulamento brasileiro especial permitia que a indústria local pudesse produzir e vender cópias de computadores estrangeiros (só para o mercado doméstico) e por isso obteve um grande sucesso no Brasil, iniciando muitos jovens da época na arte da programação de computadores, entre os quais eu.

Era sofrido, mas era incrível naquela época, sem recursos, sem Internet, sem literatura adequada, sem instrutores, sem outras pessoas com quem conversar a respeito – na época éramos eu e meu primo e amigo, então proprietário do TK 90X, dividindo experiências e conhecimentos adquiridos na programação de computadores.

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Figura 3. Dois dos raros livros disponíveis no Brasil na época voltados para a programação.

Quando me tornei proprietário do TK 90X é que pude me aprofundar mais nos estudos, durante as noites-madrugadas, depois que a TV ficava livre e disponível. Sim, o TK 90X não possuía monitor e tínhamos que liga-lo à TV para poder funcionar. E naquela época não tínhamos TV em cada cômodo da casa como hoje em dia não, heim?

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Figura 4. Aspecto da tela da TV com o a interface do TK 90X e um trecho de código em linguagem BASIC de programação.

O chato era que o aparelho não possuía sistema de armazenamento permanente, ou seja, ao desliga-lo se perdia toda a programação feita e no dia seguinte tínhamos que iniciar a programação do zero! Já deu pra imaginar que não dava pra criar grandes programas desta forma né? Tinha que adquirir um gravador de fita K7 – isso mesmo, os dados permanentes eram armazenados em fita K7, na velocidade padrão de uma fita K7, dá pra imaginar isso? E você ainda reclama da lentidão de seu computador atual…

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Figura 5. Aspecto de um ambiente de trabalho com o TK 90X na época. Imagem da Internet.

Com o advento do gravador de fita K7 pude armazenar meus primeiros programas de bancos de dados, sendo estes os eventos iniciais de minha saga na programação para bancos de dados, o que ainda realizo até os dias atuais, mas com as grandes facilidades da época atual, como linguagem de programação de alto nível e recursos de pesquisa e computacionais altamente avançados, além da Internet e os grupos de discussão especializados existentes por todo o ambiente virtual, tendo passado antes pelas gerações do MSX, CP 500 da Prológica, IBM PC XT, toda a família x86 até os PCs e notebooks atuais.

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Figura 6. Computador MXS da Gradiente. Este já possuía cartuchos para gravação dos programas.  Foto da Internet.

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Figura 7. Meu primeiro curso de programação foi com o CP 500, que já utilizava disquetes de 5 polegadas. Um avanço na época.

Hoje, não precisamos sair de casa. Não precisamos de cursos especializados. Não precisamos de mestres instrutores. Precisamos apenas da nossa capacidade matemática e a mesma garra e disposição que tínhamos nos anos primeiros da saga para construirmos grandes soluções que não ficam restritas apenas ao nosso ambiente computacional pessoal, mas atingem números que passam da casa dezenas de milhares de pessoas, através do ambiente compartilhado da Internet.

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Figura 8. Aspecto atual do meu ambiente de trabalho em casa. Computadores avançados e Internet para conectar-me com o mundo.

E olhando assim para trás é que a gente percebe como a tecnologia avançou desde os incríveis Anos 80, onde tudo começou, e vendo as notícias de tecnologia atuais imaginamos como será daqui a 30 anos, com todo o avanço na área de robótica e inteligência artificial.

De minha parte, vou continuar com o meu foco na programação voltada para bancos de dados, mas sempre com os pés no momento presente, adequando os estilos, usando as melhores ferramentas disponíveis e idealizando as melhores soluções na gestão de sistemas de bancos de dados.

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Figura 9. Aspecto da interface de programação atual utilizando linguagem C#.

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Figura 10. Aspecto da interface de um aplicativo desenvolvimento para smartphones atuais.

O desafio de hoje não são os raros recursos disponíveis, mas sim a enorme variedade de ferramentas, ambientes e tecnologias disponíveis, logicamente aliados à velha disposição e garra de dominar os novos desafios e algo que só o tempo e a experiência de vida pode proporcionar: o conhecimento por experiência prática e não teórica. Smiley piscando

A saga continua!!!

A realidade por trás da ação de Mad Max: hoje somos as rãs na água fervente

Não há como deixar de se impressionar com o cenário mostrado no filme Mad Max: Estrada da Fúria (2015). E aqui não me refiro às constantes cenas de ação que o filme proporciona do início ao fim, mas a outro aspecto que se mostra cada vez mais presente, de forma perigosamente lenta, a nos enganar até nos pegar totalmente sem condições de reverter a situação.

Refiro-me ao dramático cenário pós-apocalíptico retratado no filme com a falta d’água no planeta, levando ao caos a sociedade da forma como a conhecemos hoje. Quem viu o filme pode sentir a luta de um grupo de sobreviventes pela água, diante um mundo seco, sem vegetação, sem agricultura. Como consequência, a aridez da terra e o surgimento de grupos rivais que lutam, a todo custo, pelos limitados recursos, cometendo todo o tipo de barbárie. A humanidade não está tão distante de um cenário assim, infelizmente.

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Foto 1. Charlize Theron – a Furiosa de Mad Max – entra em desespero quando descobre que o sonhado “mundo verde” não mais existe.

É impressionante como o cenário de falta d’água tem crescido no Brasil em tão pouco tempo.  Você tem reparado nisso?  Acompanha os noticiários a respeito?  Se preocupa com isso?  Pelo menos pense a respeito.

Se antes o Nordeste era a expressão da seca e falta d’água, hoje o Sudeste – região mais populosa do país – sofre com a escassez de água. Não que no Nordeste o cenário tenha mudado pra melhor, muito pelo contrário.

Chega a ser desesperador ver os enormes mananciais que há pouco tempo abastecia milhões de pessoas com água atingirem níveis críticos e – em alguns casos – irreversíveis, segundo relatos de pessoas que estudam e acompanham a crise, como o Greenpeace, por exemplo.

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Figura 2. Cantareira, em São Paulo, no momento mais crítico (final de 2014 e início de 2015).

Hoje somos as rãs da história da rã na água fervente!

Enquanto as atenções se voltam para grandes eventos – como foi o caso da Copa 2014 e como serão as Olimpíadas Rio 2016 – e também a corrupção generalizada no Brasil, além do eterno ciclo de 2 anos com eleições em níveis municipal e estadual e federal, a natureza vai dando seu recado aos poucos, ou seja, vai aumentando a temperatura da água na panela, enquanto ficamos acomodados.

Há exatos 10 anos estive na cidade de Pau dos Ferros, Rio Grande do Norte, mais precisamente na barragem que abastecia a cidade e outras cidades próximas e o cenário era outro completamente diferente do que se vê hoje. (veja figuras 3 e 4)

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Figura 3. Barragem de Pau dos Ferros em 2005.

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Figura 4. Barragem de Pau dos Feros em 2015.

A natureza cobra caro pelo desprezo com que a espécie racional do planeta – será? –  tem tratado seus recursos naturais, em especial, a água.

É impressionante como não sabemos usar os recursos naturais de forma racional, conscientes de que não são ilimitados. Estamos poluindo nossos rios e mares por que é fácil jogar os dejetos sem tratamento e “a correnteza vai levá-los para outro lugar mesmo”.

Vejamos o absurdo que é – e assim está há anos sem nenhuma autoridade política, intelectual e/ou jurídica se manifestar – a poluição do rio Mossoró. (veja figura 5)

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Figura 5. Rio Mossoró (rio?) completamente poluído e tomado por aguapés em pleno centro da cidade.

Na cidade conhecida como a Capital do Semiárido do Nordestino, com 300 mil habitantes, ter um rio cortando-a no meio, deveria ser motivo de orgulho da população. Orgulho em tratá-lo bem e mostrá-lo como algo belo e agradável para a própria população e visitantes. Em vez disso maltratamos e poluímos num descaso que beira a irracionalidade. E as autoridades políticas? Nada. Vangloriam-se quando, a cada governo, “atualizam” os planos diretores que nunca saem do papel. Permitem construções irregulares nas margens do rio, talvez para ajudar a esconder a poluição do mesmo, retrato da incapacidade de gestão pública e intelectual do nosso povo em resolver o problema.

Já estamos pagando a conta, só que não percebemos. E é aí onde mora o perigo! E as próximas faturas virão com juros cada vez mais altos.

Segundo a ONU – Organização das Nações Unidas – a comunidade internacional precisa se preparar para a nova era da “hidro-diplomacia”, à medida em que a ameaça de escassez de água ameaça mergulhar o mundo em um período de tensão geopolítica.

Segundo a opinião é vice-secretário-geral da ONU, Jan Eliasson, “a água é uma das maiores prioridades para o desenvolvimento e para uma vida digna, assim como um fator para manter a paz e a segurança”. E continua: “existe a necessidade de uma ‘hidro-diplomacia’ – fazendo da escassez de água uma razão para cooperação ao invés de uma razão para conflito.”

A difícil situação da água que o mundo enfrenta foi recentemente exemplificada pelo Relatório das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento de Água 2015: “Água para um mundo sustentável”, divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

De acordo com o relatório, o planeta vai sofrer um déficit de 40% no abastecimento de água até 2030 se a comunidade internacional não melhorar radicalmente seu gerenciamento. Espera-se um aumento por volta de 55% até 2050 – e 20% das fontes mundiais de água subterrânea já estão sendo superexploradas.

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Figura 6. Até o ano de 2050 o planeta vai estar com um déficit de 55% no abastecimento de água.

Não podemos viver como as rãs, temos que tomar consciência da realidade que nos aguarda e às futuras gerações.

Comecemos nas nossas casas, economizando água, fechando as torneiras, evitando os vazamentos, diminuindo o tempo no chuveiro, etc. mas precisamos – de alguma forma – ir além, para que as próximas gerações tenham futuro de paz no planeta.

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Figura 7. As futuras gerações dependem das ações que forem tomadas agora.

Para saber mais acesse – e colabore – com organizações não governamentais como o Greenpeace (veja a seção de links neste site).

Quase esqueci!!!

ran-na-panelaA história da rã, para quem não conhece, refere-se a um experimento onde se pegarmos uma panela com água, levá-la ao fogo, e quando a água ferver colocarmos uma rã dentro a rã, que vai sentir o calor na pele, vai se mandar rapidinho, num salto só!  Agora… se pegarmos uma panela com água fria, colocar a rã dentro a mesma vai gostar e vai se acomodar, pensando que está vivendo no melhor dos mundos. Mas, se acendermos o fogo e controlar o aumento da temperatura, aos poucos a água vai esquentando e a rã em vez de pular fora, vai se acomodando ao calor da água e dalí não sai até morrer fervida!  Percebeu o perigo?

Um novo navegador para um Windows universal

Com o lançamento do Windows 10 previsto para o segundo semestre de 2015, a Microsoft apresentará seu novo navegador (codinome de projeto: Spartan) que já tem nome e logotipo oficiais definidos. Chamar-se-á Microsoft Edge e sua logo pode ser vista – e comparada com a logo do atual Internet Explorer – na figura 1. Na imagem, a logo da esquerda é a do atual navegador (Internet Explorer), enquanto a logo da direita é a do novo navegador (Microsoft Edge).

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Figura 1. Logotipos dos navegadores Internet Explorer (à esquerda) e do novo navegador, o Microsoft Edge (à direita).

O Microsoft Edge será um navegador totalmente novo. Nada a ver com o Internet Explorer atual ou do passado. Terá uma interface mais enxuta, no padrão do Windows 10, além de uma performance bastante superior ao atual Internet Explorer e até mesmo dos principais navegadores concorrentes da Microsoft, o que lhe trará grandes chances de sucesso, uma vez que a “lentidão” do atual Internet Explorer em relação a concorrência é um dos principais motivos dos usuários terem optado por outras soluções, fazendo o Internet Explorer perder o posto de navegador mais utilizado.  Com o Edge a Microsoft espera reverter essa situação.

O novo navegador trará como novidade a capacidade de interagir com inking na tela, ou seja, escrita livre e direta no browser através de dispositivos touch, como os tablets Surface, por exemplo. O usuário poderá escrever, marcar, desenhar e rabiscar livremente na página e, se desejar, salvar as alterações como imagem e compartilhar por e-mail, salvar no OneDrive ou no OneNote.

Outra característica muito esperada pelos usuários da Microsoft é a capacidade de seu navegador utilizar “extensões”, como já fazem seus concorrentes Chrome e Firefox. A Microsoft, inclusive, já demonstrou em evento o Edge utilizando uma extensão feita originalmente para o navegador do Google sem qualquer problema. Polegar para cima

Outra grande aposta do novo produto é que o mesmo será totalmente integrado à assistente virtual da Microsoft, a Cortana. A assistente poderá ajudar o usuário a fazer pesquisas no navegador, exibir resultados rápidos e ensinar caminhos e direções automaticamente quando um endereço for pesquisado utilizando-se o Bing, o buscador da Microsoft. Isso deverá proporcionar uma incrível experiência de interação entre o usuário e seu dispositivo.

A Microsoft confirmou que o Edge será capaz de sincronizar senhas usadas anteriormente em sites, favoritos armazenados, guias abertas e histórico de páginas acessadas, ou seja, basta entrar com uma conta para nunca mais se preocupar em realizar o backup do browser quando for trocar de computador ou até mesmo formatar, bastando usar normalmente o navegador que os dados mais importantes estarão seguros na nuvem.

A funcionalidade será ainda melhor para quem possuir um smartphone ou tablet com Windows 10, criando um ecossistema entre os dispositivos para o acesso rápido de dados em qualquer plataforma.

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Figura 2. Aspecto da nova interface do navegador Microsoft Edge. Repare no aspecto mais enxuto e agradável.

Apesar de todas as novidades e da expectativa para os usuários do ecossistema Windows – como é o meu caso –  os donos de aparelhos com Android e iOS não contarão com essas novidades, pelo menos por enquanto. É que a criadora do Windows atualmente não planeja levar seu aplicativo ao sistema operacional da Google ou da Apple, permitindo que apenas os usuários de seu próprio ambiente virtual desfrutem da novidade.