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Um Feliz 2019 Espacial

Em menos de quatro dias – na virada do ano 2018 para 2019 – três grandes feitos da humanidade foram destaques na exploração espacial: a missão OSIRES-REx, que passou a orbitar o asteroide Bennu, tornando-se a primeira sonda a orbitar tão próximo um objeto tão pequeno como o asteroide; a missão New Horizons, que após 3 anos fazer um brilhante e revelador sobrevoo por Plutão, agora atinge o Ultima Thule, um corpo espacial nos confins do Sistema Solar e que se acredita ser originário dos primeiros momentos do nosso sistema planetário; e por último o inédito feito chinês, que pousou sua sonda Chang’e-4 no lado oculto de nossa Lua, sendo a primeira sonda espacial a pousar no até então inexplorado território lunar.

OSIRES-REx e o asteroide Bennu: na virada do ano para 2019

Enquanto a humanidade comemorava a virada para o ano novo uma equipe da NASA aguardava ansiosa os dados de telemetria que comprovariam que a nave da missão OSIRES-REx entrara em órbita do asteroide Bennu, a 110 milhões de quilômetros da Terra, fazendo do asteroide Bennu o menor objeto a ser orbitado por uma nave espacial.

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Figura 1. Asteroide Bennu em rotação capturado pela sonda OSIRES-REx.

A órbita do OSIRIS-REx marca um salto para a humanidade. Nunca antes uma espaçonave circulou tão perto de um pequeno objeto espacial com suficiente gravidade para manter um veículo em uma órbita estável. A nave espacial circundará Bennu a uma distância de incríveis 1,75 quilômetros (isso é menor que uma pista de pouso de um aeroporto), mais perto do que qualquer outra nave chegou de qualquer objeto de estudo celestial.

Agora que a nave OSIRIS-REx está mais perto de Bennu, detalhes físicos sobre o asteroide serão revelados através de fotografias com melhor resolução e foco mais nítido, tornando a visita da nave espacial a esse monte de escombros de detritos primordial cada vez mais reveladora. Aguardemos.

New Horizons e o Ultima Thule: 1º de Janeiro de 2019

A nave da missão New Horizons, que ficou famosa por seu sobrevoo espetacular no planeta-anão Plutão em 2015 – clique aqui e veja meu artigo sobre a passagem da New Horizons por Plutão – realizou mais um feito inédito: realizou com sucesso um sobrevoo num objeto do cinturão de Kuiper – o 2014 MU69, também referido como Ultima Thule – distante a incríveis 6,6 bilhões de km da Terra, já nos confins do Sistema Solar.

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Figura 2. Como o Ultima Thule era visto antes da New Horizons: um pequeno e pálido ponto de luz na imensidão do espaço.

O Ultima Thule tem 32 km de comprimento e leva 295 anos terrestres para dar uma volta no Sol e se tornou, desde o dia 1º de janeiro de 2019, o corpo celeste mais distante já visitado por um artefato humano.

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Figura 3. Ultima Thule fotografado pela New Horizons na madrugada de 1º de janeiro de 2019 (imagem de confirmação, ainda em baixa resolução). Fotos com melhor resolução chegarão em semanas e meses após o sobrevoo.

O Cinturão de Kuiper

É uma região nos confins do Sistema Solar, além da órbita do planeta Netuno, distante entre 30 UA e 50 UA, e contém milhares de pequenos corpos, estes com formação semelhante à dos cometas.

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Figura 4. Aspecto do Sistema Solar e a posição do Ultima Thule, bem além da órbita de Plutão.

Light bulb Cada UA (Unidade Astronômica) equivale a distância entre a Terra e o Sol, ou seja, 150 milhões de km aproximadamente.

Chang’e-4 e o Lado Oculto da Lua: 3 de janeiro de 2019

No dia em que publico este artigo, instantes atrás, o programa espacial chinês consegue realizar um feito inédito: pousou, pela primeira vez, uma sonda espacial no lado oculto da Lua.

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Figura 5. Registro inédito do solo do lado oculto da Lua feito pela sonda Chang’e-4 da China no dia 3 de janeiro de 2019.

O lado oculto da Lua é assim chamado por nunca se mostrar visível para nós, a partir da Terra, uma vez que o período do movimento de rotação da Lua é exatamente igual ao seu movimento de revolução (a volta que a Lua dá em torno da Terra).

Devido ao regime fechado do governo chinês, poucas informações são compartilhadas – diferentemente da NASA – e por isso o que se sabe a respeito da missão é que a pioneira, a Chang’e-4 irá realizar estudos de observação astronômica de rádio de baixa frequência, análise de terreno e relevo, detecção de composição mineral, entre outras ações para estudar o meio ambiente no lado oculto da Lua.

De toda forma está de parabéns a China pelo feito inédito, esperando que as descobertas científicas da missão possam ser compartilhadas com cientistas de todo o planeta.

Se depender do ritmo dos 3 dias iniciais, o ano de 2019 promete. Que tenhamos cada vez mais sucesso e avanço na exploração espacial.

Chegamos a Plutão: mais um grande salto da humanidade na exploração do nosso sistema solar

O dia 14/07/2015 entrou para a história da exploração espacial com a chegada – com sucesso – da primeira missão da NASA com objetivo de desvendar os mistérios do Cinturão de Kuiper e o seu principal astro, o planeta-anão Plutão e sua principal lua Caronte, até então um corpo pouco conhecido e inexplorado devido a sua grande distância do Sol.

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Figura 1. Sonda da Missão New Horizons que chegou a Plutão em 14/07/2015. Imagem da NASA.

É um privilégio hoje em dia podermos acompanhar – via NASA TV e Internet – tal façanha humana de conseguir – com extrema precisão matemática – enviar um artefato científico a tão grande distância e fazê-lo passar a apenas 12.800 km da superfície do planeta – para você ter uma ideia, nossos satélites de TV estão a 36.000 km da superfície da Terra. Eu, particularmente, não deixo de me emocionar ao acompanhar cada conquista humana na exploração espacial.

De fato, Plutão está tão distante de nós que a luz do Sol leva quase 7 horas para chegar até lá quando o mesmo está no ponto mais afastado de sua órbita – em termos comparativos a luz solar leva apenas 8 minutos para atingir a Terra.

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Figura 2. Região do Cinturão de Kuiper.

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Figura 3. Plutão e sua maior lua, Caronte, numa tomada a partir da sonda da missão New Horizons, ainda a milhões de km de distância. Imagem da NASA.

Além da distância, o seu tamanho reduzido – em comparação com os demais planetas – dificulta a observação e análise do mesmo a partir das cercanias da Terra. Até mesmo o Hubble, nosso telescópio espacial mais potente, tem dificuldades para observar Plutão.

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Figura 4. Imagem de Plutão captada a partir do telescópio espacial Hubble. Imagem da NASA.

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Figura 5. Imagem de Plutão captada a partir da sonda da missão New Horizons, ainda distante 780.000 km do planeta. Imagem da NASA.

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Figura 6. Imagem da New Horizons em close up numa região próxima ao equador de Plutão revela uma cadeia de montanhas com até 3.500 metros de altitude. Imagem da NASA.

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Figura 7. Concepção artística mostrando a relação de tamanho de Plutão e sua maior lua, Caronte, com a Terra. Imagem da NASA.

 

Novos Horizontes

A missão New Horizons foi lançada em 19 de janeiro de 2006 e ao cruzar a órbita de Júpiter ganhou um “empurrão gravitacional” fazendo a sonda atingir a maior velocidade já atingida por um artefato humano – 49.600 km/h – e mesmo assim a viagem levou mais de 9 anos, completando, assim, o reconhecimento básico do Sistema Solar, de Mercúrio a Plutão.

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Figura 8. Lançamento da Missão New Horizons em 2006. Imagem da NASA.

A New Horizons tem a missão de estudar Plutão e os confins do Sistema Solar, em especial o Cinturão de Kuiper, uma relíquia da formação do Sistema Solar situado além de Netuno. A existência desse cinturão foi sugerida em 1951 pelo astrônomo holandês Gerard Kuiper (1905-1973). O primeiro objeto dessa região foi descoberto em 1992 e, de lá para cá, já foram catalogados mais de mil outros pequenos objetos chamados de transnetunianos. Acredita-se que nessa região existam mais de 100 mil pequenos objetos celestes.

Assim como 2014 ficou marcado pela Missão Roseta, da ESA, 2015 ficará conhecido como o ano da Missão New Horizons, da NASA, conseguindo chegar a Plutão e além no Cinturão de Kuiper.

Estamos vivendo momentos marcantes na exploração espacial e isto é muito bom e importante para toda a humanidade.

Devido às nossas limitações tecnológicas atuais, não podemos atingir grandes distâncias em curto espaço de tempo, mas o importante é não se deixar intimidar e ir sempre além. Ao passo em que as novas tecnologias nos proporcionarão atingir velocidades cada vez maiores, poderemos atingir lugares inexplorados cada vez mais distantes em nosso Sistema Solar, aprendendo cada vez mais sobre novos mundos que possam nos servir de morada no futuro.

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Figura 9. Equipe da NASA comemora o momento exato do “flyby” da New Horizons em Plutão. Imagem da NASA.

De parabéns estão todos os membros da equipe da missão New Horizons e a NASA, um verdadeiro patrimônio científico da humanidade. Polegar para cima

Montando o Sistema Solar – 2ª Etapa (Fase 10): Éris

Após um hiato de alguns meses, chegamos ao último corpo do Sistema Solar de nosso sistema planetário: Éris, um planeta anão além de Plutão que por um bom tempo foi conhecido como o Planeta X, uma alusão ao 10º planeta descoberto.

Éris – apesar de pequeno, o maior objeto transnetuniano* conhecido

Localizado nos confins do Sistema Solar, numa região do conhecida como Cinturão de Kuiper**. É o maior planeta-anão do sistema solar e quando foi descoberto, ficou desde logo informalmente conhecido como o “décimo planeta”, devido a ser maior que o então planeta Plutão. Devido a nova categoria introduzida pela União Astronômica Internacional, Éris também passa a ser um plutoide***.

* Objeto transnetuniano são corpos pertencentes ao Sistema Solar que estão situados em órbitas além de Netuno.

** O Cinturão de Kuiper é uma região do nosso sistema solar, próxima a órbita de Plutão e que foi descoberta em 1992.

*** Plutoides são pequenos corpos celestes semelhantes a Plutão, pequenos demais para serem chamados de planetas.

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Figura 1 – Éris, o maior planeta-anão conhecido.

 

Éris tem um período orbital de cerca de 560 anos e encontra-se a cerca de 97 UA do Sol, em seu afélio. Como Plutão, a sua órbita é bastante excêntrica, e leva o planeta a uma distância de apenas 35 UA do Sol no seu periélio (a distância de Plutão ao Sol varia entre 29 e 49,5 UA, enquanto que a órbita de Netuno fica por cerca de 30 UA).

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Figura 2 – Cinturão de Kuiper, contendo milhões de pequenos corpos celestes, onde parte da órbita de Éris está inserida.

Na mitologia, Éris é a deusa da discórdia. O planeta anão foi chamado assim porque a sua descoberta lançou a discórdia entre os astrónomos quanto à definição de um planeta e causou, indiretamente, a descida de estatuto de Plutão de “planeta” para “planeta anão”. Na mitologia grega é famosa por ter causado, indiretamente, a Guerra de Tróia.

Éris é bastante distante do Sol e até mesmo de Plutão, conforme podemos notar na figura 3, onde os planetas estão dispostos em distâncias proporcionais em relação ao Sol.

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Figura 3 – Éris, um planeta-anão muito distante do Sol, nos confins do Sistema Solar.

O material da décima fase da 2ª etapa

O material desta fase é distinto das demais anteriores por ser o último dos planetas a ser adicionado ao planetário.

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Figura 4 – Preparando o material para montagem.

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Figura 5 – O material para montagem de Éris.

A montagem em si foi simples, pois já peguei o jeito da coisa e nem mais preciso olhar as instruções que acompanham o material.

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Figura 6 – Montando as peças da engrenagem central.

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Figura 7 – Inserindo a engrenagem no eixo central do planetário.

O difícil é manusear toda a estrutura para a inserção da nova engrenagem: o peso do planetário já é algo considerável, o que se torna o problema para segurá-lo com apenas uma das mãos sem o risco de danificá-lo.

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Figura 8 – O planeta anão Éris na minha mão.

Na sequência, Éris é inserido no braço que o une aos demais planetas no planetário.

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Figura 9 – Éris – em primeiro plano – já inserido no planetário.

Na figura 10 já podemos ver Éris e seus “vizinhos”.

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Figura 10 – Éris e seus “vizinhos”.

Na figura 11 temos o aspecto atual do planetário, como todos os seus planetas e luas.

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Figura 11 – Aspecto atual do planetário.

A figura 12 dá uma ideia do aspecto decorativo do meu home-office com a presença charmosa do planetário. Smiley piscando

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Figura 12 – Aspecto do home-office com o planetário embelezando o cenário.

Com este post fica concluída a etapa de montagem dos planetas.  Mas o planetário ainda não está totalmente concluído!

A última fase de montagem do planetário inclui o pedestal do mesmo bem como a inserção do motor elétrico que possibilitará o movimento dos planetas.

Agora é aguardar mais um tempinho para que eu possa concluir a montagem do sistema planetário. Até a próxima etapa então! Polegar para cima

Montando o Sistema Solar – 2ª Etapa (Fase 9): Plutão

E chegamos a Plutão, o planeta que foi rebaixado à categoria de Planeta-Anão. Com ele, estamos a um passo do último planeta do nosso sistema planetário.

Plutão – o rei do Cinturão de Kuiper *

Plutão foi descoberto após a descoberta de Netuno e, de forma idêntica, através de cálculos matemáticos, pois os cálculos da órbita de Netuno apresentavam pequenas perturbações que só poderiam ser atribuídas a um corpo massivo. Depois da exclusão de Urano do rol de probabilidades, suspeitou-se de outro planeta, mais distante ainda que Netuno.

* Cinturão de Kuiper é uma região do espaço do sistema solar que se estende além de Netuno até cerca de 48 UA – Unidade Astronômica ** – e está repleto de uma miríade de pequenos mundos gelados, entre os quais se destaca Plutão.

** Uma Unidade Astronômica, ou simplesmente UA, é uma convenção astronômica que equivale a distância entre o Sol e a Terra, ou seja, cerca de 150 milhões de quilômetros.

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Figura 1 – Plutão, o planeta rebaixado à categoria de planeta-anão.

Mas como um corpo tão pequeno em relação a Netuno e tão distante poderia influenciar a órbita deste? Devido a excentricidade de sua órbita. De fato a órbita de Plutão é tão peculiar que, mesmo estando bem depois de Netuno – no seu ponto mais distante do Sol pode chegar a uma distância de 7.375 milhões de quilômetros – quando está no ponto mais próximo do Sol essa distância cai para cerca de 4.435 milhões de quilômetros, ou seja, Plutão fica mais próximo do Sol do que mesmo Netuno (ver post anterior).

Plutão possui um diâmetro equatorial de apenas 2.390 Km, ou seja, o planeta-anão Plutão é menor que a nossa Lua e sua massa em relação a Terra é de apenas 0,0021 Terra. Muito pequeno. Mas apesar do tamanho, possui 3 luas conhecidas, sendo Caronte a maior delas.

Plutão possui um período de rotação de 6 dias e 9 horas terrestres, enquanto que seu ano corresponde a 248 anos terrestres. Sua temperatura superficial média é de –230º C – o zero absoluto equivale a –273º C.

O material da nona fase da 2ª etapa

O material é idêntico ao do planeta Netuno, apenas com as engrenagens de variando no número de dentes, devido ao período de translação distinto entre os planetas.

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Figura 2 – material da nona fase.

A montagem de Plutão foi uma das mais rápidas, justamente por se assemelhar a dos planetas anteriores e por não mais sentir a necessidade de seguir as instruções.

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Figura 3 – montagem do eixo central das engrenagens.

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Figura 4 – concluindo a montagem das engrenagens da órbita de Plutão.

A inserção de cada novo planeta no eixo central do planetário dificulta o manuseio na hora da montagem, pois o peso já é considerável e já não há tanto espaço para uma pegada firme e sem risco ao trabalho já realizado, conforme podemos constatar na imagem abaixo.

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Figura 5 – aspecto do eixo central do planetário, com suas engrenagens e braços planetários: dificuldade na montagem de novos planetas.

A seguir, Plutão inserido no braço o aspecto geral do planetário restando agora apenas mais um planeta-anão.

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Figura 6 – Plutão inserido no braço do planetário.

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Figura 7 – aspecto geral do planetário com a inserção de Plutão (mais à direita).

Abaixo o aspecto atual do meu home office, embelezado com o planetário já quase completo! Smiley piscando

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Figura 8 – aspecto do meu home office embelezado com o planetário quase completo.

E por enquanto é só, mas já na expectativa da montagem do último dos planetas do planetário.  Vamos aguardar! Polegar para cima